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Apesar das limitações, AC/DC prova que, no rock, o tempo joga a favor

5 horas ago


AC/DC em Sã Paul9o. Crédito: Marcela Lorenzetti

O AC/DC iniciou a nova etapa da POWER UP TOUR com passagem pelo Brasil, na noite de terça-feira, 24, no Estádio MorumBIS, em São Paulo.

O primeiro show da banda de 2026 marca o retorno ao país após longos 17 anos de espera e encontrou fãs fervorosos que esgotaram as três datas marcadas: 22 e 28 de fevereiro, e no dia 04 de março.

Para abertura, The Pretty Reckless, liderada por Taylor Momsen, foi a escolhida, assim como nas etapas europeias e norte-americanas, oferecendo um aquecimento com rock alternativo. A banda americana surgiu em 2009 e também estava há alguns anos sem retornar ao Brasil, e com isso promoveu um encontro de gerações, unindo os jovens fãs de rock alternativo aos veteranos do rock clássico.

Com um setlist de apenas 10 músicas, Taylor Momsen soube usar seu tempo para proporcionar um momento mágico aos fãs que tanto esperavam e arrancar elogios de quem apenas foi ver o AC/DC. The Pretty Reckless não deixou de fora os clássicos: “Make Me Wanna Die”, “Going to Hell” e “Heaven Knows”, (e a estreia de “For I Am Death”) mantendo o público em puro êxtase com sua performance calorosa que, embora seja uma banda nova, mostrou a potência para estar entre os grandes – não é à toa que estão abrindo para um dos maiores nomes do rock.

AC/DC envelheceu com vinho

Como já era esperado, o AC/DC apostou no formato que o consagrou, sem muitas mudanças desde a última turnê no Brasil. A banda entrega exatamente o que se espera de um grupo clássico, sustentado pela longevidade que a consolidou como uma das formações mais sólidas da história do rock.

Com mais de cinco décadas de estrada, o grupo australiano mantém uma proposta direta com riffs marcantes, refrões explosivos e uma performance sem excessos, onde o destaque está na força do repertório. Os efeitos visuais robustos, incluindo telões com imagens imersivas e o famoso sino gigante para “Hells Bells”, foram um dos momentos mais aguardados, principalmente para a juventude que, incentivada pelos pais, presenciou pela primeira vez o show. “Me sinto incrível, AC/DC é uma banda de que gosto desde pequeno. Meus pais me incentivaram e me trouxeram ao Morumbi para curtir esse show”, disse Lucca, de 9 anos.

A estrutura privilegia a música, com destaque para os amplificadores empilhados e a presença constante de Angus Young, que, apesar da idade avançada, aos 70 anos, seguiu como o motor visual e sonoro do espetáculo, com sua guitarra surrada mostrando experiência de anos. Mesmo após décadas repetindo o uniforme escolar e os solos extensos, o guitarrista demonstra fôlego e precisão técnica. O vocalista Brian Johnson, por sua vez, entregou desempenho seguro, dentro de suas atuais limitações naturais. A experiência compensou qualquer desgaste vocal, já que ele manteve o carisma em hinos como “Back in Black”, “You Shook Me All Night Long” e “Highway to Hell”. 

Completaram a banda, Matt Laug (baterista), Chris Chaney (baixista de turnê, substituído de Cliff Williams) e Stevie Young (guitarrista) – integrante mais novo, com seus 69 anos. Juntos, mostram se divertir enquanto tocam com energia o repertório de 22 canções que seguiu exatamente o padrão dos shows passados, com faixas que o público esperava, com foco no catálogo de sucesso entre as décadas de 1970 e 1980. 

Os fãs, em sua maioria, acompanham a faixa etária dos integrantes, fiéis ao estereótipo clássico do roqueiro e à máxima de que, no rock, o tempo joga a favor. No palco, o grupo confirmou essa tese com uma apresentação segura e eficiente, capaz de emocionar quem aguardava pelo reencontro. Ao mesmo tempo, o repertório de hits que atravessaram décadas garantiu a presença e o entusiasmo de uma parcela mais jovem na plateia.

Apesar de não falarem muito durante a apresentação, a banda australiana recebeu a resposta do público de 72 mil pessoas, que refletiu que a essência do AC/DC não depende de modismos, colaborações ou conceitos visuais elaborados. E essa ausência de reinvenções mostrou que, além de atravessar gerações, a eles sustentam sua relevância com o básico, transformando o tempo em sua maior potência. Isso explica os ingressos esgotados para os 3 shows no Brasil em velocidade surpreendente.

Confira fotos exclusivas da nossa colaboradora Marcela Lorenzetti:

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Via: WikiMetal