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Entrevista In This Moment: Novo álbum ‘Witch’ e planos para vir no Brasil

2 horas ago


Grande nome do metal alternativo surgido em meados dos anos 2000, In This Moment lançou em 28 de agosto, Witch, seu aguardado nono álbum de estúdio.

Liderado pela carismática e performática vocalista Maria Brink, o novo trabalho traz o grupo em sua fase mais ousada e inspirada até hoje, cujo desenvolvimento foi descrito pela cantora como “a declaração de sua transformação interior” em 11 faixas repletas de empoderamento, melodias hipnotizantes e identidade visual marcante. 

Dentre as músicas, destacam-se o single “I Want To Believe”, que conta com a participação de Rory Rodriguez, vocalista do Dayseeker, bem como uma versão reimaginada de “Another Brick In The Wall”, clássico do Pink Floyd, e com a participação da cantora e apresentadora norte-americana Kat Von D

Em entrevista ao Wikimetal, o guitarrista Chris Howorth falou sobre a recepção dos fãs ao disco dias após o lançamento, o que a “era da bruxa” significa para o grupo, o pioneirismo na cena alternativa e explicou como surgiram as participações especiais no álbum. O músico ainda falou qual é o segredo para se manter relevante nos dias atuais e confirmou que o grupo possui planos para fazer sua aguardada estreia no Brasil até 2027. Leia na íntegra. 

Recepção dos fãs ao novo álbum

Wikimetal: Witch foi finalmente lançado para todos ouvirem. Como tem sido acompanhar as reações iniciais dos fãs ao novo álbum? O que eles estão achando?

Chris Howorth: Tem sido ótimo. E isso é muito incrível, porque estamos trabalhando nele há um bom tempo. Parece que, mais do que um álbum normal, porque nós o fizemos em duas sessões diferentes, o que nunca tínhamos feito. Então, tê-lo lançado e ver que a reação parece ser realmente muito positiva em todas as frentes é tipo: “uau, isso é ótimo”. Então estamos muito empolgados.

Significado da fase atual do In This Moment

WM: A palavra “witch” foi descrita pela Maria como uma transformação interior e o poder de manifestar a própria realidade. Da sua perspectiva, o que essa “era da bruxa” representa para a evolução da identidade da banda como um todo?

CH: Essa é uma boa pergunta. Eu sinto que é uma progressão natural, sabe? Eu sou um cara das antigas na música, então eu adoro bandas que têm vários álbuns e meio que seguem uma temática. E para mim, ver a Maria naquele trono em Blood (2012), e depois ela se tornou a Viúva Negra para o próximo álbum. Então nós fizemos Ritual (2017), que tinha essa vibe mais cerimonial. 

E depois veio Mother (2020); ela é como a mãe. Agora ela é a bruxa. É uma progressão muito legal de sabedoria, conhecimento e tudo isso. Eu adoro isso. E também gosto do fato de que, no clima de hoje, há muita perseguição, dedo na cara, julgamento, brigas. E se você não é como eu, então você está errado, e se eu não te entender, eu vou te cancelar ou te queimar, como faziam com as bruxas. Então simplesmente parece relevante. 

WM: “Crawl” é descrita como um acerto de contas contra aqueles que dominam e causam dor. Houve algum evento específico ou um sentimento geral na sociedade de hoje que inspirou diretamente essas letras?

CH: Sim, vou ser bem direto. Foi quando estávamos em casa e houve um momento em que aconteceu aquele esquema de imigração do ICE nos Estados Unidos, em que eles estavam inundando certas cidades, e aconteceram coisas muito ruins, por causa de muita gente sem treinamento. E muita coisa acontecendo só para provar um ponto, e algumas pessoas foram mortas. 

E era muito difícil assistir e ver aquilo todos os dias, e ver pessoas que eram mais fracas sendo abusadas, empurradas e simplesmente não sendo tratadas de forma justa. Muita coisa naquilo parecia errado. Foi como se aquilo nos afetasse diretamente, e isso meio que transborda na música, sabe?

Colaboração com o Dayseeker em “I Want to Believe”

WM: Uma das músicas que achei interessante no álbum foi “I Want to Believe”, porque vocês colaboraram com o Dayseeker, considerada por muitos como uma das melhores bandas a surgir na última década. Como surgiu esse convite? Vocês já conheciam a banda?

CH: Não, é uma história bem legal. Quando estávamos fazendo nosso último álbum GODMODE (2023), eu estava curtindo muito o Dayseeker. E eu estava ouvindo o som deles no backstage durante a turnê, falei sobre eles para a Maria. Aquela música que eles tinham, “Without Me”, estava bombando muito na época. E eu achava aquela música muito boa. Então, eu já vinha falando com a Maria sobre isso há um tempo. E então ela finalmente embarcou na ideia. O novo álbum deles tinha saído e os convidamos para sair em turnê conosco. E naquele ponto nós os víamos todas as noites e estávamos adorando a música, e os caras são muito gentis e legais.

Perguntamos ao Rory [Rodriguez, vocalista]  uma noite se ele estaria interessado em participar de uma música conosco e ele disse que sim. E foi simplesmente incrível e fácil, nós enviamos a música para ele, ele gostou e gravou a parte dele. Então foi tudo muito natural e muito fácil com ele. E estamos muito felizes por tê-lo na faixa. Ele é um dos melhores cantores da atualidade, a voz dele é como mágica e eleva a música a um patamar totalmente novo. Então não poderíamos estar mais felizes em tê-lo nela e somos grandes fãs. 

Cover de “Another Brick In The Wall”

WM: O cover de “Another Brick In The Wall” chama a atenção pela forma como vocês pegaram um clássico do rock e o transformaram totalmente na roupagem sonora da banda. De onde surgiu a ideia para fazer essa versão ‘reimaginada’ da música, e como a Kat Von D acabou se envolvendo nesse processo criativo com vocês?

CH: Bom, a Maria teve a ideia de fazer um cover de “Another Brick in the Wall”. E ela é meio conhecida por trazer essas músicas lendárias que ninguém nunca deveria tentar fazer cover, e querer fazer um cover delas. E então minha abordagem para isso é que ela nunca quer fazer um cover exatamente igual ao original, ela quer reimaginar também, e eu sei disso. Então a abordagem é sempre pegar a música e distorcê-la de alguma forma que fique completamente diferente do que era originalmente. E com esta, é quase como se fosse na direção oposta, com toda uma coisa mais techno. 

E quanto à questão da Kat Von D, a mesma coisa, nós saímos em turnê com eles. O empresário dela é o nosso empresário, e ela tem uma banda que faz música eletrônica e achamos que eles seriam legais na nossa turnê. Então eles saíram em turnê conosco, e ela e a Maria ficaram amigas. Ela é uma pessoa muito legal, muito interessante, artística e bacana. E a música dela é legal. Então perguntamos se ela queria participar e ela disse que sim. E é super legal, estamos muito felizes de tê-la na faixa.

Possível conexão entras as faixas “Mother” e “Father”

WM: Uma coisa que notei é que, em 2020, vocês lançaram o álbum Mother, que apresenta uma faixa-título de mesmo nome. Agora, em Witch, temos uma música chamada “Father”. Existe de alguma forma algo que conecte essas músicas como o encerramento de um ciclo em relação ao disco anterior?

CH: Nossa. Eu nunca tinha pensado por esse lado. Mas você tem um ponto muito forte. Porque aquela música “Mother” era sobre a Maria, ela foi criada pela mãe e pela parceira dela, que é outra mulher. Então ela foi criada por duas mães. E o pai dela realmente não estava presente. Mas ela meio que teve uma reaproximação com o pai em seus últimos dias, o que acabou gerando a música “Father” para este álbum. 

E ela passou por toda essa situação com ele, tentando recuperar as cinzas dele do país onde ele faleceu, e foi toda uma saga para ela. E então aquela música é um resultado direto dessa situação pela qual ela passou. E é um encerramento para ela. Então é sim uma conexão meio estranha que elas têm. E eu nunca tinha pensado nisso, mas é bem legal.

WM: O In This Moment é famoso por shows ao vivo incrivelmente teatrais. Quando você está compondo riffs pesados no estúdio, você já fica imaginando como a música vai se traduzir visualmente no palco?

CH: Eu não, mas a Maria sim. 100%. Eu fico apenas me preocupando em tentar escrever e terminar a música, e se um riff é legal, eu penso, sim, estou sentindo a vibe ali ou algo assim. Mas na mente dela, ela fica tipo: “poderíamos estar fazendo isso, ou as luzes poderiam ser assim, e poderia ser dessa cor.” Ela definitivamente pensa muito à frente em relação ao show ao vivo e coisas do tipo, logo no momento em que algo acontece. Ela costuma dizer: “essa vai ser uma boa música para tocar ao vivo”.

Segredo para manter a relevância

WM: Você e a Maria construíram o In This Moment do zero e enfrentaram todas as mudanças na indústria musical ao longo das últimas duas décadas. Qual é o segredo para a banda continuar evoluindo, assumindo riscos e alcançando bilhões de streams sem perder sua essência central?

CH: Eu acho que a principal coisa que eu diria sobre isso, é que nós não temos uma fórmula. Nós realmente nos sentimos gratos por termos durado 20 anos, essa é uma das maiores conquistas que podemos ter, o fato de ainda estarmos por aqui, ainda conversando com vocês, ainda lançando discos 20 anos depois. Mas eu acho que o segredo para nós nisso foi, e isso tem muito da Maria, sabe, e eu sou meio que do mesmo jeito, mas apenas uma recusa absoluta em escrever uma música para as rádios ou para isso ou aquilo, e apenas querer fazer o que você quer fazer. Escrever música porque você quer escrever, que faz você se sentir bem e você gosta. 

E se as pessoas gostarem, é incrível, mas não tentar fazer isso para outra pessoa ou por algum outro motivo. Acho que é por isso que conseguimos manter nossa carreira e fazer coisas que as pessoas acham interessantes. E nossa base de fãs mais fiel vai embarcar nessa jornada e eles sabem que vamos experimentar, fazer coisas diferentes. 

Mas nós nunca sentamos e dissemos, vamos escrever um monte de músicas para tocar no rádio. Porque isso é algo que nunca tivemos, uma grande música número um nas rádios. Nós nunca tivemos isso. Tivemos algumas músicas que foram bem porque elas naturalmente foram bem sem muita ajuda das rádios, sabe?. E eu acho que essa originalidade e o fato de nos mantermos fiéis a nós mesmos nos deram um som original e nos ajudaram a durar tanto tempo.

Representatividade feminina na cena alternativa

WM: Quando a banda começou, a cena do metal alternativo ainda era fortemente dominada por homens. De certa forma, vocês abriram muitas portas para o que vemos hoje, uma forte presença de mulheres liderando bandas e tocando em grandes festivais pelo mundo todo. Qual é a sensação de ver uma nova geração de vocalistas sendo inspirada pelo caminho que vocês ajudaram a pavimentar na cena no passado?

CH: É muito incrível ver isso, cara. Eu mal consigo acreditar. Porque eu me lembro de quando estávamos começando, havia apenas algumas por aí, e elas eram muito conhecidas para as pessoas que conheciam a cena. Mas agora é tipo, e elas são tão bem aceitas agora, como você disse. É tão incrível. Quer dizer, eu nunca pensei que seria um defensor de bandas lideradas por mulheres ou artistas femininas

 Eu nunca pensei nisso para mim mesmo enquanto crescia nem nada. Mas, por ter estado com a Maria por mais de 20 anos, eu sou um grande defensor delas. E é simplesmente incrível. E não há diferença. Elas são tão fortes e tão poderosas, se não mais, como em tudo mais, do que todos os homens. E é simplesmente incrível ver isso. 

WM: Agora eu gostaria de ir ao passado, porque se você pudesse entrar em uma máquina do tempo e voltar ao início dos anos 2000, logo antes de vocês lançarem Beautiful Tragedy, qual seria o conselho que você gostaria de dar ao seu eu mais jovem sobre a indústria da música ou sobre a vida em geral?

CH: Caramba. Eu não sei (risos). Porque qualquer conselho que eu desse agora eu estaria sendo cínico. Porque nós fizemos coisas malucas. Quando olho para trás, para o que fizemos em 2006 e 2007 quando estávamos apenas começando, nós entramos em uma van. Nós realmente não ganhamos nenhum dinheiro na estrada, Estávamos ganhando dinheiro para voltar para casa sem nada. 

E a gente nem pensava nisso quando íamos fazer as turnês. E quando fomos para a Europa pela primeira vez, outra pessoa agendou tudo aquilo, alguém programou todos os shows, não tínhamos ideia do que estávamos fazendo, só fomos. Eles nos disseram: “vão, aqui estão as passagens de avião”. E nós fizemos tanta coisa. Ficamos em lugares terríveis e hoje tudo isso é uma ótima experiência, mas olhando agora eu penso, como a gente conseguiu fazer aquilo?

É tão louco. Mas o conselho que eu daria a qualquer pessoa é simplesmente nunca desistir. E isso nos serviu bem, cara. Quer dizer, eu não mudaria nada, eu acho, porque tendo feito daquele jeito, nós aprendemos o que é a dor e como realmente, realmente querer algo e realmente, realmente fazer o que for preciso, não importa o quê. E agora nós somos capazes de fazer nossas próprias escolhas. Nós não vamos fazer isso, e sim, aquilo. É simplesmente uma ótima progressão o fato de ainda estarmos fazendo isso. Eu não acho que daria a mim mesmo. Eu não mudaria nada para responder à sua pergunta.

Planos para estrear no Brasil até 2027

WM: Neste mês vocês vão começar uma turnê pelos EUA ao lado do Hollywood Undead. No entanto, o In This Moment nunca esteve no Brasil até agora. Há algum plano para a banda vir ao país pela primeira vez?

CH: Sim. E eu quero ir muito. Eu vou torcer bastante por isso. Nós já conversamos sobre isso tantas vezes ao longo dos anos. Mas sempre houve algo ou algum tipo de estigma que talvez tenha nos impedido de ir até aí na época. E nós temos fãs tão incríveis por aí, e só sabemos disso pela nossa conexão através do Instagram, Facebook e coisas do tipo. 

Nós vemos a paixão e toda vez que fazemos qualquer coisa, há esses fã-clubes que estão sempre lá. Queremos muito ir. Então eu vou fazer muita pressão para fazer isso neste ano ou no ano que vem.  Estamos fazendo uma turnê mundial para Witch, e eu quero ter certeza de que o Brasil estará incluído. Então, vamos cruzar os dedos.

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Vitor Melo

Atual repórter do Wikimetal, estudante de Jornalismo e fã de metal, em especial Iron Maiden, banda que já viu 3 vezes, acompanha desde os 12 anos e sonha assistir um show em Londres. Sempre gostou de escrever e encontrou no jornalismo musical a sua vocação. Seus principais ídolos são Steve Harris, Adrian Smith e Ozzy Osbourne. [email protected]



Via: WikiMetal