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Após mais de 50 anos de espera, o Lynyrd Skynyrd finalmente estreia no Rio de Janeiro com show glorioso

5 horas ago


Antes tarde do que muito mais tarde ou nunca! Bem, isso vale para muitas coisas em nosso dia a dia e vida, mas também para o aspecto artístico e musical. E aqui vai um bom exemplo! Após mais de 50 anos de espera, o Lynyrd Skynyrd finalmente estreou no Rio de Janeiro com um show glorioso. A apresentação rolou no último domingo, 5, no palco do Qualistage, na Barra da Tijuca.

Se formos analisar com mais minúcia, a espera foi ainda maior, já que passou seis décadas se levarmos em conta a época em que o grupo iniciou os trabalhos, em 1964. Seja como for, a espera foi longa, mas valeu cada minuto, cada centavo investido e cada esforço que os fãs fizeram para prestigiar o espetáculo.

Além dos anfitriões da festa, o Domingo de Páscoa ainda reservou duas boas surpresas ao público. Não foram ovinhos de chocolate, tampouco coelhinhos felpudinhos, foram duas jovens bandas que estão sedentas para mostrar o seu rock n’ roll. Se trata da britânica Jayler e da californiana Dirty Honey.

Jayler

Os ingleses foram os primeiros a entrarem no palco com seu classic rock repleto de energia e referências às lendas do estilo. O quarteto – James Bartholomew (vocal), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria) – mostrou muita segurança no palco apesar da pouca idade.

Sons como No Woman, Lovemaker e Over the Mountain, que estão presentes no debute A Piece in Our Time, de 2023, conseguiram aplausos dos cariocas e fluminenses.

O destaque vai para o frontman Bartholomew, que é uma interessante amálgama. O rapazote tem o visual do Robert Plant (Led Zeppelin), vocal à la Geddy Lee (Rush) e performance de Roger Daltrey (The Who). Isso não é uma crítica, apenas contatação das fontes em que ele bebeu.

Dirty Honey

Respeitando o cronograma da noite, o que é um acerto e bom para todo mundo, a festa rock n’ roll seguiu com o glamour do Dirty Honey. A ensolarada L.A. vibra em cada acorde de California Dreamin’, Don’t Put Out the Fire e Lights Out.

Marc LaBelle (vocal), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jaydon Bean (bateria) têm no currículo dois álbuns completos – Dirty Honey (2021) e Can’t Find the Brakes (2023) – e um registro ao vivo, que é o Mayhem and Revelry (2025).

Em quarenta e cinco minutos os caras mostraram seu rock com nuances psicodélicas, além disso, deixaram um bom sabor de quero mais. É uma banda que vale toda atenção que vem recebendo, sendo assim, que venham mais shows em nossa casa.

Lynyrd Skynyrd

Os anfitriões do dia não demoraram para se juntar à farra rock, e o fizeram com garbo e elegância ao som de Workin’ for MCA. A viagem aos saloons da segunda metade do século XIX ficou por conta de What’s Your Name, enquanto que a poderosa That Smell rememorou as loucuras e tribulações que o grupo vivia nos anos 1970.

A canção também tratou de reforçar aos mais desatentos que Street Survivors é um dos maiores álbuns da música contemporânea. A criatividade fluiu para todos os cantos do álbum, e isso é fácil perceber já em uma primeira audição.

Em pouco tempo Johnny Van Zant (vocal), Rickey Medlocke (guitarra), Mark “Sparky” Matejka (guitarra), Damon Johnson (guitarra), Michael Cartellone (bateria), Keith Christopher (baixo), Peter Keys (teclado), Carol Chase (backing vocal) e Stacy Michelle (backing vocal) já estavam com o jogo ganho, portanto, era só curtir o show que os fãs faziam nas pistas e camarotes, e retribuir com clássicos atrás de clássicos.

I Need You, dedicada às belas mulheres cariocas, foi a segunda representante de Second Helping, de 1974. O quarto disco, Gimme Back My Bullets, foi reproduzido pela faixa-título, porém, (I Got The) Same Old Blues e Double Trouble poderiam entrar no repertório e aprofundar o quê de velho oeste.

Há quem chame o Lynyrd Skynyrd atual de banda tributo, mas dando um teor bastante negativo à palavra tributo, visto que todos os membros originais morreram. Johnny Van Zant, irmão mais novo de Ronnie Van Zant, um dos fundadores do grupo, leva adiante – e com muito respeito e reverência – a herança musical que os caras criaram décadas atrás.

Além do mais, a nova formação do conjunto colocou na praça álbuns caprichados como God & Guns (2009) Last of a Dyin’ Breed (2012). Dessa forma, a tentativa de desvalorizar o trabalho  do “novo Lynyrd Skynyrd” só encontra terreno fértil em gente que está presa em 1975.

E o peso de God & Guns chegou com os dois pés na porta ao som de Still Unbroken ao passo que a década de 1970 se defendeu Saturday Night Special, Down South Jukin’ e The Needle and the Spoon.

Para quem gosta do fantástico mundo das guitarras a apresentação foi um oásis! O índio Medlocke cobriu os timbres graves com as suas Gibsons Explorer, que têm grande ressonância devido a massa extra abaixo da ponte. Mark trouxe o estalado próprio da Fender Stratocaster de captador single coil, e Damon atendeu a fração da Les Paul, usando, inclusive, um modelo da ESP e dois da Gibson.

As baladas Tuesday’s Gone e Simple Man receberam o coro de milhares de vozes, assim como Gimme Three Steps, Call Me the Breeze e Sweet Home Alabama, mas em ritmo de farra. Antes de Sweet Home Alabama, a banda tocou os primeiros versos de Red, White & Blue, pena que não executaram a canção por completo, foi um ponto negativo do concerto.

O ‘encore’ foi com o mega clássico Free Bird! Aqui no Brasil brincamos com o tal “Toca Raul”, e lá nos States o equivalente é “Toca Free Bird”. A performance foi vigorosa com direito a imagens do patrão Ronnie Van Zant no telão “participando” da celebração em território carioca.

Foram noventa minutos de apresentação que passaram como um piscar de olhos, mas serviu para lavar a alma de quem esperava esse show há décadas. O público fez bonito, cantou, interagiu e deu um show à parte, o que deixou a banda visivelmente feliz. Torcemos para que isso sirva de um bom cartão de visita para que novas apresentações ocorram em nossa cidade.



Via: RockBizz