Se você tem uma obra musical, a qual os primeiros versos são as dizeres bíblicos de Apocalipse 12:12 e 13:18, a situação pode se complicar ao longo do processo. O motivo? Bem, acredite ou não, há vida após a vida.
E nem sempre essa outra vida é composta de indivíduos benfazejos, por assim dizer; então, abrir as portas, dar espaço e ensejo para esse pessoal se manifestar pode ser uma cilada.
Mas, mesmo assim, o Iron Maiden bancou ter um álbum cujo o título é The Number Of The Beast e uma canção que brada o número 666 e tem a assustadora passagem bíblica: “Woe to you, oh earth and sea, for the Devil sends the beast with wrath because he knows the time is short. Let him who hath understanding reckon the number of the beast, for it is a human number… Its number is six hundred and sixty-six”.
Em tradução livre: “Ai de vós, terra e mar, pois o Diabo envia a besta com fúria, porque sabe que o tempo é curto. Que aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é um número de homem… Seu número é seiscentos e sessenta e seis”.

E o Maiden despertou as bestas do “lado de lá”! Em conversa com a Metal Hammer, os músicos afirmaram que acidentes assustadores ocorreram no estúdio enquanto a banda gravava. Os equipamentos paravam de funcionar aleatoriamente e o amplificador de Steve Harris chegou a explodir.
Mas o mais estranho aconteceu com o produtor Martin Birch, que afirmou estar dirigindo para casa do estúdio numa noite chuvosa de domingo, depois de trabalhar na faixa-título, quando bateu o carro.
“Era uma noite chuvosa e eu bati numa van”, explicou Birch no documentário Classic Albums – The Number Of The Beast.
“Olhei para trás e havia meia dúzia de freiras. Pensei: ‘Que estranho, mas é domingo’. Um homem saiu e começou a rezar comigo. Alguns dias depois, levei meu Range Rover para consertar e, quando me deram a conta, era de 666 libras. Eu disse: ‘Pago 667 ou 668 libras”.

No documentário Metal: A Headbanger’s Journey, de 2005, o empresário da Donzela de Ferro, Rod Smallwood, falou sobre o efeito que o álbum causou na sociedade.
“Chegamos nos EUA e, de repente, havia toda essa história de que o Iron Maiden era adorador do diabo. Foi a coisa mais estranha, gente lá fora com cartazes. Não éramos só nós, mas acho que fomos os que mais sofreram com isso.
Muita coisa começou – ou recomeçou – por conta do álbum The Number Of The Beast. Passava em canais de TV locais religiosos falando para queimarem o álbum. E teve uma vez que pegaram um monte de álbuns do Iron Maiden e do Ozzy Osbourne e queimaram. Eles saíram correndo, porque ficaram com medo da fumaça”.
Mais de 45 anos após sua gravação, The Number Of The Beast continua sendo uma das faixas mais icônicas do Iron Maiden. O álbum é o mais bem-sucedido do grupo, pois rompeu a barreira dos milhões de cópias vendidas em todo mundo. É um marco na história do heavy metal mundial.
Via: Rockbizz
