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Overload Beer Fest protagoniza maratona extrema marcado por casa cheia e intensidade sonora

4 horas ago


O Overload Beer Fest mostrou, logo de início, que seria uma daquelas noites para sair suado, rouco e satisfeito. O Carioca Club estava cheio; o calor era quase insuportável e, mesmo assim, ninguém ficou parado. A pista virou um pandemônio desde os primeiros acordes, com o público disposto a aproveitar cada minuto. O som, no geral, estava bom e bem definido, com a única ressalva referente à apresentação do D.E.R., que sofreu com problemas na mixagem. Fora isso, tudo transcorreu de forma organizada, inclusive os horários, seguidos com pontualidade quase britânica. Tratava-se do cenário perfeito para uma maratona de peso, que contou com Cemitério, D.E.R., Eskröta , Vulcano e o Obituary

A noite teve início com o Cemitério, banda de death metal old school que invocou o espírito dos filmes de terror clássicos em sua performance. Destaca-se o baixista e vocalista Hugo Golon, cuja entrega gutural e peso nas quatro cordas lembraram um zumbi possuído. O grupo executou um setlist inspirado em slashers e obras de horror, incluindo “A volta dos mortos vivos”, “A vingança de Cropsy”, “Quadrilha de sádicos”, “Sexta-feira 13”, “Holocausto canibal”, “Tara diabólica”, “Natal sangrento” e, para encerrar, “Pague para entrar, reze para sair”. Foi uma abertura consistente, que aqueceu o público, já presente em grande número, com riffs sujos e temáticas macabras que fizeram o mosh começar cedo.

Em seguida, o D.E.R. subiu ao palco com sua mistura de thrash e grindcore, trazendo uma intensidade política e social marcante. Mesmo com o som ligeiramente embolado, o vocalista Thiago Nascimento destacou-se com berros raivosos e presença de palco incisiva, conduzindo a apresentação pela brutalidade de músicas rápidas e corrosivas. A performance configurou-se como um impacto direto, com composições que transformaram o Carioca em um verdadeiro caos, reafirmando o espaço do grupo entre os veteranos do underground paulista.

A Eskröta, com seu crossover thrash de viés feminista e empoderado, elevou o nível com uma atitude que contagiou o público. A vocalista e guitarrista Yasmin Amaral sobressaiu-se com pegada feroz e riffs poderosos, liderando um setlist explosivo que incluiu “A Bruxa”, “Playbosta”, “Mantra”, “Eticamente Questionável”, “Misery”, “Filha do Satanás”, “Grita” e “Mulheres”. O grupo não apenas executou as músicas com intensidade, como também transmitiu mensagens contundentes contra o machismo, levando o público a cantar em meio às rodas que ocupavam o centro da pista.

O Vulcano, pioneiro do black/death metal brasileiro desde os anos 1980, apresentou uma verdadeira aula de história do metal extremo por meio de sua presença emblemática. O guitarrista Zhema Rodero, fundador e principal referência da banda, impressionou com riffs marcantes e atmosfera satânica autêntica, enquanto o grupo executava um setlist composto por “Spirits of Evil”, “Witches’ Sabbath”, “Incubus”, “Church at a Crossroads”, “Dominios of Death”, “Ready to Explode”, “Holocaust”, “Death Metal”, “Total destruição” e “Guerreiros de Satã”. Esta última contou com a participação do vocalista original, Angel. A apresentação configurou-se como uma viagem no tempo, com clássicos atemporais e atmosfera sombria que prepararam o público para o encerramento da noite. Ficou evidente que, mesmo após décadas de estrada, o Vulcano ainda provoca reações intensas nos apreciadores de thrash e black metal old school.

Na sequência, apresentou-se o Obituary, um dos principais representantes do death metal da Flórida, encerrando a noite com uma performance de grande impacto. Iniciando com a introdução “Snortin’ Whiskey”, a banda seguiu com “Redneck Stomp”, “Sentence Day”, “A Lesson in Vengeance” e “The Wrong Time”. O vocalista John Tardy destacou-se pelos vocais guturais profundos, enquanto Donald Tardy, na bateria, manteve a base rítmica com precisão, acompanhado por Trevor Peres nos riffs. O grupo manteve o Carioca Club em êxtase ao alternar faixas mais recentes, como “Infected” e “Body Bag”, com clássicos como “Dying” e “Cause of Death”.

Na segunda parte do show, a intensidade foi ampliada com “Circle of the Tyrants” (cover do Celtic Frost), seguida por “Chopped in Half” e “Turned Inside Out”. Após breve pausa, o encore contou com “I’m in Pain” e o hino final “Slowly We Rot”. O público, já exausto após horas de intensa movimentação, ainda encontrou energia para mais uma roda. A apresentação constituiu uma demonstração de resistência e devoção ao quinteto norte-americano, configurando um encerramento expressivo para o festival e reforçando a relevância do Obituary no cenário do death metal. A sensação predominante foi a de que o Overload Beer Fest 2026 se consolidou como um evento memorável, lavando a alma dos fãs do estilo.

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Via: WikiMetal