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Guns N’ Roses entrega hits do passado e novos sons em show lotado em Porto Alegre

23 horas ago


Existem algumas bandas que dispensam apresentações. Sucesso estrondoso nos anos 80 e 90, o Guns N’ Roses é um daqueles grupos que todo mundo conhece pelo menos uma música. Todavia, do outro lado, há a galera que torce o nariz e isso vale para todo artista, principalmente desse tamanho.

E tão grande quanto a banda é o ego de Axl Rose, vocalista e líder do conjunto! As suas histórias andam paralelas à carreira da banda. O comportamento destrutivo do cantor acarretou na separação da formação clássica – Slash e Duff McKagan – por anos, até o retorno em 2016.

Com outras quatro passagens por Porto Alegre, o anúncio da tour atual pegou muitos fãs de surpresa, visto que o grupo passou pelo país em 2025 – sem visitar a capital gaúcha dessa vez – e poderia ser o pronúncio de um público menor, já que os fãs mais antigos tiveram oportunidades de ver o grupo em outros momentos, mas o grande movimento indicava que teríamos o espaço cheio, o que se confirmou.

Às 19h, Lzzy Hale e sua trupe do Halestorm subiram ao palco. Pouco conhecida do grande público, o grupo com quase 30 anos de carreira tomou de assalto a atenção de todos. O poderoso vocal de Lzzy, os pesados riffs e as melodias grudentas agradaram em cheio. Em pouco mais de 45 minutos o quarteto apresentou onze faixas, com destaque para Rain Your Blood on Me, Love Bites (So Do I) e I Miss the Misery.

O aquecimento em alto nível aumentou a expectativa para as grandes estrelas da noite. Axl Rose (vocal), Slash (guitarra), Duff McKagan (baixo e vocal) e Dizzy Reed (teclado), além de Richard Fortus (guitarra) e Isaac Carpenter (bateria), entraram em cena às 20h45. Nada de grandes atrasos para alívio de todos. A abertura mostrou o poder da formação logo de cara, com o hit Welcome to the Jungle. O som fez todos pularem e cantarem tão alto quando Rose.

Para acalmar, logo veio outro clássico, Live and Let Die, com seu começo suave, mas refrão potente. Logo nessa já vimos que a banda ia seguir com setlist diferente do show anterior. Isso é um grande atrativo, já que tira a previsibilidade da noite e nos leva aos tempos analógicos no qual nunca sabíamos o que ia rolar nos shows.

Mr. Brownstone completou a trinca de clássicos animando o público que via o esforço de Axl em entregar um bom show, soltando a voz e correndo no palco de um lado para o outro ou girando o microfone enquanto Slash fazia suas peripécias nas seis cordas.

Da “segunda fase” do grupo, por assim dizer, os caras tiraram da cartola Chinese Democracy, faixa-título do sexto e polêmico álbum, que levou mais de dez anos e milhões de dólares para ser feito. O trabalho nunca alcançou grande popularidade, além disso, o seu repertório destoa do material antigo.

E teve novidade na festa hard rock! O Guns apresentou as duas faixas mais novas, Nothin’ Atlas, e a excelente Perhaps.

Nesse momento do espetáculo Axl conversou com o público e ressaltou a gentileza da galera em receber bem os sons mais novos. Ele ainda falou sobre o seu esforço em cantar essas músicas, pois o corpo ainda não tem memória muscula. Isso faz com que ele precise se entregar mais ainda em suas performances.

O Guns também aproveitou a noite para apresentar alguns covers e homenagens, sendo a maior delas para o saudoso Ozzy Osbourne.

Eles tocaram Sabbath Bloody Sabbath, do Black Sabbath, enquanto aparecia a imagem de Ozzy no palco. Já o outro “cover” foi a faixa Slither, da banda Velvet Revolver. O conjunto era formado pelos ex-membros do Guns N’ Roses na época com o vocalista Scott Weiland, também já falecido. Ainda na editoria de covers, Duff assumiu as vozes e veio uma versão de Attitude, do Misftis.

Claro que tiveram pérolas noventistas vindas diretamente dos álbuns platinados Use Your Illusion I e Use Your Illusion II. A trinca Estranged, Yesterday e You Could be Mine, que não haviam sido tocadas na tour até então, se mostram grandes acertos para o saldo final da apresentação.

Mas os maiores momentos foram com os hits que todos os fãs sabem decor. Apettite for Destruction, debute de 1987, foi bem representado com It’s So Easy. A dobradinha Nightrain e Paradise City encerraram a noite, mas, antes disso, Sweet Child O Mine, Civil War e November Rain ostentaram a grandeza artística do Guns.

Com experiência de quase quarenta anos de carreira, o GN’R apresentou um repertório bem sortido, o qual passou por várias de suas fases. Isso agradou em cheio os presentes e valeu para o pessoal que já curtiu os caras outras vezes e para a galera que prestigiou pela primeira vez.

O Guns N’ Roses entregou um bom show, com muita dedicação e energia. Slash manteve a mesma presença de palco à la guitar hero; Axl se esforçou, porém, em algumas vezes, a voz falhou, especialmente nos agudos, o que chegou a ser constrangedor se formos analisar tecnicamente. Mas o fã compreende, entende e respeita o que está sendo apresentado.

Com o show realizado no Jockey Club da cidade, o Guns atingiu um patamar que, de acordo com a minha memória, nenhum outro artista realizou, quase um grand slam. Eles fizeram shows na Fiergs, Estádio Beira Rio do Internacional, Arena do Grêmio e agora no Jockey. Esses são os principais palcos de grandes shows no Rio Grande Sul, por onde passaram todos os principais nomes do rock mundial.



Via: RockBizz