Domingo cedo, o Primal Fear cumpriu o papel estratégico dentro do festival: dar início ao segundo dia com intensidade máxima e reafirmar a força do heavy/power metal tradicional em um line-up diverso. E a missão foi executada com precisão.
Subindo ao palco Hot Stage por volta das 12h50, a banda alemã entregou um show direto, energético e tecnicamente sólido, transformando um horário tradicionalmente desafiador em um dos momentos mais vibrantes da programação.
Energia imediata e repertório estratégico
Desde os primeiros acordes, ficou claro que o grupo apostaria em impacto imediato. O setlist foi construído como uma sequência de “hinos”, combinando faixas recentes da Domination Tour com clássicos que definem sua trajetória. Músicas como “Chainbreaker”, “The End Is Near” e, principalmente, “Nuclear Fire” funcionaram como catalisadores da resposta do público, que rapidamente entrou na dinâmica proposta pela banda.
O momento mais emblemático veio com “Metal Is Forever”, precedido pela tradicional interação com a plateia — um recurso simples, mas altamente eficaz para consolidar a conexão coletiva e reforçar o caráter quase “cerimonial” do power metal ao vivo.

Ralf Scheepers: consistência e domínio vocal
No centro da apresentação, Ralf Scheepers demonstrou por que segue sendo um dos grandes vocalistas do gênero. Sua performance foi marcada por agudos firmes, sustain consistente e controle técnico mesmo sob condições adversas, como o calor intenso do início da tarde paulistana.
Mais do que técnica, Scheepers atuou como condutor do espetáculo, estabelecendo comunicação constante com o público e mantendo o ritmo do show sem oscilações — um fator crucial em apresentações de festival, onde o tempo é limitado e a eficiência é determinante.

Thalia Bellazecca: o novo eixo de atenção
Se a consistência vocal foi um pilar, o grande destaque visual e técnico da apresentação foi a guitarrista Thalia Bellazecca. Recém-integrada à banda, ela assumiu protagonismo imediato, tanto pela execução precisa quanto pela presença de palco.
Seus solos, limpos e articulados, trouxeram uma leitura moderna ao som do Primal Fear, enquanto sua interação constante com o público criou um ponto de conexão adicional. A recepção foi imediata — Bellazecca rapidamente se tornou um dos nomes mais comentados do festival, evidenciando não apenas sua habilidade técnica, mas também seu impacto simbólico dentro do cenário.
O show do Primal Fear cumpriu com eficiência aquilo que se espera de uma banda nesse contexto: aquecer o público, estabelecer o tom do dia e entregar um espetáculo sem falhas estruturais. A combinação de repertório assertivo, execução técnica e energia constante resultou em uma apresentação coesa e envolvente.
No Bangers Open Air 2026, o Primal Fear não apenas abriu o palco — estabeleceu um padrão. Um lembrete claro de que, mesmo em um cenário em constante transformação, o heavy metal clássico segue plenamente capaz de mobilizar, emocionar e, acima de tudo, resistir ao tempo.

Fotos: Heitor Mota
Texto: Editorial Sempre um Rock
Set list by SetListFm: Primal Fear Setlist
