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Esquenta Monsters 2026: Jayler e Dirty Honey fazem da Audio um túnel do tempo de hard rock

5 horas ago

Na última quinta-feira (2), São Paulo recebeu uma noite de hard rock em clima de aquecimento para o Monsters of Rock. JAYLER e Dirty Honey fizeram com que a Audio se parecesse um vinil esquecido dos anos 70 ou 80, com músicas que soam de Led Zeppelin a Guns’n Roses, mas, apesar disso, o público era bastante heterogêneo em idades e estilos.

 

Jayler
Abrindo a noite, o quarteto britânico JAYLER mostrou por que vem sendo apontado como um dos grandes nomes (e grandes promessas) do rock britânico. Formada no Reino Unido em 2022, a banda evidencia forte influência de Led Zeppelin tanto na sonoridade quanto no visual, com ênfase em riffs clássicos, grooves firmes e vocais agudos.

O início do show reforçou essa conexão, com uma abertura de clima à la Led Zeppelin, apoiada em um jogo de luz e sombra que valorizava a figura do vocalista. A primeira música trouxe um hard rock de raiz, com James Bartholomew, vocalista e frontman, alternando entre usar a sua voz e tocar a sua gaita. Na sequência, “The Getaway” manteve o ritmo elevado e destacou um solo de guitarra de forte inspiração nos anos 70, tanto no timbre quanto na postura em palco – o que viria a se tornar constante.

Em “No Woman”, música mais ouvida da banda nas plataformas de streaming, o vocalista assumiu uma guitarra de apoio e fez questão de evidenciar o trabalho do guitarrista solo, Tyler Arrowsmith, mais de uma vez (JAYLER é a junção do nome de ambos). A faixa seguinte, “Alectrona”, pode ser resumida entre James mostrando o que sabe fazer.

Até aqui, as interações com o público incluíam chuvas de palhetas e brincadeiras em torno de elogios vindos da plateia aos integrantes sem camisa, mantendo o clima leve, mas a conexão maior entre público-artista veio nas duas músicas seguintes. “Riverboat Queen” e “Lovemaker” foram o ponto em que o público pareceu se conectar de forma mais evidente com o material autoral, com atenção nos seus refrões-chicletes, solos de guitarra e para o timbre do vocal.

 

Dirty Honey
Se a JAYLER resgatou o espírito do hard rock, Dirty Honey mostrou o corpo do rock clássico: musculoso, performático e preciso. A banda californiana entrou em cena com “Gypsy” e seguiu alternando entre faíscas de empolgação e momentos de pura fórmula. Por vezes, soou como um simulacro de Guns N’ Roses: competente, mas previsível.

Com “Heartbreaker” e a conhecida “When I’m Gone”, que veio ao fim do show, conquistaram coro fácil do público, mas o grande momento pode ficar em “Don’t Put Out The Fire”, quando Marc LaBelle, vocalista e frontman, desceu ao meio da plateia. Literalmente ao meio. Levou uma cadeira, subiu pela grade (com um segurança) e andou algumas fileiras pela plateia, transformando sua cadeira em um palco improvisado. Foi o tipo de gesto que aproxima quem estava longe e chama para a próxima música.
A partir daí, “Another Last Time” cumpriu o momento clássico das lanternas, enquanto “The Wire” e “Won’t Take Me Alive” cumpriram tabela, antes de “Lights Out” ser tocada ao vivo pela primeira vez e “Rolling 7s” fechar o bis sob o coro de “Olê, olê, olê, Honey, Honey!”.

Ao longo de ambas as apresentações, a sensação era clara: se a pessoa gosta de guitarra e gosta de um hard rock puro, havia ali todos os elementos para aproveitar a noite (que parecia o caso de Leandro Caçoilo e Felipe Machado, da banda Viper, que acompanharam o show da plateia). Se JAYLER mostrou que o legado de bandas tradicionais segue viva na nova geração, Dirty Honey poderia até soar derivativo, abraçando o clichê, mas entregou um show honesto, bem tocado e de acordo com o que foi prometido.

Prontos para o Monsters of Rock 2026?

Por:
Redator: Felipe Alencar-Gonçalves.  (@feliperag1)