A Equipe do Sempre Um Rock teve a oportunidade de entrevistar o guitarrista Nico Elgstrand, da banda sueca Katatonia que vem para um show único no Brasil agora dia 21/03/26 no Cine Jóia em São Paulo/SP.
A abertura do show ficará a cargo da banda Falchi, da guitarrista Jéssica Falchi, que lançou recentemente o seu primeiro EP solo, Solace, onde vocês podem conferir o review aqui !
Perguntas por Fernando Queiroz (instagram.com/fer_nando_nw)
Entrevista conduzida por Erick Tedesco (instagram.com/tedesco.com.midia)
Você diria que o Katatonia com duas guitarras é bem diferente de uma formação com apenas uma?
Sim, eu acho que sim, particularmente em termos de sonoridade como banda. Todas as músicas são escritas para duas guitarras, então definitivamente existe uma energia diferente. Eu diria que é uma grande diferença.
Sobre o setlist: você pode comentar algumas músicas que vocês estão tocando agora e o que o público brasileiro pode esperar?
Eu não diria que o setlist está cravado em pedra, mas com certeza estamos tocando algumas músicas do novo álbum.
A grande questão, eu acho, é sempre se vamos tocar “My Twin”, porque é uma música que tocamos há muito tempo. Como eu disse antes, às vezes, quando você toca uma música demais, precisa dar uma pequena pausa. Então vamos ver em relação a essa.
Estou tentando lembrar agora exatamente o que estamos tocando, mas acho que, em comparação com a última vez que estivemos no Brasil, o repertório está bem diferente. Ainda assim, tem algumas músicas conhecidas. “Soil’s Song”, por exemplo, posso dizer que estamos tocando. “Lethean” também estamos tocando.
Mas, para ser honesto, ainda não é um setlist totalmente fechado, então qualquer coisa pode acontecer. A única certeza é que temos, acho, cinco ou seis músicas do novo álbum, e isso é o principal, porque é um disco novo. Eu sei que a maioria das pessoas quer ouvir este ou aquele favorito, mas, como banda, nós também falamos muito sobre as músicas novas e sobre levá-las para o palco, porque gostamos delas.
Quando você vai a um show, quer ouvir material novo, mas também quer ouvir o máximo possível do catálogo antigo. Então é realmente difícil fazer todo mundo feliz. Vamos ver. Mas “Dead Letters” eu tenho quase certeza de que vamos tocar, pelo menos eu espero, porque adoro tocar essa música. E “Forsaker” também é muito divertida ao vivo.
Ao mesmo tempo, talvez eu nem devesse dizer muito, porque hoje em dia você descobre tudo na internet de qualquer forma. E isso é uma das coisas ruins da internet: você consegue ver o setlist do show antes. Eu lembro que fui ver o Tool há alguns anos e não queria saber de nada. Mas meu irmão mais novo falou: “Não, você precisa ver, porque assim sabe o que esperar, pode ouvir as músicas antes e, se tiver alguma que você não escuta há muito tempo, já se prepara”.
E isso também faz sentido, porque se você ouve uma música ao vivo sem lembrar dela direito, às vezes sua reação é: “Que música é essa?”. Então existe um lado bom nisso. Também evita que você fique duas horas e meia esperando a sua favorita e, no fim, ela não apareça. Então há os dois lados. Mas, de qualquer forma, é isso que eu posso dizer por enquanto.
Você costuma ler as críticas e resenhas sobre o novo álbum?
Sim, quer dizer, não todas, obviamente, mas leio um pouco aqui e ali. Você tenta ter uma noção. E é difícil, porque é sempre assim: algumas pessoas dizem que é incrível, outras dizem “cara, que porra é essa?”. E eu tenho uma tendência a ser mais influenciado justamente por essas poucas críticas negativas.
Se 98 pessoas disserem que é a melhor coisa do mundo e duas disseram que é uma merda, eu acabo prestando mais atenção nessas duas. Então eu tento não ler demais, tento não ficar no YouTube vendo comentários, porque isso também consome muito tempo e, no fim, não há muito o que eu possa fazer. Se as pessoas não gostam, tudo bem, sabe? Elas podem ouvir outra coisa.
Mas, ao mesmo tempo, por ser meu primeiro álbum com a banda, claro que você fica curioso. Você quer saber o quanto as pessoas te odeiam ou gostam de você, sabe? Mas, no geral, a resposta tem sido positiva. E, claro, é Katatonia: muita gente que falou algo negativo estava esperando alguma coisa mais ligada aos tempos antigos. Só que acho que a maioria já percebeu que isso não vai voltar a ser como era vinte anos atrás.
Qual foi a ideia por trás da arte do álbum?
Acho que, no geral, o Jonas passou descrições mais ligadas à atmosfera, à vibração da coisa, não algo muito específico do tipo “faça exatamente isso”. Porque, se você faz isso, então é melhor desenhar sozinho.
A ideia era mais: “é assim que eu me sinto em relação a esse álbum, agora me mostre a sua interpretação”. E, quando o artista retorna com algo, você olha e pensa: “Ok, isso é muito legal”. Aí pode ser algo que se encaixa perfeitamente ou algo que você odeia, mas não faz sentido começar a voltar para o artista tentando controlar tudo nos mínimos detalhes, porque aí deixa de ser uma colaboração.
Então eu diria que o que você vê é a visão do artista a partir da atmosfera que foi passada para ele.
Há planos para um novo álbum ao vivo com a formação atual?
Não, não existem planos concretos no momento. Não estou dizendo que isso não vai acontecer, porque seria legal, mas não há nada definido. Eu e o Sebastian entramos há uns dois anos, então ainda estamos aprendendo muita coisa ao vivo também.
Mas, se um álbum ao vivo acontecer, eu acho que precisaria ser em um lugar visualmente muito especial. Hoje, com a tecnologia, para justificar um disco ao vivo, tem que existir algo a mais. E eu gosto de bons álbuns ao vivo, amo isso, mas também existem muitos discos ao vivo ruins por aí. Então eu fico meio dividido.
O Katatonia já veio muitas vezes ao Brasil, e no seu caso esta será a segunda. Você tem alguma história curiosa daqui para compartilhar?
Cara, isso exigiria que eu tivesse uma memória melhor. É tudo meio borrado. Normalmente, as histórias demoram uns vinte anos para voltarem à cabeça, mas a energia você sempre lembra no dia seguinte.
Eu me lembro de estar muito empolgado, porque também toco em contextos em que tudo é muito físico, muito porrada, muito intenso, e o público enlouquece. Então eu fiquei curioso para ver como seria com o Katatonia em São Paulo. O Brasil tem fama de ser um lugar absolutamente insano em termos de público, mas o som do Katatonia é mais contido, mais emotivo, então eu fiquei pensando: como eles vão reagir? Será que vão só ficar ali, absorvendo as músicas?
E aí começamos a tocar, e foi tipo: “Que porra é essa?”. O público cantava junto o tempo todo. Eu lembro que foi em São Paulo ou no Chile, porque às vezes tudo se mistura, mas usamos in-ear no palco e houve um momento em que eu simplesmente não conseguia ouvir o que estávamos tocando, porque o público estava cantando alto demais. E eu pensei: “Uau, isso é louco”.
Esse é um daqueles problemas lindos de se ter como músico. Se a plateia está tão alta assim, é porque você está fazendo alguma coisa certa. Então, me desculpe por não lembrar de histórias específicas, mas eu me lembro dessa sensação. A comida é incrível, todo mundo é muito amigável, as festas são ótimas e também tem um monte de voos. Só que aí não tem história, é só a gente sentado no aeroporto tentando sobreviver com vinho ruim.
E o que o Katatonia vai fazer depois dessa turnê?
Vamos respirar um pouco. Depois disso, acho que vem a temporada de festivais, embora eu nem tenha olhado o cronograma direito, para ser honesto. Neste momento, a América do Sul é a principal preocupação. Depois vamos para o Japão e, caramba, Austrália e Nova Zelândia também, acho que cerca de um mês depois de voltarmos da América do Sul.
Isso também vai ser muito legal. E então imagino que devamos começar a trabalhar no próximo passo, digamos assim. Talvez quando o inverno voltar aqui. Mas, sinceramente, a gente não planeja tanto. A gente só sobrevive. Você chega em casa e tenta pensar: “Ok, isso vai acabar em breve”. Porque agora está muito frio aqui.
Você é de Estocolmo?
Sim.
Aqui estamos com uns 30 graus.
Pois é, eu sei. Mal posso esperar para chegar aí e aproveitar um pouco, pegar vitamina D, sabe? Isso realmente muda o espírito.
Para mim é o contrário. Eu e minha esposa costumamos tirar férias em setembro e gostamos de ir para o Chile, para o sul, onde faz frio e não tem neve. É muito diferente para nós.
Sim, eu consigo imaginar. Quando faz calor demais, eu entendo que você queira um pouco de frio. Mas o frio que temos aqui não é só frio. Porque, ok, você põe mais roupa e aguenta. O problema é a escuridão. É isso que te pega. Você fica sem luz do sol por meses. Aí começa a bater de verdade.
Por isso eu valorizo tanto passar um dia inteiro no sol. Ontem mesmo acho que tivemos duas horas de luz e eu pensei: “Sim!”. E logo acabou. É horrível.
Além do novo álbum, existe alguma música extra ou material sobrando dessas sessões?
Acho que temos pelo menos uma música. Droga, agora não lembro direito. Talvez exista uma bonus track, ou até duas. Ou talvez eu esteja falando besteira. Sinceramente, não lembro.
Foi um período muito intenso, e logo depois já fomos jogados em outra coisa intensa. E eu também sou horrível para acompanhar esse tipo de detalhe. Eu gosto de ficar no meu pequeno casulo, onde tempo e espaço meio que flutuam. Mas acho que sim, me parece que fizemos algo a mais. Então fiquem atentos, porque talvez apareça em algum lugar.
Para terminar, deixe uma mensagem aos fãs brasileiros.
De novo, estou muito ansioso para voltar ao Brasil, aproveitar essa comida gloriosa e essa companhia maravilhosa. Como eu disse antes, da última vez foi uma loucura. Eu não conseguia me ouvir no monitor por causa do público, e esse é um dos problemas mais bonitos que um músico pode ter.
Então espero que vocês façam ainda melhor dessa vez. Espero que ninguém no palco consiga ouvir absolutamente nada do que está tocando, porque vocês serão altos demais. Não espero nada menos do que isso.
Saiam de casa, vamos fazer uma noite incrível juntos. Eu sei que estamos muito animados, então espero que vocês também estejam.
SERVIÇO | KATATONIA EM SÃO PAULO
Data: 21 de março de 2026
Local: Cine Joia (Pça. Carlos Gomes 82, São Paulo, SP)
Ingresso: https://fastix.com.br/events/katatonia-em-sao-paulo

Mais informações
instagram.com/agenciapowerline
instagram.com/katatoniaband
instagram.com/tedesco.com.midia
