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Especial Bangers Open Air 2026: Arch Enemy entrega peso e espetáculo, mas esbarra em falhas técnicas no fim do primeiro dia do festival

10 horas ago

São Paulo — A apresentação do Arch Enemy no Bangers Open Air 2026 carregava todos os elementos para ser um dos pontos mais altos do festival: status de headliner, nova formação cercada de expectativa e um repertório consolidado dentro do death metal melódico. O resultado, no entanto, foi uma performance dividida entre a força musical da banda e limitações técnicas que impactaram diretamente a experiência ao vivo.

Escalado para encerrar o primeiro dia no Hot Stage, o grupo assumiu a vaga deixada pelo cancelamento do Twisted Sister e entrou em cena com a promessa explícita de “pure fucking metal”, estampada no pano de fundo do palco — uma declaração que, em termos de entrega e energia, foi cumprida. 

Nova fase e expectativa em torno da formação
A apresentação também marcou um momento de transição importante. Com mudanças recentes na formação, a banda trouxe a vocalista Lauren Hart para assumir um posto historicamente ocupado por nomes como Angela Gossow e Alissa White-Gluz.

Lauren Hart


No palco, Hart demonstrou entrega física e presença, sustentando boa parte da agressividade exigida pelo repertório, ainda que sob forte escrutínio do público. A performance evidenciou um período de adaptação natural para uma banda em reformulação, especialmente em um contexto de grande visibilidade como um festival desse porte. 

O setlist apostou em segurança, revisitando momentos marcantes da discografia, com destaque para faixas como “Ravenous” e “Nemesis”, que garantiram maior resposta do público. 

Daniel Erlandsson

Sharlee D’Angelo

Michael Amott

No entanto, o principal fator que marcou a apresentação foi negativo: problemas de som recorrentes comprometeram a clareza musical. Durante boa parte do show, a mixagem apresentou desequilíbrios significativos, com a bateria de Daniel Erlandsson excessivamente alta e processada, encobrindo guitarras e baixo.

O resultado foi um “bloco sonoro” pouco definido, que dificultou a distinção das linhas melódicas — elemento central na proposta do Arch Enemy. Em diversos momentos, o público parecia reconhecer as músicas apenas nos refrães, evidenciando o impacto direto da falha técnica na experiência coletiva. 

Volume extremo e repercussão além do público

O problema não se restringiu à equalização interna do show. O volume elevado do festival como um todo gerou repercussão externa, com moradores da região relatando níveis de som acima do recomendado, chegando a picos de cerca de 80 decibéis — acima dos limites indicados para o período. 

Curiosamente, esse excesso de volume atingiu um de seus pontos mais críticos justamente durante a apresentação do Arch Enemy, amplificando tanto o impacto físico quanto os problemas de definição sonora. 

Mesmo com as limitações técnicas, o Arch Enemy demonstrou por que ocupa posição de destaque no cenário global. A execução energética, o repertório consistente e o peso característico estiveram presentes — ainda que parcialmente ofuscados.

No contexto do Bangers Open Air 2026, o show deixa uma impressão ambígua: musicalmente potente, mas tecnicamente comprometido. Para uma banda cuja identidade depende da precisão em meio à agressividade, ficou a sensação de que, naquela noite, o som não fez jus ao próprio peso que o grupo carrega.

Michael Amott, Joey Concepcion e Lauren Hart

Fotos: Luiz Hessel
Texto: Editorial Sempre um Rock
Set list by SetListFm: Arch Enemy Bangers 2026