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Deftones entrega show catártico para público morno em dia sold-out no Lollapalooza Brasil 

9 horas ago


O primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026 aconteceu na última sexta-feira, 20, e segue neste final de semana, dias 21 e 22, no Autódromo de Interlagos, região da zona sul de São Paulo.

Nesta edição, o festival apostou em bons nomes do rock, mesmo que em pequena quantidade. O primeiro dia, de ingressos esgotados, foi marcado pela lama da tempestade do dia anterior, filas quilométricas, sol ardido e uma diversidade entre os fãs roqueiros de Deftones e o público de Sabrina Carpenter vestidos de rosa – um contraste que sempre fez parte do festival. 

Viagra Boys: estreia no Brasil com grande estilo

Estreando no Brasil durante o Lollapalooza Brasil 2026 – além do side show na Audio na última quinta-feira, 19 -, a banda sueca, até então pouco conhecida, conseguiu chamar a atenção do público que aguardava ansiosamente pelo Deftones, e os mais curiosos que queriam entender melhor a proposta do Viagra Boys. 

Com apenas uma década de carreira, mostraram que são um dos nomes mais ácidos e irreverentes do pop punk contemporâneo – na verdade, uma mistura com pouco de post punk e atitude hardcore. O líder  e vocalista Sebastian Murphy canta letras carregadas de sarcasmo e crítica social enquanto agita o público com sua irreverência, arrancando risos com suas caretas. 

Sobre um sol forte, a banda apresentou um repertório curto, mas capaz de apresentar sua trajetória e os melhores hits ao público que os conhecia naquele momento. Não faltaram a famosa “Punk Rock” e o single de estreia “Sports”, que é uma sátira à hipermasculinidade. Bem como os comentários políticos, enquanto Murphy dedicou a música “Troglodyte” para Palestina, puxando um coro “free free”, enquanto a plateia respondia com “Palestina”.

Viagra Boys mostrou que o caos é seu combustível no palco e cativou o público do Lollapalooza Brasil, que os abraçou com a recepção única que só o brasileiro tem. Reagindo com entusiasmo à postura provocadora da banda, que por sua vez entregou um show caótico e memorável.

Interpol: Os veteranos que são sempre bem-vindos

Após o mosh, sangue e suor, o clima soturno tomou conta  – mesmo sendo difícil manter o visual dark com o sol de 30 graus que fazia. Um dos pilares do revival pós-punk dos anos 2000, o Interpol subiu pela terceira vez no palco do Lollapalooza Brasil. Com sua já conhecida estética sombria, guitarras entrelaçadas e vocais graves de Paul Banks, a banda americana entregou exatamente o que se esperava: precisão cirúrgica e atmosfera densa. 

Sem firulas, o Interpol, que também se apresentou na Audio na última quinta-feira, 19, chegou com seu jeitão inglês (embora sejam americanos), sempre bem vestidos, apostando no cenário simples e execução impecável, criando um clima quase hipnótico. No repertório, clássicos como “Obstacle 1”, “PDA”, “Evil” e “Slow Hands” seguem sendo pontos altos. 

A relação já antiga com o público brasileiro cria uma atmosfera cativante para quem via a banda pela primeira vez. Também mostra que o retorno da banda é notável não só por nostalgia, mas também mostra como envelheceram bem, mantendo relevância e consistência ao vivo.

O mais esperado da noite: Deftones

O retorno do Deftones ao Brasil no Lollapalooza Brasil 2026 não foi apenas um show, tornou-se um reencontro carregado de expectativa, catarse e entrega. Após mais de uma década longe do país, a apresentação em Interlagos transformou a ansiedade acumulada em uma descarga emocional coletiva, conduzida com precisão pela atmosfera densa e sensorial que a banda domina como poucas.

A performance seguiu o setlist que já vinha sendo apresentado nas passagens pelo Chile e Argentina, onde o grupo também participou da edição do Lollapalooza de cada país. O repertório equilibrou diferentes fases da carreira e destacou a fase mais recente, mais experimental e carregada de texturas, sem deixar de lado o peso e agressividade.

Atualmente, a banda vive uma fase de crescimento global, graças ao estouro no Tik Tok com “Cherry Waves”. Isso explica a quantidade de fãs jovens no show, para uma banda que tem seu público focado na galera new metal que hoje tem mais de 30 anos. Hits como “Be Quiet and Drive” e “My Own Summer” renderam alguns mosh pits e a participação do público em  “Change (In the House of Flies)”, a mando do vocalista Chino Moreno, também foi admirável. 

Entretanto, nas outras 10 faixas apresentadas, o público estava morno. Apesar de lotarem o gramado aos arredores do palco Samsung Galaxy, não houve a agitação esperada para uma banda de new metal que não vem ao Brasil há 10 anos. Nem mesmo um sinalizador foi capaz de abrir uma roda como o público brasileiro está acostumado a ver em shows do estilo. Pode ter sido pelo lado em que o show foi assistido, ou pelo estilo mais arrastado e denso do Deftones. Ou, até mesmo por ser show em festival, onde os fãs não comparecem como se fosse show solo, mas a certeza é que poucos conheciam a música.

O público tentou participar aos comandos do Chino Moreno, que à frente do Deftones entregou um dos melhores shows do Lollapalooza. Sim, mesmo que o público não respondesse à altura, ficaram encantados com o que presenciaram e arrancaram elogios de Moreno: “linda multidão”. A banda segue relevante após décadas, não só para revisitar com precisão sua discografia, mas por transformar sua apresentação em uma experiência sensorial completa, lavando a alma de fãs que aguardavam mais de uma década por show. E, como Chino prometeu: “Precisamos voltar com mais frequência.”

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Jéssica Marinho

Repórter e Fotógrafa em cobertura de shows, resenhas, matérias, hard news e entrevistas. Experiência em shows, grandes festivais e eventos (mais de mil shows pelo mundo).

Portfólio com matérias e entrevistas na Metal Hammer Portugal, Metal Hammer Espanha, The Metal Circus (Espanha) Metal Injection (EUA), Wikimetal e outros sites brasileiros de cultura e entretenimento.

Também conhecida como A Menina que Colecionava Discos – [email protected]



Via: WikiMetal