A cantora sul-africana (que começou sua carreira na Austrália, para onde se mudou quando criança) Ecca Vandal está chamando atenção da cena alternativa mundial com o lançamento de LOOKING FOR PEOPLE TO UNFOLLOW, seu segundo álbum de estúdio. O trabalho marca uma nova fase na carreira da artista e aprofunda a mistura de punk, hip-hop, rock alternativo, eletrônica e pop que a tornou uma das vozes mais originais da música contemporânea.
Em comunicado à imprensa, Ecca Vandal disse que o novo disco trata de subtração, de cortar laços com aquilo que drena sua energia e distorce sua visão: “Os sistemas. As tendências. As ilusões de conexão. Eu encontro empoderamento em ser alta e barulhenta, especialmente como mulher neste momento global que cresceu em uma cultura que me dizia que eu não podia ser essas coisas.”
O resultado é uma obra intensa, carregada de personalidade e influências diversas, mostrando a capacidade de Ecca Vandal de desafiar rótulos e convenções. Para quem ainda não conhece seu trabalho, este é o momento ideal para mergulhar em sua discografia.
Álbum mais intimista e “offline”
O conceito de LOOKING FOR PEOPLE TO UNFOLLOW gira em torno da busca por autenticidade em um mundo dominado por distrações e conexões superficiais. As letras abordam temas como identidade, pressão social, autoconhecimento e saúde mental, sempre sob uma perspectiva crítica e contemporânea.
Ao longo das faixas, Ecca Vandal transforma experiências pessoais em reflexões universais, criando um disco que dialoga diretamente com uma geração acostumada a viver conectada o tempo todo. Durante a composição e gravação do disco, a artista ficou completamente offline. “Eu não precisava manter ninguém informado sobre o que estávamos fazendo. Busquei por uma conexão verdadeira e a tentativa de combater a falsa sinceridade do mundo online”, disse Ecca em entrevista ao The Guardian. Essas sessões de gravação a revelaram “no seu momento liricamente mais autêntico de sempre”.
A ideia de Ecca é que os fãs se conectem com o álbum todo. Durante o processo de composição, ela contou ter percebido que “o mundo estava obcecado por trechos de 15 segundos. Para mim, isso era realmente desmotivador. Eu só queria celebrar novamente a música de formato longo.”
Influências que vão do jazz ao punk hardcore
Um dos aspectos mais fascinantes da artista é a variedade de referências presentes em sua música. Antes de ganhar espaço na cena alternativa, Ecca estudou jazz, uma formação que ainda pode ser percebida em sua abordagem vocal e em sua liberdade criativa. A história de Ecca Vandal também ajuda a explicar sua singularidade artística. Nascida na África do Sul, filha de pais do Sri Lanka e criada na Austrália, ela construiu uma identidade musical influenciada por diferentes culturas e experiências. Ao The Guardian, a artista se lembrou de ser sempre a única criança de sua cor na escola. “Era uma busca constante por um lugar onde eu me encaixasse”, confessou ela.
Ao mesmo tempo, seu som incorpora elementos de punk, hip-hop, rock alternativo e música eletrônica. Essa combinação faz com que sua obra agrade tanto fãs de artistas experimentais quanto ouvintes de bandas mais pesadas. Ecca se destaca pela sua capacidade de unir a energia do punk com a fluidez de gêneros tradicionalmente distantes entre si. Em resenhas recentes, veículos como Pitchfork e NME apontaram justamente a versatilidade sonora de LOOKING FOR PEOPLE TO UNFOLLOW como um de seus principais diferenciais.
Shows explosivos que conquistaram o público brasileiro
Além dos discos, Ecca Vandal construiu sua reputação por meio de apresentações ao vivo eletrizantes. Sua performance combina a agressividade do punk, a atitude do rock alternativo e a energia de uma artista acostumada a transformar cada show em uma experiência intensa.
Ao longo da carreira, ela dividiu palco ou excursionou com nomes de peso como Deftones, Queens of the Stone Age, Limp Bizkit, IDLES, Incubus e The Prodigy, e recentemente fez sua estreia no festival Coachella.
Em dezembro de 2025, a cantora também passou pelo Brasil com a LOSERVILLE TOUR, idealizada pelo Limp Bizkit, oportunidade que permitiu ao público brasileiro conhecer de perto a força de sua presença no palco. Pela primeira vez no Brasil, Ecca Vandal trouxe uma presença de palco contagiante e mostrou afinidade com o metal nacional ao usar uma camiseta do Sepultura (estampando a icônica capa do Roots) e dizendo que adora as bandas brasileiras.
No show, Ecca Vandal apresentou sua voz poderosa que tem grooves inesperados, muitas vezes carregadas de atitude política e pessoal. A plateia já esperava sons mais pesados e agressivos, mas foi surpreendida com o visual e atitude da artista.
Em uma época em que muitos músicos buscam se encaixar em tendências, Ecca Vandal segue o caminho oposto. Seu novo álbum tem justamente essa postura. Em vez de reproduzir fórmulas de sucesso, a cantora aposta na experimentação e na liberdade criativa.
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Via: WikiMetal
