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Especial Bangers Open Air 2026: Nevermore renasce no Bangers Open Air e inaugura nova era com vocalista inédito

11 horas ago

A apresentação do Nevermore no Bangers Open Air 2026 não foi apenas mais um show no line-up: foi um marco histórico. Após mais de uma década de hiato e a morte de seu icônico vocalista Warrel Dane em 2017, a banda retornou aos palcos diante de um público brasileiro que, por anos, tratou essa possibilidade como improvável. O que se viu no palco foi mais do que nostalgia — foi a materialização de uma nova fase.

Berzan Önen

Jeff Loomis e Jack Cattoi

Jack Cattoi

Semir Özerkan

O peso simbólico do retorno

Desde os primeiros acordes de “Narcosynthesis”, ficou evidente o caráter quase cerimonial da apresentação. A reunião liderada por Jeff Loomis e Van Williams representa a retomada de um projeto que esteve praticamente inativo desde 2011 e que ganhou novo fôlego a partir de 2024, quando a banda anunciou oficialmente sua volta com uma formação reformulada.

A atmosfera no Ice Stage misturava incredulidade e entusiasmo. Para muitos presentes, tratava-se da primeira — e possivelmente única — oportunidade de testemunhar o Nevermore ao vivo em sua “segunda vida”.

Berzan Önen e Van Williams


Berzan Önen: a missão mais delicada do metal

 

O centro das atenções, naturalmente, foi o novo vocalista Berzan Önen. Responsável por assumir o posto deixado por Warrel Dane — uma das vozes mais características do metal moderno —, Önen encarou o desafio com uma abordagem que evitou a imitação direta.

Sua performance foi descrita como “honesta” e tecnicamente segura, conseguindo sustentar a dramaticidade e o alcance exigidos pelo repertório sem cair na caricatura . Em vez de tentar substituir Dane, o vocalista optou por reinterpretar o material com identidade própria, mantendo o peso emocional das composições.

Em faixas como “Beyond Within” e “The River Dragon Has Come”, ficou evidente sua capacidade de transitar entre agressividade e introspecção — elementos essenciais na estética da banda.

Fidelidade ao legado com nova energia

Musicalmente, o Nevermore apostou em um repertório focado em sua fase mais celebrada, especialmente o álbum Dead Heart in a Dead World. A execução manteve a complexidade técnica característica do grupo, com riffs intrincados, mudanças de tempo e uma parede sonora densa sustentada pelas guitarras.

Jack Catoi e Semir Özerkan

A nova formação — que inclui nomes como Jack Cattoi e Semir Özerkan — demonstrou coesão e respeito absoluto ao material original, equilibrando precisão técnica e energia de recomeço.

Apesar da curta duração do set, cerca de 45 minutos, o impacto foi imediato. A apresentação funcionou como um “rolo compressor”, priorizando faixas mais rápidas e intensas, deixando de lado momentos mais melódicos para manter o público em constante estado de excitação .

O show também evidenciou uma escolha estética clara: evitar excessos de produção e focar na música. Sem grandes recursos visuais ou narrativas nostálgicas explícitas, a banda deixou que o próprio repertório falasse — uma decisão que reforça a ideia de continuidade, não de revival.

A recepção do público foi calorosa, marcada por uma mistura de reverência ao passado e curiosidade pelo futuro. O encerramento com “Born” consolidou essa sensação: o Nevermore não está apenas revisitando sua história — está reescrevendo-a.

Um recomeço legítimo

No Bangers Open Air 2026, o Nevermore provou que sua volta não se trata de um exercício de nostalgia oportunista. A presença de Berzan Önen, longe de ser um ponto de ruptura, funciona como elemento central de renovação.

A banda retorna com identidade preservada, mas consciente de que entrou em um novo capítulo. E, ao que tudo indica, esse capítulo começa com força suficiente para sustentar o legado — sem depender exclusivamente dele.

Fotos: Heitor Mota
Texto: Editorial Sempre um Rock

Set list by SetListFm: Nevermore Setlist