
O Foo Fighters entrou no palco do Rock in Rio com uma tarefa que poucas bandas conseguem cumprir sem cair na autoparódia: transformar mais de três décadas de carreira em um show que parecesse presente, e não retrospectiva. Dave Grohl e companhia encerraram a noite da última sexta-feira, 04, na Cidade do Rock, com um repertório extenso, músicos afiados e a disposição de transformar cada grande sucesso em uma nova oportunidade de interação com o público.
A atual Take Cover Tour marcou uma nova fase para o grupo, com Ilan Rubin assumindo a bateria e fazendo sua estreia no Brasil após a saída de Josh Freese. Porém, essa troca conturbada de baquetas não afetou em nada o desempenho ou ânimo do Foo Fighters, que revisitou diferentes momentos de sua trajetória enquanto apresentava faixas do recente disco Your Favorite Toy. Para alegria dos fãs mais saudosistas, este disco apareceu de maneira pontual no setlist, enquanto clássicos dominaram a maior parte do espetáculo.
Dave Grohl ainda sabe comandar uma multidão
A apresentação começou em alta rotação e manteve a banda em movimento durante boa parte do set. “All My Life”, “The Pretender” e “Times Like These” estabeleceram rapidamente a dimensão do show, mas foi a capacidade de Grohl de transformar o palco em uma extensão da plateia que deu personalidade à apresentação.
Grohl continua sendo um dos frontmen mais eficientes do rock de arena pela maneira como alterna humor, improviso e intensidade. Ele correu pelo palco, conversou com o público e também deixou espaço para os companheiros brilharem.
A nova formação também encontrou seu lugar. Ilan Rubin não tentou reproduzir Taylor Hawkins; pelo contrário, sua bateria trouxe personalidade própria e sustentou as músicas com precisão. O show assumiu um ambiente mais sentimental e carregado de significado na hora da música “Aurora”, dedicada a Taylor Hawkins. A homenagem não interrompeu o espetáculo nem transformou a apresentação em uma cerimônia triste; a música apareceu integrada ao repertório, permitindo que a memória do baterista estivesse presente. A faixa contrastou diretamente com a explosão de “Everlong”, que encerrou o show com fogos de artifício e deixou o público com sentimento de alma lavada.
No fim, o Foo Fighters não sobreviveu a três décadas de rock por nostalgia, mas porque sabe conduzir um grande show para milhares de fãs. E esses fãs nem terão tempo de sentir saudade, pois a banda retorna ao Brasil logo no começo de 2027 para dois shows como parte da Take Cover Tour 2027. As apresentações acontecem no dia 18 de fevereiro, na Arena MRV, em Belo Horizonte, e em 20 de fevereiro no Estádio MorumBIS, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda por meio do site da Ticketmaster e na bilheteria oficial.
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Via: WikiMetal
