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“Heaven and Hell”: Como Ronnie James Dio salvou o Black Sabbath em 1980

3 horas ago


No dia 25 de abril de 1980, Black Sabbath lançou seu nono álbum de estúdio, Heaven and Hell. O disco foi o primeiro lançamento da banda após a conturbada demissão de Ozzy Osbourne em 1979 devido ao desgaste pessoal e criativo do cantor, relacionado diretamente com o abuso de drogas e álcool.

Em meio a um clima de que o fim poderia estar próximo, Tony Iommi precisou encontrar um substituto de mesmo nível e que mantivesse o grupo relevante. O guitarrista não apenas conseguiu isso, como encontrou alguém responsável por mudar a história do metal: Ronnie James Dio, que acabara de deixar o Rainbow. Com estatura desproporcional ao alcance de sua voz, o vocalista norte-americano estava prestes a salvar o Sabbath e daria novos passos para se tornar um dos maiores vocalistas de todos os tempos

Veja 4 curiosidades sobre um dos discos mais importantes da história do heavy metal e que completa 46 anos neste sábado. 

A ironia do destino que envolve a entrada de Dio no Black Sabbath

A entrada de Ronnie James Dio no Black Sabbath carrega uma das maiores ironias da história do rock: Tony Iommi soube do vocalista por ninguém menos que pela jovem empresária Sharon Levy, que anos mais tarde se casaria com Ozzy Osbourne e passaria a cuidar da carreira do Príncipe das Trevas. Na época, Sharon trabalhava para seu pai, Don Arden, que era o empresário do Sabbath.

Em entrevista ao podcast The Magnificent Others, a empresária relembrou o momento em que os músicos se conheceram. “Foi quando a banda decidiu definitivamente que Ozzy precisava sair. Tony me perguntou: ‘Quem você acha que poderia ser o vocalista?’. E eu disse: ‘Conheço esse cara, Ronnie Dio’. Então, os apresentei. Eles se deram muito bem, porque Ronnie era um cara muito sociável e fácil de conversar”, disse [transcrição via Whiplash].

A mudança nas letras: do ocultismo para fantasias épicas

Até a chegada de Dio, o baixista Geezer Butler era o letrista principal, focando em temas como ocultismo, escuridão, guerras e ficção científica. O novo frontman passou a ficar responsável pelas composições líricas em Heaven and Hell, e ocasionou grande mudança no grupo, passando a abraçar novas temáticas como´metáforas que envolviam a dualidade entre o bem e o mal, castelos, reis e o mundo da fantasia. Essa transição não apenas salvou o Black Sabbath, como ajudou a definir o que viria a ser o Power Metal nos anos seguintes.

Origem da icônica capa do Black Sabbath

A marcante capa, que mostra anjos jogando cartas e fumando, se encaixa perfeitamente com a temática da faixa-título, bem como parece ter sido uma encomenda da própria banda. No entanto, a arte possui outra origem. Trata-se de uma pintura feita em 1979 pelo artista norte-americano Lynn Curlee chamada Smoking Angels, inspirada em uma fotografia de 1928 que mostrava mulheres fantasiadas descansando nos bastidores de uma peça de teatro universitário. Tony viu a arte em uma galeria, comprou os direitos de uso e a tornou parte da história.

Ao portal Black Sabbath Online em 2008, Curlee explicou como seu quadro se tornou uma das capas mais cultuadas do metal: “Eles [a banda e a gravadora Warner Bros. Records] tinham um novo álbum e a arte de capa original não estava dando certo, então eles se viram em um beco sem saída. Eles me perguntaram se eu tinha algo adequado em mãos. Eu já havia pintado Smoking Angels para ser um quadro de galeria de arte, e eles simplesmente a escolheram para ser a capa”, disse.

‘Smoking Angels’. Crédito: Lynn Curlee/Reprodução

O “chifre do metal” que virou marca registrada

Em suas apresentações, Ozzy tinha o costume de fazer o sinal de “paz e amor” com as mãos. Ao assumir o posto, Ronnie sabia que precisaria criar uma assinatura própria e que fosse condizente com o som da banda. Foi aí que ele introduziu um gesto que sua avó realizava para espantar o mau-olhado, chamado Maloik, e que acabaria se tornando uma das expressões mais usadas não só na música pesada, mas na cultura pop em si. 

“Sou descendente de italianos; meus avós maternos e paternos vieram da Itália para os Estados Unidos, e eles tinham superstições. Quando eu era criança, andando de mão dada com a minha avó pela rua, eu a vi fazendo a mão chifrada pra alguém. Soube que esse sinal se chamava malocchio. Eu inventei isso? Não. Mas aperfeiçoei para torná-lo importante? Sim, pois eu usava muito, especialmente com o Sabbath. Pelo fato de eu fazer muito esse gesto, ele acabou ficando associado mais a mim que a qualquer outra pessoa. Embora Gene Simmons diga que foi ele quem inventou. Mas até aí, ele quem inventou a respiração e os calçados”, contou Dio ao documentário Metal: A Headbanger’s Journey (2005), de Sam Dunn. 

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Via: WikiMetal