Menu

Crônica de um fã do AC/DC: “Realizar sonhos é bom demais e repeti-los torna tudo ainda mais especial”

3 horas ago


Era 1994. Eu tinha 8 anos e minhas tarefas eram acordar cedo para a escola e buscar sempre algo para fazer nas tardes e nos finais de semana. Como morador de uma cidade no norte do litoral gaúcho, tinha amizades de verão que revia em alguns fins de semana ou feriados, quando visitavam suas casas na cidade.

Naquele ano, o Raimundos lançou seu primeiro álbum e virou uma verdadeira febre entre os adolescentes. As letras provocativas entravam no imaginário juvenil e não faziam o menor sentido para crianças como eu, que acabavam ouvindo as músicas. Anos depois passei a entender o que diziam, mas o que sempre soube é que gostava do som, das guitarras e da bateria.

Foi nessa época que descobri dois álbuns ao vivo que mudariam a minha vida: Alive III, do KISS, e Live, do AC/DC. Foi este segundo que me fez olhar a música como algo diferente de tudo até então. Da abertura até soarem as primeiras notas de Thunderstruck, os riffs de Back in Black, o sino de Hells Bells e o ritmo contagiante de You Shook Me All Night Long e Highway to Hell, ali eu descobria o que era rock’n’roll e como aquilo me acompanharia pelo resto da vida.

Em uma época sem internet e vivendo em uma cidade pequena, ter qualquer notícia ou informação concreta era raridade. Descobri quem foi Bon Scott e que a banda tinha fases diferentes muitos anos depois. O que eu sabia naqueles anos era sobre o álbum Live, que ouvi inúmeras vezes, e que, em 1996, o grupo tocaria no Brasil. O mesmo “amigo de verão” que me apresentou o AC/DC embarcaria em uma excursão para assistir à banda. Eu tinha 10 anos e, nem no sonho mais longínquo, imaginaria estar naquela turnê.

O tempo passou e, no início dos anos 2000, eu já estava completamente imerso no mundo do rock e do metal. Com a chegada da internet discada e a compra de um computador pelo meu irmão, comecei a pesquisar cada vez mais. Passei a ter acesso a revistas como a 89 Rádio Rock, Rock Brigade e Roadie Crew. O interesse só crescia até que comecei a escrever sobre música: cobertura de shows, notícias, entrevistas e reviews de lançamentos. Fui a incontáveis shows, eventos e festas, mas sempre ficava uma dúvida: será que um dia eu poderia vivenciar o AC/DC ao vivo?

Veio então 2009. A turnê Black Ice finalmente chegaria ao Brasil, e eu precisava estar lá. A batalha por ingressos foi árdua: compra por telefone e espera pelo ingresso físico pelos Correios. Depois de garantir a entrada, era hora de voar pela primeira vez – descobrir como comprar passagem, como embarcar, como se comportar. Tudo isso aumentava o frio na barriga de finalmente realizar o maior sonho de um fã de rock n’ roll, mais de 20 anos depois. Quem esteve no Morumbi naquele 27 de novembro jamais vai esquecer: chuva, trovões e um trem passando por cada fã com a energia de uma banda que deixava tudo e mais um pouco no palco. Ao final, vinha a pergunta: quando vou ver isso de novo?

Muita coisa aconteceu com o AC/DC desde então: a morte de Malcolm Young, os problemas vocais de Brian Johnson e a idade avançada de Angus, que já não é mais o mesmo. A esperança de voltar a ver o grupo parecia quase inexistente. O ótimo Power Up, lançado em meio à pandemia, reforçava essa sensação. A alternativa seria, quem sabe, assistir ao show em outro país, como vi alguns amigos fazendo. Mas a paciência foi recompensada: o AC/DC está de volta.

E, dessa vez, não vou ver apenas uma vez. Serão dois shows em São Paulo e um muito especial: AC/DC ao vivo no River Plate, tal qual o último registro ao vivo do grupo.

Realizar sonhos é bom demais – e repeti-los torna tudo ainda mais especial.

Acompanhe aqui no RockBizz como serão meus dias ao lado da banda da minha (e de tantas) vidas.



Via: Rockbizz