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Entrevista LVCAS: De fenômeno do YouTube ao Palco Supernova do Rock in Rio 2026

2 horas ago


Mesclando nu metal, metalcore melódico e trap metal, LVCAS se tornou nos últimos anos um dos nomes para se observar da nova geração na música pesada.

Conhecido pelo seu trabalho com o Canal Inutilismo no YouTube – que gerou o apelido Lucas Inutilismo, pelo qual ficou conhecido -, LVCAS furou a bolha de sua audiência principalmente com as retrospectivas ANO em uma música, onde juntava os principais sucessos musicais do ano em um grande medley.

Aproveitando a popularidade desses vídeos, o artista passou a se dedicar com mais afinco à sua carreira musical, fazendo shows ao vivo entre 2023 e 2024 com a turnê Minha Playlist de Funk, onde tocava covers e versões rock de músicas populares. Em 2024 veio o primeiro disco, Humanamente, e em 2025 o EP mais recente, abatido mas não derrotado, com um som mais consolidado em suas referências musicais.

No dia 05 de setembro, ele é um dos nomes que se apresentam no Palco Supernova do Rock in Rio 2026, que também contará com bandas como Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon e Bad Omens.

Em entrevista ao Wikimetal, LVCAS fala sobre o andamento da carreira musical, os desafios de ser um artista de rock no Brasil e os planos para o futuro.

Wikimetal: Apesar da sua carreira ter começado no YouTube, você também teve formação musical, a música sempre foi algo muito presente na sua vida. Quando você decidiu começar a se dedicar integralmente para a sua carreira na música, o que te fez escolher o rock como o gênero onde você queria se inserir?

LVCAS: O rock sempre foi a base da música pra mim, então não foi um movimento premeditado, e muito mais um caminho natural de algo que me acompanhava desde o berço. É meu lugar de maior identificação, portanto qualquer coisa diferente disso seria estranho pra mim.

Wikimetal: Durante um bom tempo você fez sucesso com seus compilados de fim de ano e fez turnê fazendo covers mais pesados de músicas populares. Como foi a recepção do público quando o seu repertório ao vivo mudou de algo familiar para algo mais autoral?

LVCAS: Vivo um lugar de muito privilégio por poder ter essa base de pessoas que me acompanham e que de alguma forma tem esse vínculo de confiança e que me dá tranquilidade pra experimentar da maneira que eu sentir que mais faz sentido no momento. A arte sempre vai ser dinâmica, estou sempre aberto a mudanças e essa confiança do público é fundamental e sou muito sortudo de ter essa comunidade sólida. A recepção no geral é ótima. Isso não quer dizer, claro, que não haverá nenhum tipo de estranhamento. O novo costuma ser estranho, principalmente quando é desconhecido e quando já há uma expectativa formada em relação a mim. “Esse não é o doido dos vídeos? Que que ele tá fazendo música?” É uma parte absolutamente natural do processo, estou começando a trilhar meu caminho e preciso conquistar esse espaço nesse mercado diferente, mas o saldo é muito mais positivo do que negativo.

Wikimetal: Em uma entrevista para o Terra você falou um pouco sobre a cena do rock em que você está inserido e fez um comentário interessante. Você disse: “Espaço existe, mas ele não é neutro. A gente vive numa lógica de excesso com muita oferta, muita gente boa, e nem sempre a demanda acompanha”. Primeiro eu queria destrinchar melhor o que você quis dizer quando você comentou que esse espaço não é neutro.

LVCAS: Quero dizer que o mundo da música é um ambiente muito bem estabelecido, com cercas altas e espinhosas. O espaço existe, a demanda existe. O rock pode não ser o gênero número 1 no Brasil, mas cair no discurso de que o gênero morreu é pra mim se contentar com uma resposta simples que negligencia todo um movimento que conta com muita gente boa lutando pra fazer acontecer, estádios lotados pra ver desde clássicos multigeracionais como AC/DC, como quem leva o bastão pra nova geração, como o Bring Me The Horizon. Mas, apesar de tudo isso, conquistar o espaço pode ser complexo e demandar caminhos bastante específicos, conhecer pessoas certas, estar no momento certo na hora certa, com a indicação certa.

Wikimetal: Sobre a outra questão da demanda: qual é a maior dificuldade que você enfrenta hoje em dia, dentro desse gênero musical e do mercado brasileiro, tentando fazer o seu som virar e chegar em mais pessoas?

LVCAS: Existem algumas barreiras, é claro. O metal em si não é um gênero popular porque carrega em si uma cultura de desobediência, de questionamento e revolta. Me parece fazer sentido a teoria de que existem gêneros mais interessantes pro sistema colocar em evidência pois são melhores promotores da ordem. Além disso, tenho que olhar pro meu trabalho com um olhar crítico, saber que está no começo, que há muito o que melhorar e ser lapidado. Creio que com o meu amadurecimento como compositor e músico, novos frutos poderão ser colhidos. Existe também o desafio de compor músicas do gênero em português, que além de limitar o alcance, pode causar um estranhamento em ouvidos que estão acostumados com outra coisa. Mas eu gosto dessa parte, do desafio. Sempre gostei de nadar contra a maré, na teimosia. Estou bastante disposto a esticar essa corda ao máximo pra ver no que vai dar.

Wikimetal: Em dezembro, você lançou o novo EP abatido mas não derrotado que tem muita influência do nu metal, metalcore, rock industrial. Quem são suas maiores referências dentro desses gêneros?

LVCAS: Minha maior influência da vida é o Metallica. Minha base, minha escola como músico. Dito isso, não acho que seja tão identificável no meu som. Talvez porque eu tenha me adequado a padrões mais recentes. Coloco hoje em primeiro lugar como influência o Bring Me The Horizon, que pra mim são exemplo de condução de projeto dentro e fora de campo. Claro que há muito mais nesse caldeirão de influências, desde essas que vem direto na cabeça até outras que é até difícil mapear. Mas há muito do nu metal também, bandas que me acompanharam demais na minha fase de crescimento (anos 2000) como Slipknot, Korn, Limp Bizkit. Sempre gostei da atitude, da ideia de música catártica, explosiva.

Wikimetal: O nome do EP faz referência ao versículo bíblico? Sua arte no geral tem alguma influência religiosa?

LVCAS: Não sou uma pessoa religiosa, mas me interesso bastante pelo tema pois me intriga em vários lugares. Já recebi esse tipo de comentário algumas vezes desde trabalhos anteriores, traçando um paralelo com worshipness e outras coisas. Mesmo que não intencionalmente, sinto que pode haver uma interligação sim. É uma observação interessante.

Wikimetal: As músicas do EP tocam em alguns temas bastante pesados emocionalmente. Você sente que o rock é um lugar de catarse onde você pode extravasar esses sentimentos mais livremente?

LVCAS: Certamente. Na minha vida de maneira geral, sempre foi uma dificuldade grande pra mim expor meus pontos de fragilidade, ainda mais publicamente. A ideia de ser mostrar forte sempre pareceu mais adequada pra me ajudar a manter essa casca de proteção. Na música, passo a me sentir mais a vontade pra entrar nessas feridas e transformar dores e dilemas nessa expurgação.

Wikimetal: Você foi anunciado recentemente como atração do Rock In Rio 2026, no mesmo dia do Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon. Esses nomes são referências do gênero pra você? O que sua participação no festival representa pra você?

LVCAS: São absolutas referências pra mim. Sou um grande entusiasta da bateria e o Jimmy (baterista original do Avenged) talvez seja minha maior influência ao lado do Eloy. Além de todo o resto, claro. Uma banda extremamente técnica, criativa e que rompeu várias barreiras de preconceito dentro do gênero. O BMTH, como já citei, talvez seja meu maior exemplo de inspiração atualmente. Tocar no Rock in Rio é uma absoluta realização de 30 anos de sonhos do menino que habita em mim. Sendo no mesmo dia de artistas que me fizeram acreditar em estar lá, torna tudo ainda mais inacreditável e especial.

Wikimetal: Quais são seus próximos passos e planos para o futuro?

LVCAS: Sou bem animado pra viver o que vier pela frente. Quero poder experimentar e me amadurecer como músico, conseguir encontrar meu ponto de equilíbrio e passar algo de bom pras pessoas. Me sinto muito privilegiado e com propósito de poder ser inspiração pra quem está comigo, pra mim essa é a coisa mais valiosa.



Via: WikiMetal