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Halsey desafia público com show pesado e mosh pit em dia pop no Rock in Rio 2026

1 hora ago


Halsey. Crédito: Reprodução/Youtube

Halsey não precisou de um gênero de metal no crachá para fazer um dos shows mais pesados do último dia do Rock in Rio 2026. No último domingo, 13, a cantora estreou no Palco Mundo com uma apresentação que atravessou pop, rock alternativo e eletrônico, mas encontrou sua força justamente nos momentos mais agressivos, inspirados no heavy metal.

A abertura com “Nightmare” já indicava a direção do espetáculo. Depois, Halsey passou por “I Am Not a Woman, I’m a God”, “Castle”, “You Should Be Sad” e “Dog Years”, até chegar a momentos ainda mais próximos da linguagem do rock pesado. “Experiment on Me” fez Halsey cantar com força e pedir um mosh pit ao público, que, após alguns pedidos, abriram a roda. A reação agradou à artista, que entregou o refrão com ainda mais intensidade. Enquanto “Gasoline” trouxe fogo e uma performance física que fugia do formato tradicional de um show pop.

A diferença não estava apenas nas músicas. Halsey tocou guitarra e violão durante a apresentação e dividiu o palco com uma banda que transforma as canções em algo muito mais próximo de um show de rock, chamando atenção para Alex Feder, que também é guitarrista de turnê do Linkin Park e esteve com Halsey no show. A própria turnê de 2026 vinha chamando atenção por novos arranjos, guitarras pesadas e rodas punk, algo que já havia sido destacado em festivais antes da passagem pelo Brasil.

Halsey, mosh pits e sua fase roqueira

Existe uma contradição interessante na maneira como parte do público de rock encara artistas pop em festivais. A presença de uma cantora como Halsey pode ser questionada por quem entende o gênero a partir de uma definição rígida. Ao mesmo tempo, elementos tradicionalmente associados ao underground aparecem cada vez mais em apresentações de artistas que não precisam se encaixar nessa classificação.

Halsey já demonstrou que o mosh pit não é um acidente de seus shows. No festival Rock for People, na República Tcheca, ela chegou a pedir ao público que abrisse o maior circle pit do evento. “Eu vi o que vocês fizeram para o Bring Me The Horizon ontem à noite”, disse ela. A apresentação foi descrita pela Melodic Magazine como um dos grandes momentos do festival, justamente pela combinação entre os vocais agressivos da cantora e a resposta física da plateia.

A própria relação de Halsey com a cultura dos shows pesados ajuda a explicar isso. Ela já foi vista em mosh pits de bandas como The Story So Far e Bring Me the Horizon e confessou que, aos 16 anos, organizava e marcava shows de metalcore e hardcore em sua cidade natal. “Eu costumava marcar shows de hardcore. Em Jersey, antes de começar a fazer música, eu fazia muita coisa de hardcore, mas também um pouco do hardcore mais comercial. O maior show que já marquei — eu tinha 16 anos — foi do August Burns Red e The Devil Wears Prada“, disse ela [via TMDQA!].

A aproximação de Halsey com o rock não começou no Rock in Rio. Ela ganhou outra dimensão em If I Can’t Have Love, I Want Power, de 2021, produzido por Trent Reznor e Atticus Ross, do Nine Inch Nails. O disco mergulhou em industrial, rock alternativo e sonoridades mais pesadas, criando uma ruptura evidente com a imagem puramente pop associada à cantora.

Em The Great Impersonator, lançado em 2024, Halsey ampliou novamente esse território. O álbum passa por pop rock, folk e diferentes vertentes do rock, enquanto revisita referências de décadas anteriores. Vale lembrar também que Halsey escreveu e gravou a música pesadíssima “Experiment on Me” para a trilha sonora do filme Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa (2020) – faixa que abre mosh pits e destila os guturais pesadíssimos da cantora. A faixa foi produzida em parceria com Oli Sykes e Jordan Fish (membros do Bring Me the Horizon). Ela também colaborou na música “¿” do grupo britânico.

E no Rock in Rio, a conhecida faixa “Closer”, parceria originalmente lançada com The Chainsmokers, recebeu um forte arranjo rock, enquanto o encerramento com “Lonely Is the Muse” resumiu a atual fase: menos interessada em escolher entre pop e rock e mais disposta a transformar os dois em uma mesma linguagem. Já que atitude, confronto, vulnerabilidade e disposição são usados para desafiar expectativas e fazem parte da história do rock e heavy metal, então, esses elementos são muito válidos quando aparecem em um show pop.

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Via: WikiMetal