No dia 02 de maio de 2006, TOOL lançou na América do Norte seu quarto álbum de estúdio, 10,000 Days. Com a missão de ter um substituto à altura para Lateralus (2001), a banda norte-americana ousou ainda mais e compôs o trabalho mais complexo e emocional de sua carreira.
Com músicas cheias de nuances e de longa duração, o quarteto formado por Maynard James Keenan, Adam Jones, Justin Chancellor e Danny Carey provou que o metal progressivo poderia dominar as paradas musicais sem abrir mão de seu lado místico e enigmático. Ao unir compassos irregulares a uma temática lírica inédita focada principalmente no luto, o álbum desafiou a indústria fonográfica e se consolidou como um sucesso de vendas.
Capa venceu Grammy de “Melhor Projeto Gráfico” em 2007
Jones, que além de guitarrista é designer gráfico, trabalhou novamente em parceria com o visionário artista norte-americano Alex Grey para criar a arte do disco. A embalagem original em CD se destaca por sua imersão e traz óculos 3D embutidos no encarte, feitos para a visualização de uma série de imagens em seu interior. Com as lentes, a capa ganha uma sensação de profundidade surreal, o que rendeu à banda o Grammy de “Melhor Projeto Gráfico” em 2007.
Musicalmente, o disco soa como se estivéssemos prestes a resolver um complexo cálculo matemático usando integrais e derivadas. Nele, o baterista Danny Carey elevou o conceito de polirritmia a outro patamar; usando pads eletrônicos e percussões, ele criou camadas rítmicas que parecem impossíveis para apenas um ser humano executar. Faixas como “Rosetta Stoned” e “Jambi” tornaram-se objetos de estudo para músicos, consolidando Carey como um principais nomes de seu estilo.
No entanto, esses elementos ganham ainda mais corpo com as linhas criadas por Jones e Chancellor. Na guitarra, Jones explorou timbres mais crus e experimentais, como o uso do talk box no solo de “Jambi”, cuja sensação é a de que ele está “falando” através das cordas. Já o baixo de Chancellor se destaca por seu timbre metálico e uso agressivo de efeitos eletrônicos, que guiam a audição em momentos hipnóticos como “The Pot” e na faixa-título.
Disco possui “música” secreta, segundo fãs do TOOL
Mantendo sua natureza enigmática, o TOOL escondeu um dos easter eggs mais curiosos do metal dentro do disco. Fãs descobriram que, ao sincronizar as faixas “Viginti Tres” e “Wings for Marie (Pt 1)” e tocá-las simultaneamente sobre a música “10,000 Days (Wings Pt 2)”, as três se encaixam perfeitamente, criando uma nova composição, o que reforça a tese de que não existem pontas soltas na discografia do grupo.
Apesar de toda a complexidade técnica, o título do álbum carrega uma das camadas mais densas da obra. Por anos, a explicação mais difundida entre os fãs é a de que o número faz referência aos cerca de 27 anos em que Judith Marie, mãe de Maynard, viveu paralisada após sofrer um aneurisma. Seriam exatamente 10.000 dias de provação até o seu falecimento, tema central das faixas “Wings for Marie” e “10,000 Days”. Mas, segundo o vocalista, o título também possui relação com o Retorno de Saturno — que dura aproximadamente 10.759 dias (quase 29 anos), tempo que o planeta leva para completar sua órbita.
Com um impacto profundo, 10,000 Days se tornou o último registro do TOOL por mais de uma década. Em meio ao perfeccionismo, questões legais e projetos paralelos dos integrantes, seu sucessor, Fear Inoculum, foi lançado apenas em 2019, fazendo com que o disco se tornasse cult, sendo revisitado incansavelmente por quem ainda deseja decifrar cada um dos segredos contidos nele. Duas décadas depois, o álbum segue como uma representação de que o metal pode ser, ao mesmo tempo, uma ciência exata e um desabafo doloroso.
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Via: WikiMetal
