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Slipknot: O que aconteceu nos bastidores de ‘Iowa’ há 25 anos

3 horas ago


Capa do álbum 'Iowa' do Slipknot

Lançado em 28 de agosto de 2001, Iowa completa 25 anos como um dos discos mais extremos da carreira do Slipknot. O segundo álbum da banda levou ao limite a sonoridade apresentada no trabalho de estreia e transformou o caos vivido pelos integrantes em música. Se no self-titled a banda entrou na moda do nu-metal com samplers e frases de rap-metal, com Iowa trouxeram uma sonoridade mais death metal, recheada de riff e blast beat.

O sucesso do primeiro disco havia colocado o Slipknot no centro do metal mundial. A pressão, porém, não aproximou os nove integrantes. Pelo contrário, o período que antecedeu Iowa foi marcado por desgaste, excesso de festas, drogas, conflitos internos e problemas pessoais.

Apesar do cenário conturbado, a banda decidiu seguir em frente. O resultado foi Iowa, disco que se tornou um marco na história do Slipknot e é lembrado até hoje pela intensidade sonora e pelo clima sombrio de suas composições.

Slipknot quase chegou após IOWA

Antes de lançar Iowa, o Slipknot esteve próximo de chegar ao fim. O produtor Ross Robinson, responsável pelo álbum, contou que a banda enfrentava uma crise interna quando iniciou o processo de gravação. Em uma entrevista inédita para a Metal Hammer, em setembro passado, Robinson disse que os integrantes já falavam abertamente sobre uma separação. Na época, alguns já dedicavam parte do tempo a projetos paralelos, como o Stone Sourde Corey Taylor.

“Recebi uma reclamação doPaul [Gray, baixista] ou talvez do Joey [Jordison, baterista] em algum momento antes de gravarmos, dizendo algo como: ‘A gente não está se entendendo. Vamos nos separar. Então, fui até eles. O Corey [Taylor, vocalista] me levou para conhecer algumas coisas do Stone Sour. Foi tipo: ‘Hum, isso é legal… mas não é Slipknot”, relembrou ele.

Robinson explicou que o sucesso explosivo do álbum de estreia, lançado em 1999, mudou completamente a rotina dos músicos. A fama, a pressão da indústria e as mudanças na vida pessoal criaram um ambiente de tensão entre os integrantes.

Em entrevista à Louder, Corey Taylor detalhou como estava o clima da banda na época do álbum: “Quase morremos. Foi nessa época que começamos a beber e usar drogas. Eu bebia como um peixe. Foi horrível, uma época assustadora para estar no Slipknot, porque ignorávamos para nada, e não no bom sentido. Não nos importávamos se as pessoas nos odiavam ou nos amavam. Estávamos cansados ​​e nos odiávamos. Ninguém estava feliz; todos apontavam o dedo uns para os outros. Algumas pessoas começaram a ficar um pouco egocêntricas, e isso era realmente assustador. Eu achei que tinha acabado. Achei que o Iowa seria o último álbum. Para ser honesto, já tínhamos conversado sobre isso. Tínhamos conversado sobre fazer um álbum só e mandar todo mundo se foder, porque isso teria sido puro demais.”

O processo de gravação conturbado

As sessões aconteceram em Los Angeles, no Sound City Studios, e deram origem a faixas como “People = Shit”, “Left Behind” e “Iowa”. A tensão fazia parte do processo. Corey Taylor já descreveu aquele período como um dos momentos mais sombrios de sua vida.

A faixa-título, “Iowa”, encerra o álbum com duração de 15 minutos, em um dos momentos mais perturbadores da carreira do Slipknot. Com uma atmosfera sufocante e tensão crescente, a música exigia de Corey Taylor uma entrega vocal à altura de sua intensidade. O vocalista, porém, teve dificuldade para encontrar o estado emocional necessário. A situação mudou durante as orientações do produtor Ross Robinson, que o levou a explorar sentimentos mais extremos e experiências pessoais para alcançar a interpretação que a música exigia.

Durante a gravação da faixa-título, o vocalista chegou a se machucar de propósito e provocar vômitos para alcançar o estado emocional que considerava necessário para a performance. “Ele me disse: ‘Quero que você vá a algum lugar onde tenha medo de ir. Algo a que nunca se permitiu antes’. Então eu me despi, fui para a grande sala do Sound City Studios e fiz aquela música em duas tomadas”, revelou Corey [via Far Out Magazine].

A produção também não foi convencional. Robinson pressionava os músicos para buscar performances mais viscerais. Em 2009, Shawn Crahan disse à Rocksound sobre o clima da gravação na época: “Gravar Iowa foi um inferno. Eu queria me matar. Tinha drogas, mulheres, rock ‘n’ roll, toda aquela merda. As pessoas esperavam muito de nós naquela época. ‘People = Shit’ era a nossa maneira de dizer: ‘Vão se foder e nos deixem em paz”.

Outras curiosidades sobre Iowa

Antes de chegar às lojas, Iowa quase recebeu outro nome. O Slipknot chegou a considerar “Nine Men, One Mission” para batizar o segundo álbum, mas acabou escolhendo Iowa, em referência ao estado natal da banda.

A faixa intro “(515)” também nasceu de um momento de forte impacto emocional. Durante as gravações, Sid Wilson recebeu a notícia da morte do avô. Ross Robinson então o levou ao estúdio e registrou sua reação diante da perda. Os gritos de Wilson foram incorporados à faixa e receberam efeitos de distorção e eco, criando a atmosfera perturbadora que inicia o álbum. O título “(515)” faz referência ao código de área de Des Moines, em Iowa, estado natal do Slipknot e elemento recorrente na identidade da banda.

Outro episódio curioso envolve “The Heretic Anthem”. Antes do lançamento do disco, o Slipknot disponibilizou apenas 666 cópias da música, que ainda era chamada de “Heretic Song”. A quantidade fazia referência ao famoso verso “If you’re 555, then I’m 666”.

O álbum também ultrapassou os limites do metal. “My Plague” ganhou uma nova versão para a trilha sonora de Resident Evil, filme de 2002. No mesmo ano, o Slipknot apareceu no cinema interpretando “I Am Hated” no remake de Rollerball.Entre as faixas, “Left Behind” teve um dos maiores impactos comerciais. Escolhida como primeiro single, a música recebeu uma indicação ao Grammy de Melhor Performance de Metal.

O caos também atingiu quem estava atrás da mesa de produção. Ross Robinson sofreu uma fratura na coluna em um acidente de motocross durante as sessões, mas voltou ao estúdio e continuou trabalhando no álbum. A mixagem ficou novamente a cargo de Andy Wallace, que havia trabalhado em Nevermind, do Nirvana, dez anos antes.

Até a capa guarda uma história própria. A cabra fotografada por Shawn “Clown” Crahan recebeu o nome de Eeyore. O animal foi registrado durante o mesmo período de sessões fotográficas relacionado à identidade visual do primeiro disco.

Quando chegou às lojas, Iowa mostrou que uma banda tão extrema também poderia alcançar números expressivos. O álbum consolidou o Slipknot entre os grandes nomes do metal e transformou sua combinação de peso, caos e identidade visual em um fenômeno comercial.

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Via: WikiMetal