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Especial Bangers Open Air 2026: Angra encerra festival com maior público de todas as edições

10 horas ago

Angra Reunion transforma Bangers Open Air em celebração histórica — entre grandiosidade e desafios técnicos

São Paulo — A apresentação do Angra no Bangers Open Air 2026, sob o título “Angra Reunion”, foi mais do que um show: foi uma síntese ao vivo de toda a trajetória da banda. Em um espetáculo que ultrapassou duas horas de duração, o grupo reuniu diferentes formações, vocalistas e fases, entregando um dos momentos mais emblemáticos da história recente do metal brasileiro — ainda que não sem alguns percalços técnicos ao longo da execução. 

Kiko, Edu e Rafael

Kiko Loureiro em “Late Redemption””

Edu Falaschi

Kiko Loureiro

Reunião de gerações e narrativa em atos

Alírio Netto em sua estréia no Angra


Fabio Lione em sua despedida

A proposta foi clara desde o início: transformar o show em uma linha do tempo. Dividida em atos, a apresentação começou com a formação atual, marcando a estreia de Alírio Netto como novo vocalista, ao mesmo tempo em que ainda dividia espaço com Fabio Lione em sua despedida oficial.

Na sequência, o palco recebeu a aguardada reunião da formação do álbum Rebirth (2001), com o retorno de Edu Falaschi, Kiko Loureiro e Aquiles Priester ao lado de Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli — um encontro que não acontecia há quase duas décadas. Edu também trouxe todos os figurinos icônicos como a jaqueta de couro e o sobretudo vermelho usado na turnê do Temple of Shadows.

O desfecho reuniu todos os músicos no palco, chegando a nove integrantes simultaneamente, em um encerramento apoteótico que simbolizou a união de eras e consolidou o conceito de “Angraverso” proposto pela banda.

Repertório: uma viagem pela discografia
O setlist acompanhou essa estrutura narrativa. Clássicos como “Nothing to Say” e “Angels Cry” abriram caminho para a fase atual, enquanto a parte central mergulhou no período mais celebrado da banda, com destaque para o material de Rebirth, Temple of Shadows e Aurora Consurgens.

O encerramento com “Carry On” funcionou como síntese perfeita da proposta: um hino coletivo cantado por múltiplas vozes, representando passado, presente e futuro em um único momento. Além disso, o tributo a Andre Matos adicionou uma camada emocional profunda, com projeções e uso de vocais originais que transformaram o momento em um dos mais marcantes da noite.

 

Bangers visão aérea | @welpenilha | MHermes Arts

Grandiosidade de produção — e seus limites
Do ponto de vista técnico e visual, o show foi o mais ambicioso da carreira da banda, com uso intensivo de telões, pirotecnia e efeitos cênicos.
No entanto, essa própria grandiosidade trouxe desafios. Em alguns momentos, a complexidade do palco — com múltiplos músicos, alternância constante de formações e entradas simultâneas — resultou em pequenas inconsistências de mixagem e equilíbrio sonoro. Trechos com três vocalistas dividindo linhas, por exemplo, ocasionalmente apresentaram sobreposição excessiva, reduzindo a definição individual das vozes.

Também foram perceptíveis variações pontuais no volume e na clareza de instrumentos durante transições entre atos, algo compreensível diante da logística envolvida, mas que impactou a experiência em determinados momentos, especialmente para quem estava mais distante do palco.

Entre celebração e reconstrução
Apesar desses ajustes técnicos, o saldo artístico foi amplamente positivo. O Angra conseguiu algo raro: transformar um show comemorativo em uma experiência coesa, que não apenas revisita o passado, mas aponta para o futuro — simbolizado na figura de Alírio Netto e na continuidade do projeto.

No Bangers Open Air 2026, o “Angra Reunion” não foi apenas uma reunião de músicos. Foi um exercício de reconciliação histórica, uma celebração de legado e, acima de tudo, a prova de que poucas bandas conseguem carregar tantas fases distintas e ainda assim soar como uma única entidade.

Angra Reunion – 2026

Mesmo com imperfeições técnicas pontuais, o que prevaleceu foi o caráter monumental da apresentação — um capítulo definitivo na história do heavy metal brasileiro.

Fotos: Heitor Mota
Texto: Editorial Sempre um Rock (Paulo Marinho)
Set list by SetListFm: Angra – Bangers – Setlist