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AC/DC reencontra o público argentino em noite insana no estádio do River Plate

1 dia ago


Existem shows históricos que ficarão registrados em nossa memória para serem relembrados! E existem os espetáculos que ficam registrados em vídeos para nossa lembrança e ou para instigar a nossa vontade de prestigiá-los. Iron Maiden no Rock In Rio, Ozzy Osbourne em Budokan, Queen em Wembley, entre tantos outros.

Um que certamente está nessa lista é o AC/DC – Live in River Plate. O show gravado em 2009 mostra um AC/DC enérgico em um estádio insano e com uma plateia incrível. Todo mundo que assistiu esse show ou algum trecho dele alguma vez certamente pensou: ‘Queria estar lá’. Bem, e em 2026, eu estive lá.

Já contei aqui no RockBizz sobre a minha relação com o AC/DC, a banda da minha vida que tenho tatuada no braço e me acompanha desde que me conheço por gente. Realizei o sonho de ver a banda ao vivo em 2009, o que foi o auge até então. No entanto, com a Power Up Tour na América do Sul em 2026, eu não poderia deixar de realizar outro sonho: viver o AC/DC em River Plate.

Como morador de Porto Alegre, o caminho para Buenos Aires é acessível e peguei meu carro para 15h de viagem rumo a capital argentina.

Já tinha conhecido o norte argentino em uma viagem mais curta, mas a “capital portenha” foi uma visita inédita. Aproveitei o advento do show para uma final de semana conhecendo a cidade e seu povo.

E o choque inicial é imediato. Poucas vezes vi uma cidade grande que fosse tão organizada e de fácil locomoção. As avenidas Libertador e 9 de Julho impressionam pela quantidade de pistas, assim como impressiona a dificuldade de estacionar pela cidade e isso se deve ao fato de quase não se ver motos pela capital. São muitos carros e muitas pessoas em um espaço limitado.

A cidade é viva, não dorme, a sua população é encantadora e se vê um patriotismo cultural verdadeiro, não uma bandeira política disfarçada de nacionalismo.

O show foi as vésperas do 24 de março, data histórica e lembrada pelo país no combate à ditadura militar e em todos os pontos da cidade se via referências a isso, assim como menções a sua seleção, atual campeã mundial, e prestes a iniciar outra copa do mundo.

A comida é incrível, o “Dulce de leche” incomparável e a simpatia e receptividade dos argentinos vai contra todos os estereótipos que crescemos ouvindo, especialmente pela rivalidade no futebol.

Conheci os principais pontos da cidade, o elitizado bairro de Puerto Madero; o Obelisco, ponto de encontro para comemorações e protestos, suas praças, museus e teatros. É uma cidade que respira – e respeita – a história.

Fui nos estádios da cidade, os curiosos El Cilindro do Racing e Libertadores da América do Independiente, times rivais e que tem seus estádios lado a lado, a lendária e mística Bombonera e, claro, o Monumental de Nuñez, local do show do AC/DC.

Passado o turismo, era chegada a hora de presenciar aquilo que me fez ir para o país! Era o dia de encontrar o AC/DC no mesmo local daquele histórico registro de 2009.

De imediato, é impressionante o nível de organização da cidade como um todo. Os acessos ao estádio definidos, caminhos claros e tranquilos, policiamento e pessoas de apoio auxiliando no caminho.

Meu acesso foi fácil de encontrar, chegando à fila do portão, outra surpresa: o público insano e maluco que vemos nos vídeos, são pessoas educadas e respeitosas, não havia nenhum “jeitinho brasileiro” tentando furar filas ou se aproveitar de alguma malandragem, mas um completo e total respeito a todos.

Quando abertos os portões, não teve empurra-empurra ou ânimos acalorados! Foi uma completa tranquilidade até acessar os locais.

Uma vez lá dentro, era hora de esperar até às 21h, quando o grupo subiria ao palco. Antes deles, a banda local Eruca Sativa fez um show curto mostrando um pouco do rock argentino e dando o primeiro aquecimento.

O The Pretty Reckless repetiu aquilo que havíamos visto no Brasil, riffs pesados e um vocal forte e marcante. Mas foi na reta final desse show que tudo começou a mudar. A calma argentina terminava ali.

Anos de energia acumulada esperando esse momento, horas de tranquilidade e descanso para libertar aquilo que estamos acostumados a ver e que me levou a estar nesse momento.

Às 21h as luzes se apagaram e o telão se acendeu. A abertura começou com um carro em alta velocidade passando por estradas e cruza uma placa escrito Buenos Aires. Na sequência avistou o estádio do River Plate. O carro entrou e surgiu no telão a imagem dos fãs que tanto aguardaram esse encontro.

Loucura e insanidade, o estádio tremeu e a plateia pulava e ia de um lado para o outro como um mar revolto em dia de ressaca. Com muitos gritos, cantos, a gente mal ouvia a banda. A Argentina deu o seu recado: os shows são diferentes neste país.

A banda apresentou o setlist que vem tocando na atual tour, revisitando grandes clássicos da carreira e passando pelas fases de Bon Scott e de Brian Johnson.

A dobradinha If You Want Blood (You Got it) e Back In Black fizeram o estádio tremer, a energia era tanta que as câmeras que captavam as imagens para o telão tremiam e a imagem ficava pulando junto com os fanáticos pela banda.

Demon Fire foi a primeira de Power Up seguida de Shot Down In Flames, elas deram o respiro para vir uma das mais celebradas da noite e uma das mais famosas do grupo, Thunderstruck. Mais uma vez a reação é em alto nível. Cabe destacar que a banda estava tocando uma versão um pouco mais lenta, talvez pela limitação física de acompanhar os solos na velocidade original.

Depois de Have A Drink On Me, o sino desceu ao palco e veio Hells Bells! Brian Johnson não se pendurou nele como antigamente, mas a sua presença e o ressoar do sino criaram o clima perfeito para a canção.

Shot In The Dark e Stiff Upper Lip deram uma acalmada nos ânimos, mas veio o grande ponto alto da noite! A banda e os fãs se encontram na autoestrada que levaram a seu destino final! Highway to Hell foi um estrondo. O estádio inteiro pulou e cantou com a canção.

E a cada clássico, a cena ia se repetindo esse expediente! Dirty Deeds Done Dirt Cheap, High Voltage, You Shook Me All Night Long e Whole Lotta Rose, a conexão era imensa entre a banda e o público.

A primeira parte se encerrou com Let There Be Rock em uma grande celebração ao estilo musical e um solo longo de Angus Young sendo ovacionado pelas quase 80 mil pessoas presentes.

O bis veio com T.N.T. e For Those About To Rock (We Salute You) que finalmente traria descanso para o público.

Um bonito show pirotécnico deixou o encanto no ar e o sentimento de celebração e dever cumprido das duas partes. A banda entregou um show cheio de energia e disposição e o público que não decepcionou, mostrando mais uma vez que Buenos Aires respira o AC/DC.



Via: RockBizz