Halestorm retorna ao Brasil após 10 anos. A banda norte-americana de hard rock liderada pela vocalista Lzzy Hale é uma das atrações do Monsters of Rock 2026. O festival acontecerá em 4 de abril no Allianz Parque – ingressos ainda estão à venda na Eventim.
Antes do festival, o quarteto abrirá o show do Guns N’ Roses – que é o headliner da edição – em Porto Alegre, no dia 1º de abril – ingressos à venda na Eventim; Já em 8 de abril, o grupo ainda fará uma apresentação em Curitiba ao lado do Extreme, que também integra a line-up do festival – ingressos à venda na Bilheteria Digital.
O Wikimetal conversou com o baixista Josh Smith sobre o retorno ao país, a abertura de shows para o Iron Maiden em 2025, a histórica participação no Back To The Beginning e mais. Confira a entrevista na íntegra.
WM: O Halestorm retorna ao Brasil este ano para o Monsters of Rock. A última vez que você esteve no Brasil foi há 10 anos, no Maximus Festival. O que fez vocês levarem tanto tempo pra voltar?
Josh Smith: Nós também nos perguntamos isso [risos]. Acho que grande parte se deve à pandemia. Sinto que ela simplesmente bagunçou nossos planos e a vida de todo mundo no mundo, obviamente. Para nós, a América do Sul, a Austrália e a Ásia começaram a se tornar algo frequente, nós vínhamos a cada três anos, mais ou menos, e provavelmente teríamos voltado em 2020 ou 2021.
Quando isso aconteceu, foi como começar tudo de novo, sabe? Quando saímos em turnê, pensamos: “Ok, não vamos a lugar nenhum por uns dois anos, então vamos começar pelo topo e fazer algumas turnês pelos EUA e depois ir para a Europa eventualmente”. E já faz muito tempo. Nós estamos muito ansiosos para voltar a ver vocês com mais frequência. Não quero levar mais nove ou dez anos para voltar a tocar no Brasil, porque vocês são os melhores fãs do mundo. De verdade. Tipo, os melhores fãs do mundo! As pessoas nos perguntam quem são os melhores fãs do mundo e nós sempre dizemos que são os fãs brasileiros, sem dúvida.
WM: O que você lembra dessa última visita?
JS: Lembro-me de estar aí para o nosso primeiro show do Hailstorm e nós fomos buscados no aeroporto pelo nosso produtor. Eles contrataram seguranças que vieram nos encontrar e nos escoltaram até o local do show, dizendo coisas como: “Não se metam com ninguém. Fiquem com a gente e vamos levá-los direto para a entrada. Não falem com ninguém. Relaxem.” E aí chegamos lá e havia um monte de fãs esperando do lado de fora. Acho que foi como os Beatles se sentiam [risos]. Foi incrível, o apoio foi incrível. E naquela noite no show, eu me lembro dos fãs como se eles estivessem se apresentando para nós. Como se fizessem parte da apresentação. Durante uma música, todos levantaram cartazes juntos e jogaram balões para o alto, e coisas assim. Foi uma sensação maravilhosa de comunidade, sabe? E sim, realmente os melhores fãs do mundo. Eu adoro isso.
WM: O que vocês estão preparando para esse retorno? Quais spoilers você pode nos contar?
JS: Acho que o Monsters of Rock vai ser pura energia. Vai ser uma verdadeira maratona para nós, tentaremos tocar o máximo possível das nossas músicas mais animadas no nosso repertório. Sinto que temos muito o que recuperar. Já faz três álbuns que não conseguimos tocar para vocês ao vivo. Então, estamos expandindo nosso repertório nos últimos dois ou três anos, e agora temos que começar tudo de novo. Poderíamos tocar esse repertório, que inclui muitas músicas do novo álbum, e queremos tocar bastante dele, mas nunca tocamos Back from the Dead para vocês. E acho que também não tocamos Vicious.
Então, vai ser uma mistura diversificada do nosso repertório com algo que ainda não tocamos. O último álbum tinha muitas músicas novas, sabe? Então, agora vamos tocar bastante do nosso catálogo inteiro. Temos muito trabalho pela frente, meio que reaprendendo músicas que não tocamos há muito tempo. E sim, vai ser divertido. Vai ser diferente. Eu queria que pudéssemos tocar por três ou quatro horas, sabe? Seria ótimo.
WM: No ano passado, vocês abriram o show do Iron Maiden. E embora o público de bandas mais clássicas às vezes possa ser bem hostil, parece que a recepção ao Halestorm foi muito positiva. Como foi essa experiência para vocês?
JS: Foi bom. E foi isso que você disse, é o que nós também tínhamos ouvido. Eu lembro de termos ouvido isso antes de abrirmos o show do Megadeth há uns 15 anos atrás. A gente era amigo de muita gente do Megadeth, da equipe deles e eles nos disseram: “Só para vocês saberem, fiquem de olho, fiquem atentos. Os fãs do Megadeth estão lá pelo Megadeth e se eles não gostarem de vocês, eles vão deixar vocês saberem. A gente pode ser atingido por coisas.” Felizmente, não fomos atingidos [risos]. Na verdade, a gente mandou a Lzzy cantar primeiro a cappella. A gente pensou: “Com certeza eles não vão jogar nada nela” [risos].
E a gente tinha ouvido falar disso sobre o Iron Maiden e com certeza vimos os “Durões de Matar” nas primeiras cinco fileiras. Muitos deles estavam meio: “Estamos aqui para ver o Iron Maiden”. E acho que conquistamos a todos. Foi muito divertido. Além disso, antes dessa turnê com o Iron Maiden, o que ajudou foi que nós, a banda, alguns amigos e familiares fomos ver o Metallica tocar e o Limp Bizkit estava abrindo o show.
E eles são uma banda que anima o público ao máximo, sabe? Eles trazem a energia e eles reconhecem que não é o show deles. Sabe o que quero dizer? Tipo, que você está lá para ver o Metallica. E o tempo todo o Fred [Durst] ficava falando sobre o Metallica, perguntando qual foi o primeiro álbum do Metallica que vocês ouviram, qual foi o primeiro contato deles com a banda? Sabe, animando a galera, sendo uma banda que anima o público, deixando os fãs empolgados para o Metallica.
Foi uma grande lição para levar para a turnê com o Iron Maiden, essa ideia de que, tipo, “Ah, o que vamos tocar?”. Não importa. O que importa é que levemos a energia e a empolgação para os fãs, mostrando que eles estão prestes a ver uma das maiores bandas de metal de todos os tempos. Então, foi uma abordagem muito divertida e acho que nos ajudou a superar o medo de “Será que eles vão gostar da gente? Será que não?”. Não importa. Eles não estão lá para nos ver. Nós estamos lá para apoiar o Iron Maiden. E somos fãs, somos como eles. Só que temos a oportunidade de tocar algumas músicas antes do Iron Maiden subir ao palco.
WM: Vocês tiveram a chance de conversar com o Bruce ou alguém do Maiden sobre isso?
JS: Não exatamente sobre isso, mas conversamos com todos, inclusive com o Steve [Harris]. Eles foram simplesmente fantásticos e, a cada show, nos aproximávamos mais e nos tornávamos mais frequentes. Eles estavam sempre por perto nos bastidores, sabe? Não era como se só estivessem no hotel e aparecessem pouco antes do show. Em algumas noites eles faziam isso, mas na maioria das vezes estavam disponíveis para conversar e ficavam felizes em ajudar. E o mesmo acontecia com a equipe deles.
Eu não compartilho desse sentimento, dessa epifania que tivemos ao ver o Limp Bizkit abrindo para o Metallica, mas foi bom aprender coisas novas, novas abordagens e novas maneiras de curtir a apresentação ao vivo, em todas as suas formas, seja como banda de abertura ou como atração principal. No fim das contas, não se trata de nós. É sobre os fãs. É sobre se divertir e unir as pessoas.
WM: Ainda falando sobre shows: no ano passado, o Halestorm teve a oportunidade de participar do Back to the Beginning, que foi o último show do Black Sabbath, e tenho certeza de que foi uma experiência incrível para você, mas queria ouvir sua opinião. Como foi essa experiência?
JS: Acho que vai ser difícil superar isso. Entre todas as grandes experiências de rock que já tivemos, essa foi simplesmente incrível. Nunca houve nada igual. E eu, não sei se haverá outra. Por uma semana o mundo inteiro se uniu em Birmingham. Foi a comunidade mais positiva que já vi. Todo mundo pensando a mesma coisa, sabe, uma espécie de mente coletiva. Uma positividade que eu nunca senti. Foi incrível. E, nossa, eu estava nervoso também. Sabe aquele nervosismo de sair para tocar e olhar para os lados e ver lendas e pessoas que você admira. E isso. Foi o melhor tipo de nervosismo e, de verdade, um dos melhores dias do rock na minha vida. Ter feito parte disso foi muito especial.
WM: Você teve a oportunidade de conversar com Ozzy ou mesmo com Sharon naquele dia?
JS: Cumprimentamos rapidamente a Sharon. Ela estava nos assistindo no dia do ensaio, no dia anterior. Gostaria de ter cumprimentado o Ozzy também. Mas ele era cercado por uma multidão toda vez que aparecia. O anfitrião da festa do século. Gostaria de ter sido um pouco mais direto nisso, mas não me arrependo. Eu estava lá. Minha esposa e filhos estavam lá para compartilhar a experiência juntos. Foi incrivelmente memorável, sabe? Mesmo que não tenhamos conseguido conhecer o Príncipe das Trevas. Foi legal. Simplesmente incrível.
WM: Você se lembra da aparência dele nos poucos momentos em que o viu?
JS: Do Ozzy? Sim. Ele estava tão presente e tão engraçado. O jeito dele falar no palco estava tão afiado quanto sempre foi, sabe? E, sabe, o lance dele era que ele sempre foi muito espirituoso. Sempre tinha as respostas mais engraçadas e coisas para dizer sobre qualquer situação. E naquele dia, ele estava totalmente presente e estava ótimo. O coitado queria se levantar e arrasar no palco, mas não conseguiu. Foi difícil de ver. Mas ao mesmo tempo, você sentia todo mundo o apoiando, sabe? Foi legal.
WM: Vou te perguntar uma coisa. Sei que é um pouco mais sobre a Lzzy, mas acho que você também pode responder. O Halestorm foi a única banda liderada por uma mulher a estar no Back to the Beginning, e a Lzzy era a única mulher no lineup. Isso foi muito comentado na época. Gostaria de saber se vocês chegaram a conversar sobre isso com ela, se discutiram o assunto como banda, se foi algo que vocês simplesmente falaram sobre.
JS: Sim, acho que as mulheres estão representando uma parcela maior do que nunca dentro do rock. Acho incrível que a Lzzy não tenha sido uma das primeiras. Sempre houveram outros ícones femininos do rock antes dela, mas nessa nova geração de mulheres no rock, sinto que ela foi uma das primeiras a carregar a tocha. E para ela, ainda poder fazer isso é uma honra. Mais mulheres deveriam ser reconhecidas e representar o estilo. Não consigo acreditar na quantidade de jovens mulheres que lideram bandas abrindo shows para nós. Quero dizer, há mais do que nunca, e muito disso se deve à Lzzy, por ser uma inspiração para elas.
Então, sim, foi uma honra absoluta fazer parte disso. Isso também aconteceu na Austrália quando não fizemos o festival. Acho que ela era a única mulher e isso também foi comentado lá. Acho que, no fim das contas, não é como se ela realmente pensasse assim. Isso provavelmente é o lado masculino falando. É como se fôssemos apenas uma banda de rock querendo tocar rock.
Tenho a sorte em estar em uma banda com, na minha opinião, a maior cantora de rock de todos os tempos. Uma das maiores. Que por acaso é uma mulher incrível. Então acho que é só uma questão de tempo. Em muitos dos festivais em que tocamos, parece que metade das atrações já são mulheres. É maravilhoso ver isso, especialmente comparado a época que começamos. E eu realmente espero que mais mulheres compartilhem essas experiências incríveis conosco. Também espero que possamos continuar fazendo isso, porque elas são simplesmente fantásticas.
WM: Então, eu queria falar um pouco sobre Everest, o novo álbum de vocês que saiu no ano passado. Vocês trabalharam com o Dave Cobb neste disco, o que foi uma surpresa. Ele é bastante conhecido pelo seu trabalho com música country, mas acho que ele também trabalhou com o Slash e o Europe. Então não é novidade que ele esteja trabalhando com rock. Gostaria de saber de onde surgiu a ideia de trabalhar especificamente com ele.
JS: O nome dele estava na nossa lista há muito tempo. E sim, ele trabalhou bastante com música country, sabe? [Produziu] Chris Stapleton. Mas ele também trabalhou com o Greta Van Fleet e o Rival Sons. O que mais gostamos nessas bandas foi o quão orgânicos os álbuns delas soam. Parecem quase gravações ao vivo. E quando começamos a trabalhar com ele, entendemos o porquê. Pela abordagem dele, pela forma como ele conduz tudo.
Mas, acima de tudo, era realmente o som dos álbuns dele. Sempre que alguma música tocava ao fundo, a gente pensava: “Nossa, esse som é muito bom”. Sabe? O som, a música, os músicos. Tudo importa. E isso cria aquela sensação de estar ouvindo algo ao vivo, que sempre nos atraiu. Comentamos isso com a nossa equipe e eles disseram algo como: “Ah, acho que ele está ocupado. Não sabemos se isso vai dar certo”. Mas, no fim, perguntaram para ele. E ele respondeu: “Eu adoraria trabalhar com o Halestorm”. E nós ficamos tipo: “Uau, que incrível!”.
Então nos reunimos para gravar. Decidimos passar alguns dias juntos no estúdio. Foi quando gravamos “Darkness Always Wins”. Tudo começou com uma frase. Acho que a Lzzy teve uma ideia inicial. E a partir daí fomos desenvolvendo, expandindo, sentindo a vibe e vendo como seria trabalhar juntos, E a coisa só foi melhorando. Foi um processo de gravação maravilhoso. Tiveram momentos onde pensamos: “É, claro”. Antes, nos nossos álbuns, gravamos demos. É o que chamamos de pré-produção
E depois regravamos tudo para fazer o disco. E sempre ficava aquela pergunta: “Por que estamos fazendo isso duas vezes? A magia já está aqui”. A abordagem do Dave era diferente. Ele dizia algo como: “Não. Vamos pegar o que está nos empolgando agora e expandir essa ideia. E, se não estivermos empolgados, vamos procurar outra coisa que nos empolgue”. E, quando encontrávamos isso, gravávamos o mais rápido possível. Era assim todos os dias.
Cada dia que trabalhávamos com ele nascia uma música nova, do começo ao fim. Você nunca sabia para onde aquilo ia levar. E também não havia regras e limites. Então era tudo muito empolgante. Estávamos sempre em alerta. Foi aí que entendemos um pouco da razão dos discos dele soarem daquele jeito. Existe uma empolgação real, porque gravamos tudo ao vivo. Muitas vezes essas gravações eram a primeira ou a segunda tentativa..E não tinha metrônomo nem nada. Éramos apenas nós tocando juntos. Então acho que conseguimos “capturar um raio dentro de uma garrafa” com essas músicas. Foi maravilhoso. E agora, ouvindo o álbum de novo, eu penso: “É, isso realmente soa muito legal”. Gostei muito do que fizemos com ele. E acho que todos nós da banda estamos ansiosos para recriar essa mesma abordagem de composição e gravação no futuro.
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Via: WikiMetal
