Formado em 1999, em Falun, na Suécia, o Sabaton rapidamente se consolidou como um dos maiores nomes do power metal mundial.
A banda é reconhecida por sua sonoridade épica, que mistura riffs pesados, uma bateria imbatível e letras poderosas que exploram feitos heroicos e eventos históricos, especialmente guerras. Ao longo dos anos, construiu uma carreira sólida com álbuns icônicos como The Art of War (2008), Heroes (2014) e The Great War (2019), conquistando fãs ao redor do mundo e se firmando como um dos maiores nomes do metal contemporâneo.
Em 2024, a banda viveu um momento especial com o retorno de Thobbe Englund, guitarrista que havia deixado o grupo em 2016 após anos de contribuição marcante para a sonoridade e energia do Sabaton. Durante sua ausência, a banda seguiu em frente, mas a volta de Thobbe traz de volta um dos músicos mais queridos pelos fãs, conhecido por sua habilidade técnica e presença de palco única. Esse retorno marca um novo capítulo na trajetória do grupo, que agora se prepara para mais desafios e para continuar escrevendo sua história de sucesso.
Thobbe, que fez parte de momentos importantes como a gravação dos álbuns Heroes (2014) e The Last Stand (2016), retorna com a mesma energia e paixão que o caracterizam, pronto para embarcar em uma nova fase ao lado dos colegas.
Em conversa com o Wikimetal, o guitarrista compartilhou suas expectativas sobre o retorno, refletiu sobre a jornada da banda e sua própria evolução dentro do Sabaton, além de comentar sobre a participação como headliner do maior festival de metal da América Latina: o Bangers Open Air (ingressos à venda). A entrevista oferece aos fãs uma visão mais pessoal de sua experiência e da grande máquina que é o Sabaton.
Confira na íntegra:
Thobbe Englund sobre seu retorno ao Sabaton
WM: Você está de volta ao Sabaton depois de algum tempo afastado. O que levou à sua decisão de retornar à banda?
Thobbe: Foi praticamente uma decisão óbvia quando a pergunta veio até mim. A razão pela qual eu saí em 2016 foi porque estava me sentindo desgastado, já que estávamos constantemente na estrada. Isso foi há quase 10 anos, e naquela época estávamos realmente a 100%, sabe? Eu estava me sentindo um pouco cansado. Além disso, queria explorar meus próprios projetos musicais, mas em um ritmo mais devagar – só para desacelerar um pouco.
Então, fiz alguns festivais, uma turnê pela Europa e alguns álbuns aqui e ali. Depois, minha esposa e eu tivemos um filho, compramos uma casa… Os anos passaram, e então a pergunta surgiu. Agora, tudo parecia perfeito, porque, primeiro de tudo, o Sabaton estava indo muito bem durante todo esse tempo em que eu não estava na banda, o que significa que não estamos mais constantemente na estrada, embora amemos tocar. O equilíbrio perfeito seria tocar toda noite, mas, sabe… Como é o nome quando você entra nesse modo e simplesmente… se transporta?
WM: Teleporta de volta para o seu lugar.
Thobbe: Teleportar. É. Mas, sabe, a realidade não permite isso, porque há muita viagem e tudo isso. Então, quando a pergunta veio, eu, claro, estava acompanhando os caras porque sempre mantivemos contato próximo durante todos esses anos e somos melhores amigos. Então, quando a pergunta chegou até mim, foi tipo… uau, sim, claro – o círculo está completo. Foi um timing perfeito, sabe? Foi como voltar para casa, para a minha segunda família, porque esses caras são meus melhores amigos, e sempre foram, mesmo que eu não estivesse na banda. Mas eu ainda estava, por algum motivo estranho, sabe, porque estávamos tão próximos.
Eu me lembro de ter assistido a um show do Sabaton em 2022 e um cara se aproximou e me perguntou: “Como é não estar na banda?” E eu respondi: “O que você quer dizer?” Porque, para mim, eu ainda estava na banda. Eu só não estava no palco, mas de alguma forma, eu sempre estive lá.
Agora que estou de volta está sendo muito divertido. Estamos nos divertindo muito!
Thobbe Englund reflete sobre seu tempo fora do Sabaton
WM: Esse tempo fora teve algum impacto sobre como você vê a banda e sua dinâmica agora? Algo mudou?
Thobbe: Eu diria que sim. Eu cresci um pouco, sabe, como ser humano. E agora, tendo a oportunidade de refletir sobre todo o trabalho árduo que os caras—claro, eu também, mas principalmente eles—colocaram na banda. Eu entrei para o Sabaton em 2012, mas eles começaram em 1999. E, quando eu não estava na banda, de 2016 a 2024, pude realmente refletir sobre o esforço que eles dedicaram. É impressionante ver o que o Sabaton se tornou hoje. E ninguém nunca perdeu a mão, sabe? Eles sempre mantiveram os pés no chão e ficaram em contato próximo com todos os fãs, o que, eu diria, é algo único sobre o Sabaton.
Expectativas para o show do Sabaton no Brasil
WM: Vocês estarão no Brasil pela quarta vez, e dessa vez como headliners do Bangers Open Air, o maior festival de metal da América Latina. Isso é enorme. Quais são as expectativas da banda para essa apresentação?
Thobbe: Uau, sim, dá para ver que estou sorrindo. Vai ser… Eu fico arrepiado só de pensar nisso. Voltar ao Brasil, especialmente depois de não ter estado lá desde 2014, vai ser maravilhoso para mim. Eu me lembro dos fãs – aquele público foi insano. Tem algo de especial lá. E os caras não tocam lá desde 2019, então já se passaram seis anos. O tempo voa! E voltar vai ser… sim, estamos tão empolgados. É insano. É excitante e uma lição de humildade ao mesmo tempo e vamos dar 200% no palco. Vai ser mágico.
Produções de palco do Sabaton e expectativas para o show no Bangers Open Air
WM: As produções na Europa e na América do Norte são sempre muito grandes. Vocês trazem tanques para o palco e coisas assim. Considerando todo o sucesso que a banda conquistou, podemos esperar o mesmo nível de produção para esse show no Bangers Open Air?
Thobbe: Posso te dizer uma coisa: ninguém vai embora dessa noite decepcionado. Isso é certo. Nem nós, nem os fãs. Ninguém vai sair desapontado.
Setlist do Sabaton para o show no Bangers Open Air
WM: Você pode compartilhar algo sobre o setlist? Algo novo ou especial?
Thobbe: Sim, bem, o setlist está muito bem equilibrado porque, como disse antes, agora temos muitos álbuns – 25 anos de música. Claro, as pessoas esperam ouvir “Primo Victoria” e todos os clássicos, mas também queremos abrir espaço para algumas das músicas mais novas, músicas que gostaríamos de tocar para um público novo, sabe? Então, eu acho que está perfeitamente equilibrado. Muita atenção foi dada ao setlist, com certeza.
A conexão do Sabaton com os fãs brasileiros
WM: Legal! E o Brasil tem uma base de fãs extremamente apaixonada, que só cresceu depois do lançamento de “Smoking Snakes” do álbum Heroes. O que mais te impressiona quando você toca aqui e pensa sobre o Brasil?
Thobbe: O que mais me impressiona? Eu diria que quando tocamos ‘Smoking Snakes’, há algo que acontece com o público que nos alimenta de alguma forma. E agora, aqui vamos nós novamente com o bom… É, bem, eu não sei, mas tem uma espécie de magia.
Sobre o próximo álbum do Sabaton e seus temas
WM: Ano passado, o Joakim mencionou que vocês começaram a trabalhar em um novo álbum. Pode nos contar um pouco sobre como está indo?
Thobbe: Está indo muito bem. Muito bem, eu posso dizer. E isso é sobre a única coisa que posso falar.
WM: Vocês estão pensando em abordar algo relacionado ao contexto global atual? Quero dizer, estamos vendo muitas tensões ao redor do mundo, com guerras e conflitos acontecendo. Como o Sabaton sempre fala sobre guerras e eventos históricos, vocês estão pensando em trazer algo que está acontecendo agora para a banda?
Thobbe: A questão é que nós evitamos a política. Evitamos eventos recentes, qualquer coisa relacionada ao que está acontecendo no mundo agora. Porque o que focamos são fatos históricos, e isso deve ser visto ao longo de décadas para realmente… Na verdade, é um assunto delicado, para dizer o mínimo, quando há dois lados em um conflito. Pensar em eventos recentes, ou algo que ainda não se tornou história, isso é algo que nunca faríamos.
Mantendo a motivação para criar nova música
WM: Vocês têm tantos clássicos como “Primo Victoria” e “Ghost Division”. Como vocês mantêm a motivação para continuar criando e se reinventando ao longo dos anos? É bem difícil se reinventar quando você é um músico de metal porque todo mundo está tocando e todo mundo está escrevendo música. Então, como vocês continuam com isso? Como continuam seguindo em frente?
Thobbe: Sim, sim, eu acho que você tem que se manter com o primeiro sentimento que teve quando… vamos dizer, você está prestes a escrever um riff de guitarra, ou digamos que um riff de guitarra aparece assim, e você pensa: “Uau, isso é ótimo.”
Se você escrever uma música em torno daquele riff de guitarra, você vai tocar esse riff de guitarra 500 vezes. Depois, você vai gravar a música, o que significa que vai tocá-la, sei lá quantas vezes de novo. Depois você vai se aprofundar com a bateria, as guitarras baixas, teclados, vocais, coros, produção, mixagem, masterização-tudo. Então, quando a música está pronta, você vai estar tão cansado dela. Mas você sempre tem que ter em mente que precisa pensar no sentimento que teve no começo, ou quando aquilo veio à sua mente.
Então, quando você ficar cansado de uma certa música ou de algo na produção, essa é a abordagem errada. Você tem que lembrar o sentimento que teve do começo. E isso, eu diria, é uma coisa boa para mim pessoalmente. Eu sempre tento pensar assim, porque aí vai ser fresco para alguém que nunca ouviu a música. Vai ser ótimo.
O álbum The War to End All Wars e conteúdo futuro
WM: Vocês acabaram de lançar The War to End All Wars no dia 11 de março. De onde surgiu a ideia de trabalhar com esse novo formato, e podemos esperar mais conteúdo nesse formato no futuro?
Thobbe: Eu teria que passar essa pergunta para o Pär, porque ele é mais o cara responsável por essa parte. Eu não saberia o suficiente para te dar uma resposta direta e correta sobre tudo isso, na verdade.
Histórias engraçadas do Brasil
WM: Sem problemas! Eu sempre gosto de perguntar aos artistas se eles têm alguma história engraçada ou curiosa que aconteceu enquanto estavam no Brasil. Você tem alguma para compartilhar com a gente?
Thobbe: Ah, sim, há muitas. Deixe-me pensar em pelo menos uma. Tantas coisas engraçadas acontecem o tempo todo, sabe, porque especialmente naquela época, estávamos tão cansados e privados de sono. Muitas coisas engraçadas aconteceram. Bem… agora eu não consigo pensar em nada, só porque é tipo…
WM: Tenho certeza de que você vai ter algumas novas histórias para compartilhar em um mês e meio!
Thobbe: Com certeza haverá novas!
Mensagem para os fãs brasileiros
WM: Muito obrigado a você, ao press agent e à equipe do Bangers Open Air. Gostaria de deixar uma mensagem para os fãs brasileiros?
Thobbe: Eu gostaria. A mensagem é: nós amamos vocês. E quando formos aí, vai ser mágico encontrá-los novamente. Vai ser pura maravilha. Vamos ter as melhores noites.
RESUMO: Thobbe Englund, que voltou ao Sabaton após uma pausa de 8 anos, fala sobre sua decisão e o impacto desse tempo longe da banda. Ele compartilha suas expectativas para o Bangers Open Air no Brasil, prometendo um show inesquecível após seis anos de espera. A empolgação é visível, e ele garante que será um momento mágico para os fãs brasileiros.
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Via: WikiMetal