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Lucifer comanda culto rock n’ roll no Rio de Janeiro e faz as potestades se deliciarem com os cânticos de louvor

4 horas ago


Na teologia cristã, Lúcifer é um anjo caído, pois deixou que suas paixões o tentassem a usurpar o lugar de Deus no céu. Como não logrou êxito em sua investida, ele e seus asseclas foram exilados na Terra, onde vem tocando terror há milênios.

Em Apocalipse 12:7-9, há a seguinte passagem: “Houve então uma guerra no céu. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão. O dragão e seus anjos lutaram, mas não prevaleceram, e não havia mais lugar para eles no céu. O grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, o enganador de todo o mundo, foi lançado à Terra, e os seus anjos foram lançados com ele”.

E é claro que alguma mente brilhante iria usar este mote – folclórico ou não – para criar uma banda de rock n’ roll, fazer um som poderoso e, ainda de quebra, assustar os mais sensíveis. A abençoada que tomou tal iniciativa foi Johanna Sadonis, ex-frontwoman do Oath, que não titubeou em botar na praça a banda Lucifer.

Foto: Livia Teles / RockBizz

Com pouco mais de dez anos de atividade, o grupo já lançou cinco registros de estúdio, sendo o mais novo Lucifer V, que serviu de pano de fundo para a nova turnê pelo Brasil. Na capital fluminense, a apresentação foi no último domingo, dia 26 de abril, no Experience Music.

O peso de Anubis foi a responsável por iniciar o ritual no Hell de Janeiro, que muito lembra o teor musical do Black Sabbath. As potestades se deliciaram com Ghost e os seus contornos setentistas, assim como Crucifix (I Burn For You), que fez a galera cantar seu refrão grudento.

Com muitos sorrisos e simpatia, a cantora alemã e o resto da trupe – Coralie Baier (guitarra), Max Eriksson (guitarra), Kevin Kuhn (bateria) e Claudia González Díaz (baixo) – estabeleceram um elo inquebrável com os fãs, que fizeram questão de cantar cada verso e refrão dos cânticos que podem despertar os mais recônditos seres das trevas.

Um pequeno problema técnico na bateria pausou o espetáculo em duas ocasiões, contudo, o contratempo não trouxe nenhum prejuízo à condução da festa, tampouco ao saldo positivo da noite.

Foto: Livia Teles / RockBizz

Lucifer V marcou presença com The Dead Don’t Speak, Riding Reaper, At The Mortuary, Slow Dance In A Crypt e Fallen Angel, o que provou a força o álbum, visto que a galera interagiu e cantou junto na performance das cincos faixas.

Além da presença de palco inebriante de Johanna, que graças a Deus – ou Lucifer, se preferir – não lança mão de estrelismo e gritos histéricos à la divas pop, o conjunto tem na figura da baixista Claudia González Díaz um chamariz impecável. A moça consegue reunir presença de palco para lá de energética, técnica apurada e vocal de apoio afiado.

Além do mais, a sinergia entre Sadonis e Diaz impressiona, deixa o clima da apresentação leve e remete as dobradinhas históricas do rock n’ roll.

California Son, hit que já passou das quinhentas mil visualizações no YouTube e fez a banda se tornar querida na cena roqueira, recebeu aprovação imediata da galera e o coro de dezenas de vozes. O cover de Goin’ Blind, do KISS, foi o penúltimo ato da noite. Ela fez os fãs lembrarem com carinho a finada banda mais quente do mundo.

O culto do Lucifer no Rio de Janeiro chegou ao fim em alta tensão com a intensa e já citada Fallen Angel. Em cerca de noventa minutos de som, Johanna Sadonis e seus anjos caídos provaram que têm muita estamina para figurar no alto escalão do rock mundial. Que o retorno em nossa “abençoada” cidade seja em breve, porque o gosto de quero mais já se apresentou desde o último acorde da noite.

Foto: Livia Teles / RockBizz



Via: RockBizz