São Paulo — O show do Amaranthe no Bangers Open Air 2026 deixou claro por que a banda sueca conquistou um lugar tão particular dentro do metal atual. Em meio a um lineup mais voltado ao tradicional e ao extremo, o grupo apostou na sua identidade híbrida, mesclando peso com refrões acessíveis e destacando, acima de tudo, seu já característico sistema de três vocalistas — marca registrada que define sua sonoridade.
Pontualmente às 14h55, sob um sol intenso no Memorial da América Latina e após o retorno do Nevermore, o Amaranthe subiu ao palco e rapidamente transformou o ambiente em um espetáculo de energia contínua, sustentado por uma execução precisa e uma entrega física evidente de todos os integrantes.

Elize Ryd

Nils Molin – Vocais “limpos”

Mikael Sehlin – Vocais “guturais”
Três vozes, uma identidade
O grande diferencial da apresentação esteve, como esperado, na dinâmica entre os três vocalistas: Elize Ryd, Nils Molin e Mikael Sehlin. A interação entre vocais femininos melódicos, linhas masculinas limpas e guturais extremos criou uma alternância constante de texturas, permitindo que cada música evoluísse em camadas distintas.
Essa estrutura vocal, longe de ser apenas um recurso estético, funcionou como eixo central da performance. A troca fluida entre melodia e agressividade foi executada com precisão, evidenciando um entrosamento que vai além do estúdio e se consolida plenamente ao vivo.
Entrega total mesmo sob condições adversas
Se tecnicamente o show foi sólido, fisicamente ele exigiu ainda mais da banda. O calor intenso da tarde paulista impôs desafios visíveis: ao longo da apresentação, integrantes removeram partes do figurino e recorreram constantemente à hidratação para manter o desempenho.
Ainda assim, a entrega não foi comprometida. Elize Ryd, em especial, manteve presença de palco ativa, interagindo com o público e conduzindo momentos de maior conexão emocional, mesmo sob desgaste evidente. Essa resiliência reforçou um dos aspectos mais marcantes da apresentação: o compromisso com o público. Em nenhum momento houve redução de intensidade — pelo contrário, a banda pareceu utilizar as condições adversas como combustível adicional.
O setlist seguiu uma abordagem estratégica, focando em faixas de impacto rápido e reconhecimento imediato. Músicas como “Viral”, “Strong”, “Amaranthine” e “Drop Dead Cynical” funcionaram como pilares da apresentação, mantendo o público constantemente engajado.
Sem grandes surpresas estruturais, o show apostou na eficiência: sequência dinâmica, transições rápidas e ausência de quedas de energia — uma escolha coerente para o contexto de festival.

Um dos shows mais completos do dia
Dentro do Bangers Open Air 2026, o Amaranthe entregou uma das performances mais equilibradas entre técnica, espetáculo e comunicação com o público. O trio vocal não apenas cumpriu seu papel — foi o elemento central que elevou o show a outro nível.
Mais do que uma apresentação consistente, o que se viu foi uma demonstração clara de identidade artística. Em um cenário competitivo, o Amaranthe não apenas se destacou — reafirmou que sua proposta, baseada na coexistência de múltiplas vozes, continua sendo uma das mais eficazes e reconhecíveis do metal atual.
Fotos: Heitor Mota
Texto: Editorial Sempre um Rock
Set list by SetListFm: Amaranthe Setlist
