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Alma e vida renovada: Parasomnia é o melhor álbum do Dream Theater do século

Rock Bizz 2 dias atrás


Se tem uma banda no meio do heavy metal que divide opiniões é o Dream Theater. O maior nome do prog metal de todos os tempos é amado por uma legião de fãs, mas criticado por uma grande parcela de pessoas que torcem o nariz para as suas músicas longas e cheias de nuances e complexidade.

O conjunto norte-americano está na ativa desde o fim dos anos 1980 e lançou alguns dos mais emblemáticos álbuns do metal como Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory (1999) e Images and Words (1992).

Há outros materiais muito bons como Awake (1994), Train of Tought (2003), Octavarium (2005), Six Degrees of Inner Turbulence (2002) e A Dramatic Turn of Events (2011), mas fazia tempo que a banda não soltava um trabalho tão identificado com suas raízes. Para a felicidade dos fãs, Parasomnia chegou ao mercado em 7 de fevereiro deste ano e está agradando bastante os admiradores do grupo.

O álbum temático com oito faixas trata sobre distúrbios do sono e volta a trazer uma faixa composta por Mike Portnoy. Aliás, cabe dizer que o retorno do baterista trouxe a alma do grupo de volta! O DT já tinha tratado distúrbios comportamentais anteriormente em Six Degrees of Inner Turbulence e na faixa Panic Attack, porém, agora, o tema é sobre o sono e dificuldades como insônia, paralisia noturna, ansiedade e sonambulismo.

Parasomnia começa com a instrumental In The Arms Of Morpheus, faixa que vai criando o clima para essa viagem no mundo dos sonhos e pesadelos. Com quase 10 minutos, Night Terror é puro Dream Theater com guitarras pesadas, linhas de teclado marcantes e a bateria de Portnoy dando o tom.

A Broken Man vem na sequência com a mesma pegada e peso de Night Terror, outro acerto dos músicos. Nas duas faixas iniciais, a melodia vocal de LaBrie é excelente, combinando perfeitamente com a proposta da banda, mas é em Dead Asleep que o vocalista tem um dos grandes destaques da carreira.

A faixa é uma das mais longas de Parasomnia e vem quase em clima de ópera narrando a tragédia de um casal que adormece e, ao acordar, o marido encontra a esposa morta. James traz a dramaticidade do caso para as partes vocais. Já no instrumental, os caras – John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), Jordan Rudess (teclado) e Mike Portnoy (bateria) – são irrepreensíveis para criar o clima em sintonia com a melodia vocal.

A trinca inicial de Parasomnia nascem como jovens clássicos e devem estar presentes nos set lists do grupo por muito tempo. Sei que qualquer comparação com Scenes From a Memory beira a heresia, mas é inegável que o DT apresenta aqui qualidade muito similar, além disso, traz uma inspiração criativa que eu ainda não tinha visto neste século 21.

Voltando ao repertório, a rápida Midnight Messiah trata sobre ansiedade, depressão e como o momento de sono pode ser o escape e solução para alguém com dificuldade de se manter alerta e em harmonia com o dia a dia.

Parasomnia tem o seu momento mais calmo com a introdução Are We Dreaming?, que serve de prelúdio para a balada Bend The Clock. A faixa tem uma leveza muito bonita, refrãos que grudam na cabeça, os quais nos levam a cantar juntos enquanto a letra trata da paralisia do sono e a dificuldade de deixar isso para trás.

Para fechar, o Dream Thetaer apresenta uma de suas faixas mais longas de sua longa carreira. Com quase 20 minutos, The Shadow Man incidente trata sobre os monstros de cada um no escuro da noite. Para alguns, o medo vem do bicho papão; para outros, o arrepio na perna vem de alguma assombração. No som, o longo pesadelo é outra amostra do brilhantismo técnico dos músicos.

Se você gosta ou já gostou de Dream Theater, Parasomnia vai agradar em cheio. Se você nunca gostou muito do conjunto, mas reconhece e ouve alguns dos grandes hits como Pull Me Under e Strange Deja Vu, o disco vai agradar os seus ouvidos.

Se você nunca gostou do Dream Theater, dificilmente vai mudar de opinião agora, no entanto, eu diria para dar uma chance e aproveitar este trabalho. Em Parasomnia, o Dream Theater reencontra o seu passado e lança o seu melhor álbum do século.

Track listing de Parasomnia:

01. In The Arms Of Morpheus (5:22)
02. Night Terror (9:55)
03. A Broken Man (8:30)
04. Dead Asleep (11:06)
05. Midnight Messiah (7:58)
06. Are We Dreaming? (1:28)
07. Bend The Clock (7:24)
08. The Shadow Man Incident (19:32)



Via: RockBizz

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