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O álbum do Slayer lançado no dia do atentado às Torres Gêmeas de Nova York

2 horas ago


Em 11 de setembro de 2001, Slayer lançou seu nono álbum de estúdio, God Hates Us All. Após o misto sucesso comercial de Diabolus in Musica (1998), que ficou marcado pela experimentação e aproximação com o nu metal, o quarteto decidiu voltar ao thrash metal e resgatar a sua marca registrada: a agressividade. 

Com a maioria das letras escritas pelo guitarrista Kerry King, o trabalho resgatou a característica da banda e entregou faixas que logo se tornaram hits, como”Disciple”. Contudo, o lançamento ficou para sempre marcado na história por uma triste coincidência: os ataques terroristas às Torres Gêmeas, em Nova York.

Devido a isso, o disco — que já tinha um título apocalíptico e letras falando sobre terrorismo, ódio e extremismo religioso — passou a ganhar um ainda mais sombrio e assustadoramente profético para a época. 

Turnê quase cancelada 

Naquele período, o grupo se preparava para sair em turnê pela Europa como a grande atração do festival itinerante Tattoo the Planet, e dividiria os palcos ao lado de nomes como Pantera, Static-X, Biohazard e Vision of Disorder. No entanto, com o espaço aéreo norte-americano fechado e o pânico instaurado após os ataques, e com receio de estarem em voos comerciais, praticamente todas as bandas estadunidenses optaram por abandonar a turnê por questões de segurança. 

Para honrar seus compromissos, o grupo decidiu contrariar os conselhos para evitar viagens comerciais e optou por manter a turnê de pé, na qual foram acompanhados exclusivamente em todos os shows pelo Cradle of Filth

Por outro lado, a turnê ficou marcada pelo fato de o baterista Paul Bostaph ter sofrido uma grave lesão no cotovelo, o que afetou sua habilidade em tocar o instrumento e fez com que ele optasse por deixar a banda, e Dave Lombardo retornasse ao posto posteriormente. 

Arte original censurada 

Inicialmente, o álbum sofreu atrasos devido à censura de sua arte original, que consistia em uma Bíblia cravada com pregos, manchada de sangue e com o logotipo da banda queimado sob a capa. 

Para que o disco pudesse ser vendido em grandes varejistas, a gravadora American Recordings precisou lançá-lo dentro de uma capa de papelão branca (um slipcase) apenas com cruzes douradas e o nome da banda, escondendo a arte real.

“Deus não odeia”

Para muitos, o baixista e vocalista Tom Araya, que é católico praticante, cantar o refrão “Deus odeia a todos nós” seria um desafio dada sua relação com a religião. No entanto, em entrevista feita na época do lançamento do disco, o músico chileno declarou que lidava muito bem com isso, separando sua fé de seu trabalho.

Tom afirmou que sabia que “Deus não odeia ninguém”, mas concordou em usar a frase pois gostou do título e sabia que isso chamaria a devida atenção que a banda queria. “Deus não odeia. Mas o título é bom pra caralho. Acho que vai irritar as pessoas que queremos atingir”, afirmou [transcrição via Sete Oitavas].

Primeira indicação ao Grammy

Embora tenha sido um dos trabalhos mais anti comerciais do Slayer até aquele momento, a fúria de God Hates Us All acabou chamando a atenção da grande indústria musical.

“Disciple” rendeu ao grupo a sua primeira indicação ao Grammy Awards, concorrendo na categoria de Melhor Performance de Metal. Mesmo sem ter vencido o prêmio naquele ano, o reconhecimento consolidou a música de como um dos maiores clássicos modernos do quarteto, tornando-se presença obrigatória nos setlists dos shows até os dias de hoje. 

Fechamento de ciclo com ‘Repentless’

Curiosamente, há um fio condutor que une God Hates Us All e Repentless, décimo segundo e último álbum de estúdio da carreira do grupo, lançado em 2015. Fechando um ciclo, a banda optou por lançar seu disco final propositalmente no dia 11 de setembro, exatos 14 anos após o fatídico lançamento de 2001.

Além dessa sincronia de datas, os dois trabalhos marcam capítulos complementares na trajetória de Paul Bostaph: se God Hates Us All marcou sua saída por lesão, Repentless marcou o seu retorno definitivo, assumindo as baquetas na difícil missão do grupo se reerguer após a trágica morte do guitarrista e fundador Jeff Hanneman, em 2013. 

25 anos após seu lançamento, God Hates Us All se consolidou como um dos discos mais importantes e viscerais de toda a discografia do Slayer. Embora a coincidência com o maior atentado terrorista da história deixe uma impressão sombria até hoje, O disco não apenas resgatou a agressividade característica do quarteto na virada do milênio, bem como reforçou ainda mais seu posto oficial de ser a trilha sonora definitiva para a enfrentar a raiva e o caos do mundo moderno. 

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Via: WikiMetal