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Homenagem ou oportunismo? Celebração a Andre Matos se torna banal no AngraVerso

3 meses ago


Desde o início, que aconteceu bem cedo, no comecinho da adolescência, Andre Matos levou a ideia de se tornar músico profissional bastante a sério. Quando desabrochou para o público, o cantor ostentava um visual à la Bruce Dickinson (Iron Maiden), com longos e claros cabelos e com a indefectível franjinha oitentista – era simplesmente uma doçura de visual.

Muito a frente da turma de seu tempo, o paulistano possuía o quê rock star e showman em suas apresentações, mas conservava uma intimidade rara com os livros e o universo acadêmico, o que o permitiu a refinar e elevar ainda mais suas virtudes artísticas. Como diz o vovô e a vovó: juntou a fome com a vontade comer.

Embora a primeira fase da carreira, com o grupo Viper, tenha alcançado relativo êxito, o vocalista provou o sabor do grande sucesso no segundo momento da profissão, ao lado do Angra, bancado pelos álbuns Angels Cry (1993) e Holy Land (1996).

O terceiro ato na vida profissional de Andre também foi grandioso e chegou ao mercado sob o nome de Ritual, primeiro álbum de estúdio do Shaman, lançado em 2002. O grupo ainda colocou na praça o bacana e sombrio Reason, de 2005, mas, ao longo da turnê, o relacionamento entre os caras azedou e cada um foi cuidar de sua própria vida.

Andre mergulhou fundo no quarto momento de sua carreira, que fora seguir de maneira independente, usando seu próprio nome como marca da nova empreitada musical. De mais a mais, o cantor ainda assinou diversos projetos paralelos como Virgo e Symfonia, e deu as caras em outros grupos como Avantasia, Soulspell, Epica e Time Machine.

Muitos sucessos, alguns fracassos e tropeços, mas, acima de tudo, muita garra, profissionalismo e tesão pela música. Andre Matos nunca procurou o caminho mais fácil para conquistar êxito financeiro e prestígio artístico. Ele sempre quis ser reconhecido pela excelência de seu trabalho, e não pelas efemeridades que orbitam o mundo musical.

Infelizmente, ele nos deixou precocemente no dia 8 de junho de 2019, aos 47 anos, devido a um infarto agudo do miocárdio.

Desde então, muitas homenagens ao cantor veem ganhando vida no bizarro mundo chamado AngraVerso – pessoas e músicos que gravitam em torno da banda Angra. Nos últimos tempos, as tais honrarias estão pipocando aos montes. Mas até que ponto essas ações podem se enquadrar na matriz da homenagem? E qual é o limiar entre o tributo honesto e o oportunismo barato para proveito financeiro?

A intenção não é, pois, crucificar este ou aquele indivíduo, mas promover uma reflexão em cima do tema. Dito isto, dá a entender que certas pessoas vivem de parasitar a discografia de Andre, uma vez que não criaram – criam – trabalhos e canções que brilham na mesma intensidade das do cantor.

Consagrar a discografia e o legado do artista é algo mais do que louvável e honroso, e isso nós todos podemos fazer ao colocar as suas músicas para tocar e serem trilhas sonoras de nosso cotidiano. E como é maravilhoso ouvir o álbum Virgo! Dá uma injeção de ânimo no dia a dia.

Contudo, botar na estrada uma turnê com o claro intuito de fazer grana à custa da genialidade artística de outrem, é um movimento tacanho e prova mais uma vez que a nossa cena heavy metal tem muito o que amadurecer.



Via: RockBizz

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