Entrevista por: Camila Pazini
Texto: Redação
Formada em 2015 em Estocolmo, Viagra Boys fez sua estreia em terras brasileiras participando do Lollapalooza Brasil. A banda se apresentou na sexta-feira de festival, dia 20, e fez um sideshow com o Interpol no dia anterior – confira nossa resenha completa.
Conhecidos por seu humor ácido e críticas sociais sarcásticas, a banda de pós-punk chama atenção ao abordar temas como hipermasculinidade, teorias da conspiração e outros aspectos comportamentais que afligem a sociedade moderna em tempos de internet.
Em entrevista ao Wikimetal, o vocalista Sebastian Murphy comentou algumas histórias da banda, revelou gostar de Sepultura e demonstrou afinidade com samba.
Wikimetal: Como foi a história de como vocês se conheceram? Você estava mesmo no meio da plateia cantando a música mais triste da Mariah Carey em um karaokê? Você realmente alcançou as notas altas e tudo mais?
Sebastian Murphy: É uma história verídica, mas não foi assim que nos conhecemos. Quer dizer, eu já era amigo do Benke muito antes disso. A gente bebia no bar juntos e falava besteira sobre música, e aí ele me viu cantando numa festa e disse: “É, a gente tem que montar uma banda”.
WM: A capa do seu novo álbum parece ter saído diretamente de um quadro de André Breton, Manifesto Surrealista, mantendo simultaneamente aquela vibe crua de fanzine punk. Como esse surrealismo visual dialoga com os temas líricos e o caos que vocês exploram neste novo trabalho?
SM: Acho que o surrealismo em geral faz parte do meu cérebro. É assim que eu vejo as coisas, as imagens na minha cabeça. E quando eu desenho, geralmente desenho imagens muito surreais. E vivemos em um mundo muito surreal. Então acho que é assim que tudo se mistura.
WM: Qual é exatamente a história dos camarões?
SM: É uma referência antiga à anfetamina, na verdade, e ao fato de que ela tem um cheiro parecido com o de camarão, sabe? Quando começamos a banda, usávamos muita anfetamina, então era um tema central em nossas vidas. E aí acho que acabou virando uma obsessão para mim, no geral, só de pensar em camarões, desenhar camarões e falar sobre camarões, e eu gosto de camarões. E tenho camarões em casa, num aquário. Sou criador de camarões.
WM: Você mencionou que nunca planejou ter uma banda e que esperava ser tatuador a vida toda. Qual foi a tatuagem mais bizarra ou inexplicável que você já fez em alguém?
SM: A mais bizarra? Não sei. Não me lembro. Acho que não fiz muitas tatuagens bizarras. Talvez só um camarão. Sei lá.
WM: Nenhum artista gosta de ser rotulado e vocês claramente adoram experimentar. Existe algum ritmo específico ou música regional de outros países que vocês já pensaram em incorporar ao som de vocês?
SM: Samba. O próximo álbum vai ser de samba.
WM: Elias mencionou em uma entrevista o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e também a banda Novos Baianos. Mas e o resto da banda? O que vocês conhecem e curtem que foi produzido aqui no Brasil ou em qualquer outro país da América do Sul?
SM: Sepultura.
WM: Há algo que você gostaria de dizer diretamente aos seus fãs brasileiros que esperaram por este momento?
SM: Fãs brasileiros, estou muito feliz por estar aqui, finalmente. E agora vocês não precisam mais escrever “Venha para o Brasil” o tempo todo, sabem, podem simplesmente dizer “Você está no Brasil!”. E estou muito feliz por estar aqui. Adoro este lugar.
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Via: WikiMetal
