A cena heavy metal sempre foi um universo mais voltado ao público masculino. Durante décadas, o percentual de mulheres que se atreveram a pisar num palco era baixo. De uns tempos para cá, a bolha furou e vemos mais mulheres tocando, produzindo, organizando e fazendo o mercado musical girar.
Infelizmente, certa parte do público propaga muito preconceito em relação a esta presença feminina. Com isso, aspectos físicos da musicistas, por exemplo, são alvos de deboche e criticas que chegam a incorrer em crime.
E mais, a capacidade técnica das mulheres em seus respectivos instrumentos é posta em xeque de forma sistêmica.
Uma das vozes contra esta posição preconceituosa é de Fernanda Lira, líder da Crypta. E ela vem pagando um preço caro por isto, visto que é alvo constantes de ataques virtuais. Recentemente, pelas mídias sociais, Fernanda relatou ataques gordofóbicos, mas deu lição de moral nos críticos.
“Comecei a receber comentários gordofóbicos. Eles não me afetam muito porque estou fazendo terapia, mas quero que as pessoas saibam que eles existem e também que isso as faça refletir”, observou Lira.
“Eu sofri bullying durante toda a minha infância e adolescência por ser “magra como um palito”. Agora, com quase 40 anos, meu metabolismo não é o mesmo, minha vida na estrada, onde passo a maior parte do ano, é uma bagunça. Às vezes, fast food é a única opção e mal durmo, então, manter uma rotina de exercícios é quase impossível. Mesmo assim, estou bem e minha saúde está boa.
Na verdade, naqueles vídeos em que eu parecia “mais em forma”, eu estava justamente passando por um momento muito difícil, me recuperando de traumas que me fizeram querer desistir da vida. Percebe como os corpos são relativos? Precisamos lembrar que por trás de cada corpo existem fatores genéticos, psicológicos, sociais, estilo de vida e metabólicos. Nós vivemos em uma época em que o bem-estar é vendido como uma máscara para a obsessão com a estética”.
A artista continuou: “Eu não sou uma pessoa plus size e mesmo assim recebo esse tipo de comentário. E dói pensar no que pessoas gordas ou muito magras passam.
A parte mais triste é ver essa epidemia de pessoas infelizes consigo mesmas. Conheço pessoas gordas que se torturam tentando perder gordura abdominal e pessoas magras obcecadas com a balança, querendo mais músculos, mais bumbum, mais seios.
Parem de comentar sobre o corpo dos outros online. É bem provável que vocês nem tenham saúde perfeita ou um “corpo perfeito” para julgar alguém. Vocês não fazem ideia do que os outros estão passando”.
“O seu corpo não diz nada sobre o seu valor. Além disso, os padrões de beleza da internet são apenas marketing para vender produtos de “bem-estar”. Seu corpo existe para viver, para sentir, para experimentar a vida e acumular memórias, não para puni-lo ou se encaixar em um molde”, concluiu a musicista.
Veja a postagem de Fernanda Lira, os tipos de comentários preconceituosos que ela recebe e o apoio dos fãs:
Via: RockBizz
