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Helloween celebra seus 40 anos com show lotado em Porto Alegre e prova que a nova tour não é museu ambulante

2 horas ago


A banda alemã Helloween teve um novo capítulo em Porto Alegre, e já são quase uma dezena de shows pela cidade e o público nunca decepciona. Ficando fora da rota de muitos shows, o público gaúcho lotou a KTO Arena e mostrou que a cidade tem capacidade e público para ser mais envolvida nas turnês internacionais que passam pelo Brasil.

Entre as tantas passagens pela cidade, a de 31 de outubro de 2017 entrou definitivamente para a história do Helloween. Naquela noite de Halloween, a cidade recebeu a Pumpkins United World Tour, responsável por colocar juntos Michael Kiske (vocal), Kai Hansen (guitarra e vocal), Andi Deris (vocal), Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo), Sascha Gerstner (guitarra) e Dani Löble (bateria).

Foi a primeira vez que Kiske cantou com o Helloween desde sua saída em 1993, enquanto Hansen retornava como integrante daquela formação ampliada décadas depois de sua saída. O resultado foi um daqueles shows que ficam na memória de quem estava presente.

Agora, no ano de 2026, a nostalgia deixou de ser o espetáculo e passou a ser parte dele. O Helloween poderia facilmente transformar uma turnê de 40 anos em uma espécie de museu ambulante, mas não fez isso, a banda apresentou uma celebração de todas as suas fases.

A abertura veio com March of Time, seguida por The King for a 1000 Years e Future World. Pouco depois, This Is Tokyo, We Burn, Ride the Sky e Into the Sun mostraram que o repertório não estava interessado em ficar preso a uma única era.

As presenças de Deris, Kiske e Hansen são fundamentais para entender por que o Helloween atual funciona tão bem, essa não é simplesmente a banda que recuperou seus antigos integrantes. É uma banda que manteve aqueles que chegaram depois.

Andi não precisou desaparecer para Kiske voltar, Kiske não precisou substituir Andi, Kai não precisou apagar Weikath, que tampouco precisou fingir que os anos anteriores nunca existiram. Diferente do que aconteceu em outras reuniões na história, o Helloween encontrou uma solução muito mais interessante: todos passaram a fazer parte da mesma história.

Quando Kai Hansen saiu do Helloween em 1989, seguiu seu caminho com o Gamma Ray. Quando Michael Kiske deixou o grupo em 1993, a sua relação com antigos companheiros ficou marcada por anos de distanciamento. O retorno de cantor, inclusive, parecia particularmente improvável durante muito tempo.

Em 2017, entretanto, aconteceu algo que muitos fãs já tinham praticamente desistido de esperar. Foi assim que surgiu a formação de sete integrantes que tornou possível algo quase inimaginável: dois vocalistas principais e três guitarristas convivendo na mesma banda.

E talvez seja por isso que o projeto tenha funcionado tão bem. O Helloween não tentou decidir qual era a “verdadeira” banda. Ele aceitou que todas as versões eram verdadeiras.

A banda de Kai Hansen, a banda de Michael Kiske, a banda de Andi Deris, a banda que existiu entre uma formação e outra. Tudo isso é Helloween! E isso apareceu no palco em Porto Alegre; essa filosofia ficou evidente no repertório.

Voltando ao show, é preciso destacar o grande trabalho visual da banda. Um palco muito bem montado, telões de altíssima qualidade, animações para cada música e as introduções do Keeper no telão foram sensacionais. A voz à la Palpatine, de Star Wars, ressoava pelo público e convidava para algumas faixas, como The King of 1000 years, Ride the Sky e Halloween.

Teve ainda um momento de recuperar a energia, mas cantar alto com versão acústica de Let It Be, dos Beatles, que abriu espaço para In the Middle of a Heartbeat e A Tale That Wasn’t Right. Depois disso, o grupo voltou a acelerar. A Little Is a Little Too Much, Heavy Metal (Is the Law) e Halloween encerraram a parte principal como uma espécie de resumo de quatro décadas de carreira.

Mas ainda faltava o bis, o qual resumiu toda a ideia da banda, visto que poucas sequências poderiam representá-la melhor atualmente. Primeiro, Eagle Fly Free com Kiske comandando o vocal sozinho. É impossível ouvir os primeiros versos sem lembrar imediatamente de Keeper of the Seven Keys Part II e da importância que o cantor teve na formação da identidade vocal da banda.

Depois veio Power com Deris fazendo as honras das linhas vocais. Uma das faixas mais populares do grupo desde a troca de vocalistas e que sempre empolga os fãs. Após este ato, Dr. Stein e Keeper of the Seven Keys (apenas refrão) tiveram a dupla dividindo as vozes.

É difícil imaginar uma imagem melhor para explicar o Helloween de 2026. É aqui que o Helloween deixa de ser apenas uma banda comemorando 40 anos e passa a representar algo maior dentro do heavy metal.

Em 2017, a cidade recebeu o sonho da Pumpkins United: Kiske, Hansen, Deris, Weikath, Grosskopf, Gerstner e Löble juntos em uma mesma apresentação. E talvez seja exatamente isso que os fãs de outras bandas gostariam de experimentar um dia, pois, no fim das contas, ninguém compra ingresso para assistir egos. O fã compra ingresso para assistir à história.

E em Porto Alegre, na noite de 16 de setembro de 2026, o Helloween mostrou que algumas histórias ficam muito melhores quando seus protagonistas finalmente entendem que não precisam mais estar separados. “Happy, happy Helloween”.



Via: RockBizz