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Entrevista: Zakk Wylde fala sobre o novo álbum do Black Label Society

8 horas ago


Black Label Society, lançará em 27 de março, seu décimo segundo álbum de estúdio, Engines of Demolition. 

Descrito como “uma jornada sincera pelos altos e baixos dos últimos anos”, o trabalho é o primeiro álbum de estúdio do grupo desde 2021. Até o momento quatro singles foram lançados: “The Gallows”, “Lord Humungus”, “Broken and Blind” e “Name in Blood”. O disco ainda contará com “Ozzy’s Song”, uma canção feita por Zakk Wylde como forma de homenagear Ozzy Osbourne

Em entrevista ao Wikimetal, o guitarrista e vocalista falou sobre o álbum, o conceito por trás de “Ozzy’s Song”, a evolução da banda nos últimos anos, os shows realizados ao lado do Pantera e mais. Wylde ainda brincou ao dizer o que podemos esperar do show que a banda realizará no Bangers Open Air 2026 no dia 25 de abril. Leia na íntegra. 

Wikimetal: O título e a capa do álbum sugerem algo bastante industrial e destrutivo. Há algum conceito ou mensagem que amarram as faixas?

Zakk Wylde: Sim. Você tem as “Máquinas da Destruição”. É simplesmente a  mentalidade do Black Label: força, determinação e impiedade. Para sempre. Destruir e conquistar. E então elas vêm junto com tudo isso. Por exemplo, quando eu e você queremos sair e ir ao show do Black Sabbath e a mãe pede para fazermos coisas como lavar a louça, a roupa, e arrumar tudo em casa antes de sair. Você pode ficar reclamando ou nós simplesmente podemos fazer isso logo e ir ao show. É isso que você tem. É a mentalidade que você precisa ter. “Máquinas da Destruição!”

WM: O álbum é descrito como uma “jornada sincera pelos altos e baixos dos últimos quatro anos”. Um desses momentos nós já sabemos qual foi, mas quais outras experiências acabaram virando músicas?

ZW: Bem, minha vida é como a de qualquer outra pessoa. Todo mundo tem altos e baixos. Mas você tenta se manter no meio-termo. Assim você fica como água morna. Esse é o segredo da vida: seja água morna. Como Bruce Lee dizia: “Seja água, meu amigo.” E, neste caso, seja água morna. Apenas fique no meio. Não fique alto nem baixo demais. Apenas siga pelo meio do caminho, filho.

WM: “Ozzy’s Song” é uma carta de amor sua para o Ozzy. O quão emocional foi compor essa música para uma das pessoas mais importantes que você já teve em sua vida?

ZW: Bem, essa é uma coisa bonita da música, sabe? Quando você fica chateado com alguma coisa, você pode escrever uma música sobre isso. Mas eu não menciono o nome do Ozzy na música. O nome surgiu porque, sempre que eu estava tocando ela para a minha namorada [agora esposa], Barbaranne, no carro ou no meu caminhão, ela sempre dizia: “Amor, coloca essa, a música do Ozzy de novo.” Então, foi por isso que surgiu o nome. E no meio disso, as pessoas começaram a perguntar, porque, “In This River” é sobre o Dime [Dimebag Darrell]. E agora é sobre o Vinnie [Paul] também. Então, as pessoas queriam saber se eu ia escrever uma música para o Ozzy. E fez total sentido chamar ela se chamar “Ozzy’s Song”. E, sabe, se essa música tocar alguém de alguma forma, é tudo o que importa no final das contas.

WM: Como você descreveria a evolução da banda do Doom Crew Inc (2021) para este novo álbum?

ZW: Eu só penso que, quando escutamos as nossas bandas favoritas e seus discos preferidos, seja Elton John, Black Sabbath, Led Zeppelin, The Allman Brothers Band, ou Bad Company, não importa. É o lugar em que você está agora. Se o Zeppelin pudesse ter escrito “Stairway to Heaven” e colocado no primeiro álbum, eles teriam feito. Mas isso não aconteceu, sabe? Então, eu acho que, para todo mundo, é onde você está naquele momento da sua vida. E, este álbum, provavelmente foi escrito nos últimos três anos e meio e quatro anos.

Durante todo esse período dos shows [a Pantera Celebration World Tour] com o Pantera. É uma coleção de todas essas músicas. Algumas delas, como The Stranger, estavam por aí desde a época do Grimmest Hits (2018), então existem desde 2017.  Há também riff principal de “The Gallows”, música que finalmente terminei. Ela estava guardada desde que fizemos Order of the Black, em 2010, com o riff principal já estando ali. Normalmente,  acabo escrevendo tudo do começo ao fim de uma vez só. Não costumo deixar partes soltas por aí. Mas, nesse caso, finalmente terminei essas duas músicas.

WM: Recentemente, li uma entrevista sua onde você diz que possui o The Fame da Lady Gaga em sua coleção de discos. Achei isso interessante pois você também já demonstrou admiração por outros nomes da música pop. Esse tipo de música acaba te ajudando de alguma forma em suas composições?

ZW: Não, para mim, quando estou sentado ao piano, se me inspiro, geralmente isso determina o estilo de música que vou escrever. Ou, se estou com um violão, acabo pensando mais em algo como “Wild Horses”, dos Rolling Stones, ou “Heart of Gold”, do Neil Young. Essa é a beleza da música. Quando estou tocando com uma guitarra, os riffs simplesmente surgem. Não penso nisso. Acho que o Ozzy comentou uma vez: “Zakky, as pessoas não são tão compositores de músicas. Vocês são receptores. Vocês recebem as músicas.” Entende o que quero dizer? E eu concordo. É como sintonizar em uma estação de rádio. Você tenta se conectar, pega algo que surge, e é assim que acontece. É nesse momento que você se sente inspirado.

WM: Na última semana, vocês fizeram um cover de “No More Tears” pela primeira vez em 21 anos. Gostaria de saber se a banda planeja tocar mais músicas do Ozzy no futuro?

ZW: Você nunca sabe. Isso aconteceu depois que estive no BRIT Awards, onde tocamos “No More Tears”, e o Ozzy recebeu o prêmio [póstumo] de “Lifetime Achievement.” Quando cheguei em casa, disse para os caras: “É, deveríamos. Porque não fazemos aquele trecho de ‘No More Tears’? Uma pequena homenagem para o chefe, sabe?” É por isso que acabamos incluindo ela. 

WM: E eu gostaria de saber uma coisa, porque recentemente a Sharon disse que possui alguns planos de voltar com o Ozzfest no ano que vem. Queria saber como você está se sentindo sobre isso. Caso você seja convidado para tocar.

ZW: Eu acho ótimo. É realmente incrível que a Sharon queira trazer o Ozzfest de volta, sabe? Acho que não poderia ser nada menos que incrível, né? Porque é uma ótima notícia para toda a comunidade do hard rock. Você vai ter todos os grandes nomes de sempre, e também todos os talentos novos que estão surgindo, dando a eles a chance de brilhar. É simplesmente fantástico.

WM: Tive a oportunidade de ouvir o disco antes de fazer a entrevista e senti que muitas músicas fazem referências a diversos momentos de sua carreira. O riff de uma delas,  “The Hand of Tomorrow’s Grave” me lembrou bastante “Perry Mason”. Houve uma inspiração nela?

ZW: De qual música você está falando? 

WM: “The Hand of Tomorrow’s Grave.”

ZW: Bem, “Hand of Tomorrow” é sobre casamento, sabe? Quando você está “pegando a mão do amanhã”, indo para o túmulo do amanhã ao se casar. Mas, para mim, tudo começa com o riff.

WM: Os shows com o Pantera trouxeram algo de novo para a sua forma de tocar ou compor para o Black Label Society? 

ZW: Bem, eu acho que a intensidade do Dimebag e a energia dele não poderiam deixar de se infiltrar na energia dos riffs e tudo mais. Totalmente. Então, sim, acho que o Dimebag está definitivamente presente nos riffs, seja em “Name in Blood”,  “Gatherer Of Souls” ou em qualquer outra música, sabe o que quero dizer? Mas também, sempre que terminamos uma turnê do Zakk Sabbath, eu fico sempre em admiração pelo trabalho de composição do Sabbath. Pela simplicidade e genialidade da escrita deles. Os riffs do Tony [Iommi], as melodias do Ozzy, as letras do Geezer [Butler] e a bateria do Bill [Ward]. Para mim, sempre fico inspirado cada vez que termino uma dessas turnês. Todas as noites. 

WM: Além de ser músico, você também tem suas marcas de guitarra e de café. Achei interessante o vídeo que você fez para a Wylde Audio. Gostaria de saber um pouco mais sobre o seu lado empresarial e como você consegue equilibrar isso durante as turnês.

ZW: Acho que todos os jovens deveriam fazer isso, sabe? Não é diferente de quando eu era criança e cortava grama, tirava neve ou tinha um trabalho para juntar dinheiro. Assim eu podia comprar uma guitarra, um amplificador e outras coisas. E o mais legal é que você realmente deveria tratar sua banda como se fosse seu próprio negócio familiar. Faça dela o seu trabalho e a sua vida. Dê tudo de si. Seja como o Jimmy Page. A vida inteira dele é o Led Zeppelin, sabe o que quero dizer? Isso é incrível. Dessa forma, você vai amar o que faz todos os dias da sua vida. É isso que quero dizer. Todos os jovens aspirantes a músicos deveriam fazer isso. Faça da banda sua vida e seu trabalho. É isso que você deseja.

WM: No próximo mês a banda vai tocar no Brasil. Gostaria de saber: qual é seu momento favorito no país?

ZW: Quando vamos à América do Sul?

WM: Isso

ZW: Bem, além das pessoas incríveis e da paixão delas pela vida e não só pela música, há também a paixão do Black Label e do Zakk Sabbath por churrascarias brasileiras. É isso que sempre esperamos com ansiedade quando vamos aí, além de toda a gente maravilhosa que encontramos.

WM: A banda vai se apresentar em um festival bem famoso aqui em São Paulo: O Bangers Open Air. Gostaria de saber o que podemos esperar desse show.

ZW: Muita dança. Temos assistido bastante Shakira e a J-Lo. Vai ter muita dança. É como uma mistura de riffs, encontrando as duas e simplesmente combinando forças para uma festa de dança que queima calorias. Uma verdadeira festa de destruição. É isso que vocês vão ver.

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Vitor Melo

Estudante de Jornalismo e fã de Rock e principalmente Heavy Metal, gosta de nomes como Judas Priest, Black Sabbath e em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Seu primeiro contato com a música pesada veio ao jogar Guitar Hero e de lá nunca mais parou. Sempre gostou de escrever e tem a música como uma de suas paixões. Dentro do meio, tem Steve Harris, Bruce Dickinson, Rob Halford e Ozzy Osbourne como seus ídolos.



Via: WikiMetal