Os engomadinhos dos Beatles, a turma beberrona dos Rolling Stones, os loucos do The Who e o pessoal da praia e surfe dos Beach Boys simbolizaram as rápidas e profundas mudanças sociais e culturais que definiram os anos 1960.
Os direitos civis, protestos contra a Guerra do Vietnã, a libertação sexual, a ascensão da identidade juvenil e o movimento da contracultura representaram mudanças significativa nos valores culturais da época.
Grande parte da sociedade, principalmente a parcela jovem, estava farta daquela imagem falsa de perfeição que pairou sobre os anos 1950. Dessa forma, as bandas dos anos 60, conscientemente ou não, ofereceram a trilha sonora perfeita para os tempos de mudança.
Os gêneros musicais se misturaram e emergiram. O rock se misturou com o folk, erudito, jazz, entre outros diversos gêneros.
No final da década de 1960, o mercado fonográfico estava dando boas-vindas a novos rebentos como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e Jethro Tull, no Reino Unido. Do outro lado do Atlântico, nomes como Alice Cooper Group, Blue Öyster Cult e ZZ Top tratavam de fazer as suas respectivas misturas sonoras para ganhar os palcos.
Mas quem corria por fora destes dois principais polos musicais era o Nazareth. Vindo da cidade de Dunfermline, Escócia, o grupo, que começou os trabalhos tendo em sua formação Dan McCafferty (vocal), Manny Charlton (guitarra), Pete Agnew (baixo) e Darrell Sweet (bateria), propunha um rock visceral, cru e poderoso, mas, ao mesmo tempo, cedia espaço para o quê melódico e sensível, o que é um contraste interessante na primeira arte.
Nos dois primeiros registros de estúdio, Nazareth (1971) e Exercises (1972), o conjunto não causou tanta comoção na cena musical. Porém, quando o baixista do Deep Purple, Roger Glover, pegou a banda pelas mãos, álbuns como Razamanaz (1973), Loud ‘n’ Proud (1973), Rampant (1974) e Hair of the Dog (1975) vislumbraram a luz do Sol e o público pôde engrossar a coleção de vinil com peças poderosas.
Ao longo dos anos, o saudoso Dan McCafferty e seus compadres soltaram outros discos bacanas e alguns títulos que bateram na trave em termos de produção, repertório e trabalho visual. Mas isso é do jogo e faz parte de quem tem uma carreira longa e repleta de troca-troca de integrantes. A constância do alto padrão criativo fica prejudicada, em certa medida.
Mas na fase mais audaciosa, os caras desobstruíram as artérias entupidas do rock de meados dos anos 70! Eles, em suma, reanimaram a música. A genialidade estava em recapturar a estética curta e simples da qual o rock se afastou com a propagação e destaque do progressivo. Eles, inclusive, adicionaram um senso cáustico de humor em suas capas, cabe ressaltar.
Contudo, o Nazareth, mesmo em seus momentos de auge mercadológico, os quais contavam com produções bem azeitadas, trabalho vocal criativo com influências de folk, pop, soul e até motow e performances afiadas, nunca gozou de um triunfo nos moldes de seus colegas de classe como Zeppelin, Sabbath e Purple.
Os motivos para isso a gente pode especular, já que é deveras audacioso bater o martelo nisso ou naquilo. As razões podem passar por falhas de planejamento empresarial e marketing, número reduzido de turnês, visual brega de tiozão, carência de singles radiofônicos, acomodação dos músicos e por aí vai.
O fato é que a música do Nazareth, ao longo das décadas, atraiu muitas bandas e artistas para sua órbita, vide o cover do Guns N’ Roses para o clássico Hair Of The Dog. Apesar disso, a arte dos caras continua relegada a quase uma nota de rodapé nos anais do rock n’ roll.
O Nazareth é muito mais do que o cover de Love Hurts, de Boudleaux Bryant. As paletas sonoras que o grupo oferece ao ouvinte são praticamente infinitas. A cada audição algo novo surpreende e faz o ouvinte mergulhar ainda mais fundo nos álbuns.
O conjunto escocês tem, pois, uma discografia riquíssima, porém, muito pouco glorificada entre os fãs de rock, infelizmente. A coisa piora entre o público mais jovem, o qual não faz a menor ideia de quem foi e o que criou Dan McCafferty e companhia. Lamentável.
Via: Rockbizz
