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Michale Graves diz não poder mais atuar no cenário punk rock: “Sou odiado”

5 horas ago


Michale Graves afirmou que não se vê mais inserido nas cenas punk e rock. O ex-vocalista do The Misfits explicou que enfrenta rejeição e ambiente hostil.

Em entrevista ao Rock Talks, Graves disse que não pretende remarcar os shows no Reino Unido, recentemente cancelados devido às suas supostas ligações com a extrema-direita. Segundo ele, o clima se tornou inviável para apresentações.

“Não, não há planos para isso. É um ambiente muito hostil, e esse é um dos motivos pelos quais mudei de rumo. Assinei com esta gravadora e estou fazendo o que estou fazendo — não porque eu não goste desse mundo, mas porque não existo mais no mundo punk, no mundo do rock, nesse mundo pesado. Sou odiado. Não consigo existir lá. Não posso colocar minha segurança física, a de ninguém, em risco. Tem sido horrível. E eu não quero fazer parte disso. Estou tentando construir coisas e unir as pessoas, e só vejo destruição, caos, violência e coisas horríveis, horríveis, das quais não farei parte” [transcrição via Blabbermouth].

“Eu amo as pessoas. E dediquei minha vida, meu talento e minhas energias ao serviço e ao dever de servir aos outros, espalhando o reino de Deus e, certamente, ajudando a trazer o reino de Deus a este mundo. Bem, como se faz isso? Fazendo exatamente o que estou fazendo. Converse com qualquer pessoa que tenha vindo a um encontro com fãs ou a um show do Michale Graves . Eu adoro conversar com as pessoas. Adoro ministrar a elas, seja tocando uma música ou conversando. Algumas pessoas querem orar, outras querem apenas me fazer perguntas. Mas nesses três minutos que passo com as pessoas, às vezes, a vida delas muda, e elas guardam esses momentos para sempre”, concluiu ele.

O que gerou cancelamentos de shows Michale Graves

As críticas ao artista aumentaram nos últimos anos. Parte do público reage às suas posições políticas e declarações públicas, e isso gerou cancelamentos de shows e pressão sobre eventos ligados ao músico. Graves recebe muitas críticas online de fãs de metal e punk rock por sua suposta ligação com o grupo de extrema direita Proud Boys e por declarar publicamente ser cristão.

“A maioria dessas pessoas vive apenas online, nessa Matrix. Mas eu saio para o mundo real. O motivo de eu ter tanta confiança é porque sou irrepreensível, o que significa que não fiz nada que precise esconder. O que acontece é que as evidências que reuniram contra mim são interpretativas. Não há fatos nelas, nem há fundamento. Não se baseiam na verdade. Então, de muitas maneiras, não importa o que eu diga, porque nunca vai mudar a opinião dessas pessoas, já que elas já se decidiram, já me processaram. Já me julgaram”, disse Graves.

Graves explicou: “Essas pessoas têm uma mentalidade punitiva. Elas acreditam que eu fiz algo tão horrível que estou inserido nesse ecossistema de insurreição — Proud Boys, 06 de Janeiro [data do ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 2021], Alex Jones [teórico da conspiração norte-americano de extrema-direita condenado pela justiça], cristãos, Infowars, Trump, todas essas coisas. E quando ouvem isso, simplesmente surtam. ‘Ah, você é um nazista. Você é racista’. E todo mundo entra em curto-circuito. Então, nenhuma palavra, nenhuma declaração, nada vai mudar a opinião dessas pessoas. Eu não quero debater com elas e não quero brigar com elas. Prefiro que elas venham, ouçam um pouco de música e curtam o som”.

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Jéssica Marinho

Repórter e Fotógrafa em cobertura de shows, resenhas, matérias, hard news e entrevistas. Experiência em shows, grandes festivais e eventos (mais de mil shows pelo mundo).

Portfólio com matérias e entrevistas na Metal Hammer Portugal, Metal Hammer Espanha, The Metal Circus (Espanha) Metal Injection (EUA), Wikimetal e outros sites brasileiros de cultura e entretenimento.

Também conhecida como A Menina que Colecionava Discos – [email protected]



Via: WikiMetal