Os brasileiros Julia Lage e Bruno Valverde fazem parte do Smith/Kotzen. Formado por Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden, e pelo guitarrista e vocalista Richie Kotzen, o projeto está em turnê promovendo seu novo álbum Black Light / White Noise.
A banda se apresenta no Brasil, como uma das atrações do festival Bangers Open Air 2026, além de um show em Curitiba no Tork n’ Roll, no dia 24 de abril. O Bangers Open Air acontecerá no Memorial da América Latina, em São Paulo, nos dias 25 e 26 de abril. Garanta seus ingressos no Clube do Ingresso.
Em uma conversa com o Wikimetal, Julia Lage e Bruno Valverde falaram sobre a experiência de tocarem com Smith/Kotzen, as expectativas para o show no Brasil e seus projetos paralelos.
Smith/Kotzen tem 50% de sangue brasileiro
Wikimetal: O projeto Smith/Kotzen tem 50% de sangue brasileiro graças à vocês. Como foi o convite para entrar na banda?
Bruno Valverde: Basicamente, eu fui tocar no Baked Potato em Studio City, em Los Angeles, com o Rafael Moreira. E o Richie Kotzen e a Júlia foram lá para assistir o Rafael Moreira e eu estava lá na bateria.
Júlia Lage: A gente não se conhecia.
BV: Mas lá a gente ficou um pouco mais próximo, trocou contato… Nós temos muitos amigos em comum. Passaram-se uns quatro, cinco meses, perto do final do ano, e a Júlia me ligou e falou assim: “o Rich quer falar com você”. Eu falei: “What!?” Sempre tive muita admiração pela carreira dele, como músico, cantor, intérprete, aquela coisa toda… E aí ele fez o convite, falou assim: “Eu tenho esse projeto, não sei se você conhece o Adrian Smith, do Iron Maiden… A gente tem esse projeto junto e queria começar a fazer umas jams e ensaios…”
Na semana seguinte, a gente começou a tocar 4, 5 músicas para sentir a vibe. Então veio desse network, basicamente. Ele foi lá para assistir o cara, o Rafael Moreira, me conheceu e gostou do som. Então, através da Júlia, entrou em contato. E a gente está aí já faz tempo.
JL: Faz tempo, né?
BV: Isso aí, esse contato foi o quê? Final de 2021.
JL: Pois é. E comigo foi meio orgânico. Antes de eles criarem a banda mesmo, a gente sempre ia às festas de fim de ano do Adrian. Ele tem uma casa lá em Malibu, e sempre tinha… No ano novo, a gente acabava a noite na jam. A gente tocava com todo mundo, todo mundo se divertindo. O Adrian e o Richie se conheceram muito ali também, começaram a fazer as jams, porque na verdade o Richie conhecia a esposa do Adrian. E, naquelas festas, eles começaram a se conhecer melhor, fazendo as jams. Eu sempre estava nas jams. Então foi uma coisa meio orgânica, quando eles estavam pensando na banda para ir na estrada, ele falou: “quem pode entrar na banda como diferencial?”
Inclusive a própria Nery, [Nathalie Smith, a esposa do Adrian], falou: “E a Júlia? Ela sempre toca com vocês. Resolvemos testar, passamos umas três, quatro músicas para ver se dava liga. Os quatro juntos. E eles: ”Seção rítmica do Brasil!”. E aconteceu, bem organicamente, que é um ambiente bem familiar com nós quatro. Claro, eu sou casada com o Richie, o Adrian é super tranquilo, a esposa dele viaja com a gente algumas vezes também. E o Brunão, Brasil!
BV: Então a gente é bem… Estamos próximos também, é fácil para ensaiar… Estamos no momento certo ali.
WM: A participação de vocês nos shows se estendeu ao processo criativo e à gravação em estúdio, vocês colaboraram com algumas músicas do último disco, Black Light/White Noise. Como foi esse trabalho?
BV: Eu gravei três músicas.
JL: Eu fiz umas cinco músicas no álbum. Na verdade, o processo é deles. Eles que escrevem a música, eles produzem tudo. Tanto que o Richie passava as músicas para mim já com uma linha de baixo escrita. E uma outra parte talvez ele quisesse que soasse diferente, eu ia lá e gravava. Mas assim, eu não criei necessariamente. Eu criei uma coisa aqui, outra ali, mas a música sempre foi dos dois, arranjo e produção.
BV: Comigo foi mais ou menos a mesma coisa. Porque você está trabalhando com um nível de artista, falando do Richie que talvez estaria mais envolvido no processo de produção geral… Que já tem uma visão muito clara do que quer. E também não é uma música para você experimentar demais em termos de arranjo e etc. Ele tem uma visão muito clara porque a mensagem principal tem que ser passada. Não é um cara que precisa experimentar demais, fazer muita loucura. Então, não tem muito dedo criativo de assinatura no som.
Tem uma virada ou outra. Uma passagem ou outra que o cara vai fazer na sua identidade, mas não tem muita participação no processo criativo, não. Foi mais do que só gravar mesmo. E é legal porque já mostra essa confiança. No primeiro disco foi 100% deles, depois, nesse segundo… Quem sabe no próximo a gente pode fazer umas jams? Fazer umas músicas, quem sabe?
Experiência em dividir palco com ídolos
WM: Existe alguma emoção ou desafio em tocar com um membro do Iron Maiden? Como tem sido essa experiência e a relação com o Adrian Smith?
BV: Olha, é super natural. Você está no palco, aí você olha para o lado, está com o guitarrista do Iron Maiden… Não, cara! Pessoalmente, é uma coisa assim de muito orgulho. Poder estar em um palco com os caras, o Richie também. Ter toda uma história muito grande na música e você sai ali de Mauá… Aquela cidadezinha pequena e, de repente, você está no palco com os caras que você admira também, a Julia também, uma super baixista. Então, você tem um time muito coeso e, obviamente, olha para os lados, você tem esses caras no palco, é uma coisa muito gratificante.
JL: É interessante, porque a gente viaja com eles, a gente conhece os dois, mas é aquele momento, a gente tá no palco, olha para o lado e… Gente, por exemplo, outro dia estavámos em Londres, aí o Bruce Dickinson veio fazer uma participação especial. Estávamos tocando, ele começa a música, ele começa a cantar, só ouvia a voz dele na nossa orelha. Aí eu olhei para o Bruce e eu… A emoção… Uau, caiu a ficha. Porque mesmo conhecendo as pessoas, às vezes, esse encontro não é garantido.
BV: Às vezes, porque você está convivendo muito, você acaba se acostumando com isso.
JL: Mas daí tem momentos que realmente cai a ficha, gente, pera aí! Vamos voltar para a realidade. Então é muito emocionante e é aquilo que ele falou, a gente tem orgulho de poder estar ali, representar o Brasil e o Bruno do Angra, aquela banda que cresci ouvindo. Todos eles, para mim, quando eu olho para o lado, a emoção é geral, todo mundo muito top.
Experiências e desafios da Julia Lage
WM: Julia, você integra o Vixen, uma banda formada exclusivamente por mulheres, com trajetória consolidada no rock. Como é compor e trabalhar ao lado de musicistas experientes, que já vivenciaram diferentes fases positivas e desafiadoras do cenário? Essa convivência trouxe aprendizados ou conselhos marcantes para você?
JL: Eu vim de uma banda no Brasil que era só de mulheres. Então, eu toco só com mulheres faz muitos anos já. E a experiência é bem diferente. A energia é diferente. Porque eu não me vejo como uma mulher que toca música, eu me vejo como uma musicista. Então, quando eu tinha uma banda no Brasil, era a mesma coisa e com a Vixen é a mesma coisa. A gente não se vê como mulheres tocando instrumentos. A gente se vê como musicista. Experimentamos a música da mesma maneira que o Bruno, por exemplo. Então, a parte musical para a gente não faz nenhuma diferença. O que faz a diferença é a hora da fofoquinha, da maquiagem, de todo mundo se arrumar. Isso realmente faz diferença. Mais na parte de aprendizado de estrada, etc.
Eu acho que a única coisa que a gente vê é que tem que sempre respeitar muito bem a posição da outra. E, às vezes, um monte de mulher junto pode ser mais alto, pode ser mais bagunceiro… Tentamos sempre preservar cada pessoa. Se você vê que alguém está tendo um dia ruim, ou uma dor de cabeça, ou sei lá o quê, deixa a pessoa. São coisas do dia a dia que a gente aprende, mas a parte de música é a mesma coisa. Eu não vou falar que tem um diferencial, porque não tem. Cantar com mulheres é diferente porque é o mesmo timbre ali. Eu faço uma ou duas participações curtinhas aqui no Smith/Kotzen. Eu vou no microfone dos meninos e faço um pequeno vocal ali. E é diferente. São dois homens e eu ali. Então, essa talvez seja uma parte diferente. Mas, no geral, música é música.
WM: Você e Richie Kotzen compartilham a vida pessoal e também a profissional. Como equilibrar a relação conjugal com a parceria profissional, especialmente em processos criativos e turnês? Essa proximidade fortalece ou desafia a dinâmica artística entre vocês?
JL: Um pouquinho dos dois, porque, obviamente, eu tenho uma intimidade maior com ele do que se ele fosse só meu chefe. E ele também comigo. Então, às vezes, você pode cruzar uma linha ali que eu não cruzaria se fosse, por exemplo, só o Adrian. Como a gente conhece o Bruno há tanto tempo e o Adrian, então, às vezes, a relação também entra no ambiente profissional. Às vezes é ok, às vezes é muito… Então eu falo: “Vamos conversar isso depois”. Mas eu acho que fortalece, a não ser que a gente comece a se desentender muito, mas isso não acontece. É aquela coisa de manter o espaço do outro. Então, tem dias que ele está com o ouvido apitando… Eu já respeito o espaço dele como artista, eu falo “fica aí, tem o seu canto, seu espaço”. Mas assim, é um trabalho.
Shows no Brasil
WM: Bruno, o show do Angra é um dos momentos mais aguardados do metal nacional. Como surgiu a ideia de reunir a banda da fase Nova Era, e convidar a formação atual? Como está a preparação da banda e o clima nos bastidores?
BV: É um grande momento, obviamente, para o Angra, principalmente porque tiveram alguns problemas públicos, pessoais, entre o Rafael, o Edu, aquela coisa toda. Eu acho que, do ponto de vista humano, principalmente, é bom que as pessoas estejam bem. Os caras vão se reunir de novo, após tanto atrito, mais de 10 anos já, não sei quanto tempo… Do ponto de vista humano, é incrível também. A preparação… Nós já discutimos todo o setlist desses… Basicamente, o show será dividido em três momentos. Pode ser uma grande festa, todo mundo junto, há uma expectativa muito grande para isso. Vocês podem esperar um show muito, muito grande, muito legal mesmo.
WM: Vocês farão alguns shows no Brasil em abril. Como está a expectativa para tocar em casa e receber o público brasileiro?
BV: Show no Brasil, principalmente em São Paulo, a qual é a nossa casa também… Assim, a expectativa está muito grande, eu tenho certeza de que vai ser algo muito, muito legal. Também o público de Curitiba, a galera toda do rock’n’roll, sempre quando o Angra toca também está sempre em peso, sempre em sold out no geral, então eu tenho certeza que vai ser muito legal do ponto de vista de banda artística, mas aí também tem a parte pessoal.
JL: Eu toquei nesse mesmo festival quando era Summer Breeze, acho que dois anos atrás, com a Vixen, e já foi assim. Foi uma emoção, a galera gritando, o público brasileiro é o melhor, desculpa aí, mas é. Então, eu estou contando os dias para que isso aconteça, porque com a Vixen já foi emocionante, eu não consigo nem imaginar como é que vai ser, então a gente está realmente bem empolgado.
WM: Podemos esperar alguma surpresa diferente para os shows no Brasil?
JL: A gente não sabe ainda.
BV: Bom, se tiver surpresa, vai ser lá na hora.
JL: Mas a gente vai discutir, porque também acho que o festival é um setlist menor. Então, a gente vai ter que pensar nisso também. Mas estamos esperando que todos vocês venham!
BV: Vai ser legal.
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Via: WikiMetal
