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Venom fala sobre novo álbum e segredo da longevidade: “Amizade e respeito mútuo”

3 horas ago


Venom. Crédito: Divulgação

A lendária banda Venom retorna ao centro das atenções com Into Oblivion, seu novo álbum de estúdio, com lançamento marcado para dia 1º de maio. O disco marca o primeiro material inédito da banda desde 2018 e traz a formação consolidada com Cronos (baixo/vocal e membro fundador), Rage (guitarra) e Dante (bateria). Com 13 faixas, o trabalho mantém a identidade sombria e agressiva que consolidou o grupo como um dos pilares do metal extremo.

Para celebrar o lançamento de Into Oblivion, o Venom realizará diversas audições do álbum ao redor do mundo, inclusive no Brasil, em São Paulo, no The Metal Bar. O evento será na véspera do lançamento, quinta-feira, 30 de abril, a partir das 18h com entrada gratuita. Os fãs receberão brindes e a chance de ganhar discos de vinil test pressings autografados em cada evento.

Em entrevista ao Wikimetal, o guitarrista Danny Needham, conhecido como Dante, falou sobre o novo disco e o trabalho de 17 anos ao lado da figura icônica Cronos. O músico também revelou a responsabilidade em manter o legado da banda e elogiou os fãs brasileiros.

Wikimetal: O hiato de 8 anos entre álbuns é o maior da carreira do Venom. Esse tempo foi uma escolha consciente para maturar as composições ou o mundo exterior e a pandemia forçaram essa espera?

Danny “Dante” Needham: Sim, isso representou um problema, obviamente no início, porque foi quando começamos a compor o álbum e então, aconteceu a pandemia. Entramos em confinamento, não podíamos fazer o que costumamos fazer, como ir para o nosso estúdio e começar a compor juntos. Tivemos que fazer cada um por conta própria, o que, quer dizer, deu ao Cronos e ao Rage a chance de melhorar seus estúdios caseiros, o que eles fizeram nesse período. E eles estavam compondo mais sozinhos. Mas foi ótimo. Não foi nada demais, foi muito bom. Eles estavam desenvolvendo suas próprias ideias. Mas as músicas não tinham aquela faísca que temos quando compomos juntos, quando trocamos ideias, é quando nossa pequena mágica acontece. Esse foi o primeiro inconveniente.

E então, tivemos alguns problemas técnicos no estúdio, quando eu já tinha terminado de gravar os álbuns, todas as partes de bateria e tudo mais. Os caras estavam começando a gravar o baixo e a guitarra, e estávamos ouvindo algumas das músicas depois. Percebemos que havia um problema. Era como um ruído estático, e localizamos a origem. Basicamente, era o microfone que estava com defeito e não percebemos na hora da gravação, só quando estávamos ouvindo depois. Isso significou que tive que gravar tudo de novo, o que atrasou um pouco o lançamento. Mas, olhando para trás, o álbum ficou melhor, porque acho que a segunda gravação ficou melhor e dedicamos um pouco mais de tempo a algumas músicas, deixando-as mais épicas, digamos assim. 

WK: O novo disco Into Oblivion traz os elementos clássicos do Venom ao mesmo tempo que tem elementos modernos. A banda disse no press release que este álbum soa “diferente, mas familiar”. Como foi ser diferente, mantendo a mesma fórmula de décadas?

DD: Ainda tem aquela vibe old school. Ainda é cru. Não é… sabe, os álbuns do Venom nunca são limpos e superproduzidos, porque não é essa a essência do Venom. Tem que ter aquele som pesado, agressivo, e este álbum tem. Mas a produção é ótima. Acho que este álbum e as músicas, com tudo o que fizemos, representam… Todos nós ultrapassamos limites e nos impulsionamos mutuamente.

Acho que todos nós estamos buscando o melhor álbum possível, e acho que conseguimos isso com Into Oblivion. Temos músicas que são um pouco mais blues, industrial, como “Dogs of War” e coisas assim. Tem até poesia. A terceira música, “Nevermore”, é basicamente o poema de Edgar Allan Poe, que o Cronos está recitando, mas do jeito dele. Então, é bem interessante. Mas ainda é muito Venom porque está sob a cozinha do Venom. Todas as músicas deste álbum estão sob essa cozinha. Não importa o estilo, a reviravolta que tome, sempre vai soar como nós, porque estamos juntos há muito tempo.

WK: Como é trabalhar ao lado de uma figura tão icônica como Cronos? Existe espaço para novas ideias ou ele mantém uma visão mais tradicional do Venom?

DD: Bem, é ótimo trabalhar com o Cronos. É verdade. Quer dizer, esta é a formação mais duradoura da banda em toda a sua história. 17 anos. Então, nós nos damos muito bem, nós três. Somos muito amigos. Moramos perto um do outro e temos a sorte de ter nosso próprio estúdio, onde ensaiamos, nos reunimos e conversamos sobre negócios, ideias e planos para futuros shows, turnês, álbuns e tudo mais. E também o usamos para gravar. Passamos muito tempo juntos. É ótimo, ele nos deixa… nós imprimimos nossa própria marca no que fazemos. Mesmo nas músicas mais antigas, quando fazemos um show, obviamente tentamos… temos respeito pelas formações anteriores e tudo mais. Mas  podemos dar o nosso toque pessoal. Não vamos simplesmente copiar os outros.

WK: Está é a formação mais estável e longeva do Venom. Qual é o segredo para manter o espírito de “Power Trio” vivo por 17 anos sem que a banda se torne uma caricatura do passado?

DD: Ah, essa é uma boa pergunta. É como eu penso… Acho que é a amizade e o respeito mútuo que temos uns pelos outros, e simplesmente adoramos nos reunir e tocar, é divertido. Nós éramos… Não somos mais crianças, mas… É como ser criança quando nos reunimos para tocar. Entende o que quero dizer? É como se nunca nos abandonássemos. E quando isso acontece, não é mais divertido, aí é hora de seguir em frente e fazer outra coisa ou desistir. Mas esse dia nunca chegou. É uma verdadeira honra, é uma emoção tocar com esses caras. É ótimo.

WK: Você faz parte de uma banda lendária, com uma sonoridade já pré-estabelecida. Vocês sentem alguma responsabilidade em manter o legado da banda?

DD: Acho que nós temos essa responsabilidade com este álbum. Acho que este é o quarto álbum em que estive envolvido e, para mim, e não estou dizendo isso só porque todo mundo diz que quando lança um novo álbum, é o melhor, mas acho que este foi o mais prazeroso de fazer e estou muito feliz com o resultado final. O som, as músicas, a composição. Acho que foi… Elevamos o nível do que tínhamos feito antes, que, sabe, eram ótimos, brilhantes. Estou muito feliz e mal posso esperar pelo lançamento, que é nesta sexta-feira.

WK: A Noise Records e a BMG estão caprichando no visual deste lançamento. Para vocês, a arte física como vinil, encartes, CDs ainda é fundamental para a experiência de ouvir um disco de metal?

DD: Sim, com certeza. Obviamente, hoje em dia, neste novo mundo em que vivemos, com a garotada entrando em tudo, é streaming de música… Eles assinam qualquer plataforma em que ouvem música, seja no YouTube, Amazon Music ou qualquer outra. Mas não, os álbuns físicos, os discos, os CDs, as fitas ainda são importantes. É ótimo ver os fãs mais jovens curtindo essas coisas e comprando os álbuns.

Se você olhar para trás, 10, 20 anos atrás, você nunca imaginaria que os jovens comprariam vinil novamente. E aí, quando começaram a comprar fitas cassete, foi tipo, nossa, eu nunca pensei que as fitas cassete voltariam a aparecer na história. Mas eu estava enganado, elas voltaram e é ótimo ver isso porque era o que eu colecionava quando era criança, discos e fitas cassete. E foi assim que aprendi as músicas, nada desse negócio de YouTube, onde você pode analisar o jeito que as pessoas tocam e os vídeos ficam populares. Não, você tinha que aprender do jeito difícil. E era divertido. 

WK: Há uma listening party oficial do disco marcada para São Paulo, no The Metal Bar. O feedback do público brasileiro influencia no ânimo da banda para continuar na estrada?

DD: Claro que sim. É ótimo ouvir isso. Tem várias festas de lançamento acontecendo nesta quinta-feira e, obviamente, a de São Paulo, no Brasil, é uma delas. Tem uma em Nova York, uma em Londres, uma na Espanha, na Alemanha, na Itália… Em todo lugar. Então, é ótimo saber que isso está acontecendo. Preciso dizer que a BMG, a gravadora com a qual estamos agora, torna este novo álbum muito especial, principalmente porque é o nosso primeiro álbum com a nova gravadora.

Isso também contribuiu um pouco para o tempo decorrido desde o último álbum. Entende o que quero dizer? Porque entre o último álbum e este, mudamos de gravadora. Então, isso levou um tempinho. E eles têm sido absolutamente incríveis na promoção deste álbum, criando agendas de entrevistas como esta. Fizemos muitas, muitas delas nos últimos dois meses. E aqui estamos, na última semana, faltam poucos dias para o lançamento.

WK: O metal brasileiro como Sepultura, Sarcófago, bebeu muito da fonte do Venom. Vocês costumam ouvir algo do metal extremo produzido aqui ultimamente?

DD: Não muitas, mas ouvi algumas. O que ouvi é ótimo. Na verdade, toquei com alguns músicos brasileiros há muito tempo antes de entrar no Venom. Fiz alguns shows no Brasil e três ou quatro membros da banda eram brasileiros. Eles estavam em turnê com a gente na época. E a banda com a qual eu estava então era absolutamente brilhante, pude ir a São Paulo, Rio e Brasília. Foi ótimo. 

WK: O Brasil sempre teve os fãs mais fiéis do Venom. Existe planos de trazer a nova turnê para cá?
DD: Bem, adoraríamos muito. Eu pegaria um avião e iria tocar amanhã mesmo, todos nós adoraríamos. Nós costumávamos ir para a América do Sul a cada dois anos. Então, provavelmente só iremos começar a turnê lá para junho, considerando o que está acontecendo no mundo, com um certo país um pouco mais ao norte, no Oriente Médio, a situação está um pouco instável em algumas áreas, mas vamos ver.

Vamos torcer para que as coisas se acalmem e possamos ir para o Brasil e fazer alguns shows incríveis. Porque eu adoro o país. Minha primeira turnê com o Venom, em 2009, foi por toda a América do Sul e o último show foi em São Paulo e foi muito especial. Adorei. Victoria Hall [em São Caetano do Sul], acho que era o nome da casa de shows. Tenho certeza de que era esse o nome pouco antes do Natal de 2009. Faz muito tempo. 17 anos atrás.

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Via: WikiMetal