Menu

Ozzy Osbourne incendiou o rock com o combustível da loucura

6 meses ago


“Meu pai sempre disse que eu iria fazer algo importante algum dia. ‘Sinto isso, John Osbourne’, ele me dizia, depois de algumas cervejas. ‘Ou você vai fazer algo muito especial, ou vai acabar na cadeia’. E ele estava certo, meu velho pai. Fui parar na cadeia antes de completar dezoito anos”, escreveu o Príncipe das Trevas no primeiro parágrafo de sua autobiografia, Eu Sou Ozzy, de 2009.

O Sr. Jack Osbourne foi categórico e acertou na mosca ao declarar ao universo que seu filho John faria algo especial. John, assumindo a alcunha de Ozzy, foi um dos arquitetos do heavy metal e peça fundamental para mudar o curso musical do século XX.

Ativos incompráveis como carisma, encantamento e voz característica vieram com o Madman de fábrica, por assim dizer. Eram alguns de seus dons, os quais soube usar a seu favor ao longo dos mais de cinquenta anos atuando na essência do rock n’ roll.

Ainda que inspirado pelo The Fab Four, John Osbourne sentiu de imediato que o bom-mocismo de Paul McCartney e Cia não encontraria eco em sua vida caótica. Além da música dos The Beatles, as suas companhias eram a dislexia, carrascos travestidos de professores, miséria e a profunda ausência de propósito.

John encontrou no alter ego Ozzy os meios possíveis para dobrar a falta de perspectiva. Desde o primeiro instante, ele percebeu que a persona Ozzy demandava uma entrega ao rock n’ roll que poderia consumir seu corpo e alma.

A barganha nunca foi com o superestimado Diabo, como muitos podem imaginar e ou fantasiar. O negócio foi fechado entre John e Ozzy. Este último era a única bala de prata para que jovem do subúrbio inglês pudesse vingar na vida.

Assim, Ozzy Osbourne ganhou vida, aura própria e sempre fez questão de dobrar a aposta a cada turnê e álbum para que o rock n’ roll alcançasse um novo patamar. As performances não eram nada menos do que eletrizantes e incendiárias, com direito a falas como: “I’m crazy” – “eu sou louco”, em uma tradução livre.

Da catapulta que lançava entranhas de animais ao público até os infames episódios do morcego e pombo, passando pelo xixi no Álamo e a carreira de formiga, isso era Ozzy Osbourne incendiando o rock com o combustível da loucura.

Porém, essas e outras infinitas insanidades não eram intencionais para fazer publicidade e ganhar um holofote em uma carreira chafurdada em clichês musicais. Pelo contrário, o Madman remava contra a maré.

O mercado fonográfico ia para um lado, o Príncipe das Trevas fazia questão de caminhar pelo oposto, para o desconhecido e não seguro.

Aqui vai um simples exemplo para ilustrar a ideia! Durante a década de 1980, quase toda banda de rock e metal queria um guitar hero famoso em suas respectivas formações para dar um “up” na venda de ingresso e nos trabalhos em estúdio.

Ozzy, no entanto, fazia questão de fechar parceria com um “Zé Ninguém”. Zakk Wylde tá aí como testemunho vivo disso.

Entre passagens pela polícia, embriagues, tentativa de homicídio, batalhas contra o vício nas mais diversas substâncias, programas de TV, passagens pela Betty Ford Center, acidente de quadriciclo e toda sorte de doidices, Ozzy atuou na vanguarda do rock n’ roll e na manutenção do espírito livre que o estilo tanto preserva. Valeu por tudo, Ozzy.



Via: RockBizz

Leave a Reply

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *