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Igreja Católica e o rock selam a paz em álbum progressivo de Papa Francisco I

4 horas ago


É difícil imaginar uma aproximação entre a Igreja Católica e o rock, visto que a religião sempre se manifestou com desaprovação ao som pesado. Em muitos casos, os representantes do catolicismo fizeram questão de categorizar o rock e as suas vertentes como uma arte profana e como um culto ritualístico do Diabo.

Demorou muitas décadas, mas o rock e a Igreja Católica finalmente conseguiram se relacionar sem conflito. Isso se deu com o Papa Francisco I, que morreu em 21 de abril de 2025, vítima de um AVC – Acidente Vascular Cerebral.

Antes de se tornar Bispo de Roma em 2013, o religioso, cujo nome real era Jorge Mario Bergoglio, foi Arcebispo de Buenos Aires, Argentina. Ele rompeu com a tradição papal ao expressar interesse pela música popular.

Segundo o cardeal e presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Gianfranco Ravasi, Francisco tinha álbuns de música contemporânea em sua vasta coleção de música, incluindo LPs de Astor Piazzolla, obras de cabaré de Édith Piaf, gravações gospel de Elvis Presley e trabalhos de cantores e compositores como Leonard Cohen e Van Morrison.

E o rock progressivo também estava no radar do Pontífice. Ele permitiu que o selo Believe Digital compilasse alguns de seus discursos entre 2013 e 2014 e os musicasse com uma trilha sonora progressiva.

O projeto teve o apoio de Tony Pagliuca, tecladista e pianista da banda italiana Le Orme, ícone do rock progressivo dos anos 1960 e 1970.

Desta união surgiu o álbum de rock católico, Wake Up! Music Album with His Words and Prayers, que saiu em 2015. O disco tem onze faixas repletas nuances, coros vocais e um interessante verniz progressivo no estilo de Vangelis.

No entanto, a única música realmente rock n’ roll é Wake Up! Go! Go! Forward. Ela saiu como o segundo single do álbum e apresenta o discurso de Francisco em inglês, em referência à Coreia do Sul.

A visão e a atuação progressista de Papa Francisco, assim como a capacidade musical de Tony Pagliuca em transformar discursos papais em músicas, fez com que a Igreja Católica se unisse, mesmo que momentaneamente, ao rock n’ roll. Este é um bom exemplo das voltas que mundo dá.



Via: RockBizz