Dave Mustaine, guitarrista, vocalista e fundador do Megadeth, lançou em 08 de setembro, In My Darkest Hour, sua aguardado livro de memórias. Na obra, Dave detalha abertamente os bastidores do disco mais conturbado da história recente de seu grupo, The Sick, the Dying… and the Dead! (2022).
O período de gravação do álbum ficou marcado por uma série de situações responsáveis por terem afetado diretamente a dinâmica da banda, são elas: o diagnóstico de câncer de Dave em 2019, a paralisação de shows devido à pandemia de COVID-19 e, por fim, o vazamento de vídeos íntimos do baixista David Ellefson, que acarretaram em sua demissão em 2021.
Em trechos exclusivos do livro publicados pela Rolling Stone Brasil, Dave fala detalhadamente sobre os tópicos em questão e quais foram as soluções tomadas para enfrentar cada um deles.
COVID-19 e falta de turnês
No livro, Mustaine reflete sobre a decisão de manter o Megadeth na ativa durante a crise sanitária, e revelou que a banda criou uma “bolha” de isolamento em uma fazenda estúdio, com medidas rigorosas de higienização, alimentação orgânica e distanciamento social
Nas palavras do baterista Dirk Verbeuren, a logística foi desafiadora [transcrição via Rolling Stone Brasil]: “Dirigi de Los Angeles a Nashville porque estávamos na pandemia e não sabíamos se era seguro voar. O Dave tinha acabado de passar por um tratamento contra o câncer, então, é claro, eu não queria correr riscos de exposição naquela altura.”
Dave Mustaine e demissão de David Ellefson
Apesar das adversidades iniciais, o otimismo parecia reinar na banda antes do escândalo estourar. No livro, Mustaine relata a sensação da época, já com vacinas liberadas à população e a flexibilização gradual de eventos, fazendo com que o grupo começasse a se planejar para voltar aos palcos.
“Na primavera de 2021, parecia que havíamos superado a tempestade. A maior parte do novo álbum, provisoriamente intitulado The Sick, the Dying… and the Dead!, já estava concluída. Ainda estávamos fazendo pequenos ajustes e nos preparando para intensificar o cronograma de promoção e marketing. Enquanto isso, o mundo começava a emergir da névoa da COVID. As vacinas estavam disponíveis e as restrições a aglomerações estavam sendo flexibilizadas”, falou.
“As pessoas estavam retomando suas vidas pela primeira vez em mais de um ano. Estávamos todos empolgados para entregar aos fãs o primeiro álbum do Megadeth em cinco anos! E, mais tarde naquele mesmo ano, sair em turnê para promovê-lo. Tínhamos sobrevivido à minha batalha contra o câncer. Tínhamos sobrevivido à pandemia. Eu sabia que tínhamos um bom álbum praticamente pronto. Eu sentia isso até a medula”, seguiu.
No entanto, conforme Dave diz na obra: “o que mais poderia dar errado?”. Em 10 de maio de 2021, vazam vídeos íntimos do baixista David Ellefson se masturbando, bem como surgem especulações de que ele estaria mantendo relações com uma jovem menor de idade.
“Fiquei sabendo do escândalo da mesma forma que todo mundo: vi na internet”, relata Mustaine. Segundo o vocalista, o vazamento foi a gota d’água para uma relação que já estava profundamente desgastada. “A confiança [havia sido] destruída (pelo menos para mim) pelo processo judicial movido por David em 2004… Quando aqueles vídeos constrangedores surgiram na internet, minha relação com David — e a relação de David com o Megadeth — já havia começado a se deteriorar”, desabafou.
Dave complementa: “Quando mais detalhes vieram à tona, a história rapidamente viralizou. Era impossível separar fato de ficção, verdade de fantasia, enquanto a internet explodia de uma maneira tipicamente histriônica. Mas uma coisa estava clara: aquele era, sem dúvida, David Ellefson, o baixista do Megadeth, nos vídeos”.
Mustaine sugere ainda que Ellefson estava impaciente com os atrasos gerados por seu tratamento e chega a admitir que o processo custou muito dinheiro a todos os envolvidos da banda. “Em alguns dias, eu tinha muito a oferecer naquelas sessões; em outros, estava cansado e doente demais para contribuir com quase nada. Enquanto todos os outros pareciam ser compreensivos e solidários, David, às vezes, não era. Mas é nos momentos mais sombrios que o caráter de uma pessoa é revelado”, escreveu.
Auxilio de Steve DiGiorgio nas gravações de ‘The Sick, the Dying… and the Dead!‘
Em 24 de maio, David Ellefson era demitido da banda que, em sua visão, ajudou a criar, mas que para Dave, a história é diferente e o considera o ex-colega apenas como “membro original”, uma vez que ele criou o Megadeth e convidou David para entrar.
“Em poucos dias, comunicamos ao David que ele deixaria a banda. Então, em 24 de maio, divulguei um comunicado oficial pela página da banda no Facebook. Tentei ser o mais simples e direto possível, pois já havia danos suficientes:Informamos aos nossos fãs que David Ellefson não toca mais com o Megadeth e que estamos oficialmente encerrando nossa parceria com ele”, contou.
De modo a evitar distrações no lançamento, o grupo tomou a drástica decisão de apagar todas as linhas de baixo já gravadas por Ellefson no novo disco e regravá-las do zero. O escolhido para a tarefa foi foi Steve DiGiorgio, do Testament.
“Não tenho certeza se outra pessoa teria conseguido fazer o que Steve fez, dadas as circunstâncias. Pedimos a Steve que aprendesse mais de uma dúzia de faixas que ele nunca tinha ouvido antes — e que fizesse isso praticamente da noite para o dia —, assumindo o lugar de alguém cuja saída fora acelerada por um escândalo. Entrei em contato com ele e expliquei que tínhamos um incêndio para apagar e precisávamos de sua ajuda”, explicou
“Mas deixei claro, desde o início, que aquele era um trabalho de curto prazo. Sem turnês, sem vaga permanente na formação do Megadeth. Eu não queria que ninguém pensasse que estava tentando tirá-lo do Testament. Embora eu não conhecesse o Steve pessoalmente, eu era amigo de outros integrantes da banda e jamais faria algo para prejudicá-los. Todo o acordo foi totalmente transparente”, seguiu.
“Felizmente, Steve tinha uma pequena brecha na agenda e aceitou o trabalho. Surpreendentemente, ele aprendeu e regravou todas as linhas de baixo em cerca de duas semanas”, finalizou Dave Mustaine.
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Via: WikiMetal
