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Max Cavalera lembra da vida após o falecimento de seu pai: “Perdemos tudo; moramos num barraco”

11 horas ago


Max Cavalera (Killer Be Killed, Nailbomb, Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura) é um artista com mais de trinta anos de carreira no heavy metal. É uma vitória e tanto para qualquer artista, contudo, fica ainda mais especial para um brasileiro, pois o mercado nacional nunca foi benevolente com a música pesada.

Além disso, a vida pessoal de Max não foi um mar de rosas, já que perdeu seu pai bem cedo, aos nove anos de idade. Isso trouxe muitos problemas e tristezas à sua família. Em nova conversa com a Metal Hammer, o mineiro lembrou a infância, o falecimento de seu pai, episódio que o impactou demais, e a vida após esse trauma.

“Meu pai trabalhava no consulado italiano em São Paulo. Eu me lembro de, quando criança, ter que ir para jantares enormes com políticos e pessoas famosas, e meu pai estava sempre no meio de tudo. Tínhamos uma casa de praia em Praia Grande, no litoral de São Paulo, e íamos para lá nos fins de semana. Éramos de classe média. Meu pai ganhava muito bem e tínhamos um carro bom e um apartamento bom. Mas aí ele teve um ataque cardíaco e morreu”.

Max continuou contando sobre o falecimento de seu pai: “Foi muito traumático porque fomos pescar neste lago – Interlagos – e ele começou a reclamar de dores no peito quando estávamos no barco. Levamos ele de volta para o carro e eu o segurei no banco de trás.

Eu conseguia sentir o coração dele através do peito e ele faleceu ali mesmo, no carro. Eu me lembro de ter pensado: ‘É isso. Ele se foi’. Levaram-no para o hospital e, depois de uma hora, minha tia veio falar comigo e, antes que ela dissesse qualquer coisa, eu disse: ‘Eu sei. Ele se foi, não é’? E ela disse: ‘Sim. Ele faleceu’”.

“Minha mãe não sabia o que fazer. Meu pai não tinha seguro nem dinheiro guardado, então, de repente, ficamos sem nada. Minha mãe nos levou de volta para Belo Horizonte e moramos num barraco atrás da casa da minha avó.

Perdemos tudo, inclusive a casa de praia. Era tipo: ‘Você tem que ir para a escola e arrumar um emprego. Esquece essas besteiras de infância, você tem que ser homem agora, com nove anos de idade’. Isso me impulsionou para o metal. Eu abracei o metal com todas as minhas forças. Eu precisava dele como preciso de oxigênio. Eu precisava daquela rebeldia genuína”, completou o músico.



Via: RockBizz