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A real história por trás do caótico show do Iron Maiden no Chile

2 horas ago


Em 29 de agosto de 1996, o Iron Maiden fazia um dos shows mais hostis de sua história durante a passagem da turnê The X Factour pelo Teatro Monumental, em Santiago, no Chile.

Na ocasião, a Donzela de Ferro dava início à fase mais conturbada de sua carreira. Ao mesmo tempo em que enfim estreava no país, a formação não era a desejada por muitos fãs, uma vez que o grupo passou a contar com Blaze Bayley nos vocais logo após a conturbada saída de Bruce Dickinson em 1993.

Por conta disso, a apresentação carregava uma enorme tensão física e política, resultando em um ataque de cuspes que, por décadas, o público acreditou ter sido direcionado ao até então novo vocalista do grupo britânico, o que fez o baixista Steve Harris perder a cabeça, ameaçar parar o show e até mesmo chamar um fã para brigar. 

Iron Maiden e o banimento por satanismo do Chile em 1992 

Contudo, para entender o real motivo da hostilidade do show, é necessário voltar quatro anos no tempo. Em julho de 1992, o Iron Maiden deveria ter feito sua aguardada estreia em terras chilenas com a Fear of The Dark World Tour, no entanto, o show nunca aconteceu.

Neste período, o Chile ainda vivia uma forte transição política com o fim do regime ditatorial de Augusto Pinochet, encerrado dois anos antes, e cujos setores conservadores do país ainda exerciam enorme influência. 

Com isso, a Igreja Católica montou uma campanha para pressionar o governo chileno, na qual acusou o grupo de promover o satanismo, o ocultismo e de ser uma péssima influência moral para a juventude. Em meio ao grande apoio popular, a estratégia surtiu efeito e a apresentação foi oficialmente banida do país. 

Ataque de Cuspe em Blaze Bayley 

Quando o grupo finalmente conseguiu pisar no Chile quatro anos após o cancelamento, a ansiedade acumulada dos fãs havia se transformado em uma bomba relógio para as cerca de 6 mil pessoas presentes no Teatro Monumental. 

A banda de abertura, o grupo espanhol de rock Héroes del Silencio, foi hostilizada pelo público e precisou reduzir seu setlist, com relatos de que o vocalista Enrique Bunbury chegou a deixar o palco machucado.

Em meio a esse clima já explosivo, o Iron Maiden dava início a seu show. No entanto, o que deveria ser uma celebração ao fato de enfim poderem se apresentar no país  ficou a poucos passos de acabar se tornando uma tragédia. 

Parte do público presente na grade começou a arremessar objetos e a cuspir incessantemente em direção ao palco, irritando completamente Steve Harris. Ao fim de “The Trooper”, o baixista paralisou o show, apontou o dedo para a primeira fila, disparou diversos xingamentos e ameaçou descer do palco para brigar com os agressores caso a atitude não parasse. 

Blaze não era o alvo 

Por muitos anos, todos os fãs da banda pensavam que os ataques de cuspe tinham como alvo o próprio Blaze, em um ato direcionado devido a sua escolha como substituto de Bruce Dickinson. No entanto, três décadas depois, Blaze revelou que o alvo jamais havia sido ele, mas sim o guitarrista Dave Murray

Em entrevista ao canal Metal OBS, Blaze comentou sobre o documentário oficial de 50 anos da banda, Iron Maiden: Burning Ambition, e afirmou que a obra não deu o contexto real do incidente. Segundo ele, Steve não se irritou para defendê-lo, mas sim para proteger Dave Murray, verdadeiro alvo do ataque.

“Claro que não é bom perder a cabeça. Isso não é bom, mas eles erraram no filme. O que aconteceu foi que não estavam cuspindo em mim e no Steve. Estavam cuspindo no Dave Murray. “E também não há contexto nenhum sobre isso, porque foi isto que realmente aconteceu.”, explicou Blaze [transcrição via Igor Miranda]. 

“Aqueles caras no Chile esperaram 20 anos, muitos deles, para ver a banda favorita deles. Eles esperaram 20 anos. E então eram 20 mil pessoas e seis delas estavam ali cuspindo no Dave Murray. Ele não conseguiu ir para a frente do palco e fazer o show normal. Quando chegou em ‘The Trooper’, eu tive a chance de parar o show. Não está em nenhum vídeo no YouTube, mas eu disse: ‘tem gente lá em cima que daria o braço direito para estar aqui na grade, e vocês estão cuspindo e insultando […]. Se vocês não pararem de cuspir, eu mesmo vou aí buscar vocês”, complementou. 

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Vitor Melo

Atual repórter do Wikimetal, estudante de Jornalismo e fã de metal, em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Sempre gostou de escrever e encontrou no jornalismo musical a sua vocação. Seus principais ídolos são Steve Harris, Adrian Smith e Ozzy Osbourne. [email protected]



Via: WikiMetal