A banda brasileira mostrou força no Sun Stage e reforçou seu crescimento dentro do metal extremo.

A Crypta segue se consolidando como um dos principais nomes do metal brasileiro contemporâneo — e sua presença no Bangers Open Air 2026 reforça esse movimento. Após participação na edição de 2023, ainda sob o nome Summer Breeze, o grupo retorna em um momento de afirmação dentro da cena.
Escalada para um dos horários mais relevantes do Sun Stage, a banda encarou a concorrência direta com apresentações de peso como Black Label Society e Killswitch Engage. Ainda assim, atraiu um público expressivo, que ocupou a pista para acompanhar o set preparado pelo quarteto.
A apresentação do dia 25 de abril também marcou um momento importante na trajetória recente da banda: além de integrar a reta final da turnê do álbum Shades of Sorrow, o show representou a estreia oficial da guitarrista americana Victoria Villareal, consolidando a nova formação após o período de transição desde a saída de Jéssica Falchi.
Peso direto e execução precisa

Desde os primeiros minutos, a Crypta deixou clara sua proposta: um show direto, intenso e com pouca margem para respiro. A abertura com “Death Arcana” já estabeleceu o tom, evidenciando a coesão da banda ao vivo.
Na sequência, “Lullaby for the Forsaken” reforçou o entrosamento entre Fernanda Lira e Tainá Bergamaschi, especialmente nas passagens mais técnicas e intrincadas. A execução precisa das guitarras destacou a evolução da banda em palco, com uma dinâmica cada vez mais sólida.
Mesmo com um bom público desde o início, a movimentação no Sun Stage aumentou gradualmente ao longo da apresentação. Parte desse crescimento se intensificou após o encerramento do show do Killswitch Engage no Ice Stage, quando um fluxo maior de pessoas passou a ocupar a área.
Durante “I Resign”, single lançado em 2022 e fora dos álbuns da banda, já era possível perceber a pista mais cheia, com o público se concentrando para acompanhar o restante do set.
Com poucas pausas entre as músicas, a Crypta manteve o ritmo alto, emendando faixas com consistência. As rodas começaram a surgir de forma mais tímida em “Poisonous Apathy”, mas ganharam força na reta final, especialmente durante “Trial of Traitors”, quando a resposta do público se tornou mais intensa.

Mesmo com a dificuldade natural de acompanhar os vocais mais extremos, a plateia respondeu cantando linhas melódicas de músicas como “The Other Side of Anger” e “Lord of Ruins”, reforçando a conexão com o repertório.
Antes do final, Fernanda Lira interagiu rapidamente com o público, questionando se ainda havia energia para mais uma música rápida — o gancho perfeito para “Starvation”, conduzida com intensidade pela bateria de Luana Dametto.
A banda ainda deixou o palco momentaneamente antes de retornar para um encerramento marcado por “From the Ashes”, com o público acompanhando o refrão e selando a apresentação em alta.
Embora o Sun Stage tenha se firmado como espaço ideal para o metal extremo dentro do Bangers Open Air, a performance da Crypta indica um próximo passo natural. Com presença de palco, resposta de público e consistência sonora, a banda demonstra ter força suficiente para ocupar, em futuras edições, posições ainda mais centrais no festival.

Mais do que um show sólido, a apresentação reforçou um cenário evidente: a Crypta não é mais promessa — é realidade dentro do metal brasileiro.
Fotos: Heitor Mota
Texto: Editorial Sempre um Rock
