Menu

Pista Premium é uma farsa ou um produto exclusivo que vale cada centavo gasto?

5 horas ago


O Brasil, incluindo suas questões históricas, sempre foi – erroneamente – condicionado a alguma forma de exploração e, até mesmo, boicote. E isso se resvala, pois, no setor cultural e artístico – em especial no musical, que é nosso objeto de interesse.

Com o desenvolvimento do mercado brasileiro nos últimos anos, as produções musicais mudaram o formato e as dinâmicas de ofertar apresentações ao vivo para o público consumidor. E uma das transformações que o público brasileiro logo pôde presenciar foi a presença da Pista VIP ou Premium.

A prática de ter um lugar “especial” nos espetáculos veio da Europa e América do Norte. Se trata de um lugar mais perto do palco na casa de show, arena ou qualquer que seja o local em que se realizem os concertos.

Mas para ter acesso a essa exclusiva área se faz a necessidade de desembolso maior de dinheiro em relação ao preço praticado nos ingressos regulares. Com isso, uma parcela reduzida do público pode ter acesso a tal área – seja por limitação física do local ou financeira do público.

É bem claro que os empresários e produtores são vorazes por um grande volume de cifras, afinal, isso é uma exigência e atribuição básica de seu trabalho.

Contudo, essa forma de negócio vem gerando bastante estrago para o bolso do público brasileiro, posto que pagar a quantia de mil reais ou números ainda superiores em um ingresso é fora da realidade econômica de grande parte da sociedade brasileira.

Jeitinho brasileiro

O brasileiro sempre levou a merecida fama de ser um dos mais apaixonados e entusiasmados públicos do mundo, o que é uma verdade provada nos inúmeros shows gravados por artistas internacionais, para, posteriormente, mostrarem ao mundo sua popularidade no país, e de quebra mostrar a paixão dos brasileiros pela música e o seu poderio sonoro.

E com todo esse sentimento, é fácil deduzir que o público deseja assistir todos ou, pelo menos, a grande maioria de shows que rolam pelo país, seja de artistas nacionais ou estrangeiros.

No entanto, a galera esbarra nos interesses financeiros das produtoras e nos preços dos tíquetes que chegam arrasando a conta bancária sem dó e piedade. Consequentemente, a galera saca da cartola o jeitinho brasileiro, que é a forma de se contornar uma situação imposta ou uma dificuldade, todavia, a tal estratégia pode não se valer de métodos éticos e honestos.

E com o tal jeitinho brasileiro, o público consegue, por exemplo, driblar a legislação e se apossar de um objeto de grande importância para os estudantes, a carteira estudantil. Em posse do documento, a pessoa pode adquirir o ingresso por um valor menor ao praticado integralmente.

As produtoras tentam administrar e amenizar os efeitos da falsificação da carteira estudantil, o que acaba onerando todo processo na produção dos concertos, repassando o prejuízo para o próprio preço dos ingressos e nos valores das bebidas e comidas nas casas de shows.

É um embate em que ninguém cede – ou está propenso a ceder – empresários cobram quantias extraordinárias nos preços dos ingressos, com o agravante de uma Pista Premium, que às vezes se inicia na metade da casa de show e não tem nada VIP.

E é importante ressaltar que VIP e Premium estão apenas na modalidade da compra, visto que não há nem um esboço do que o termo representa na prestação do serviço.

Ficar poucos metros mais perto do artista, mas enfrentando dificuldades e limitações como banheiros precários; ausências de postos de saúde; bares com insuficiente capacidade de atendimento e uma segurança despreparada que usa a truculência a forma de trabalho são pontos que se distanciam substancialmente do ideal de ter um produto e serviço VIP e premium.

Resumo da opera

A intenção aqui é tentar despertar o senso crítico e o debate sobre o assunto. A ideia é mostrar que, em certo ponto, o público está com razão e é vítima de abuso, mas, pelo outro lado, os fãs podem ser um dos causadores do tal abuso que os assombra.

Além disso, os consumidores devem ficar atentos para não comprar gato por lebre, isto é, pagar caro por um serviço e não recebê-lo a contento.



Via: RockBizz