Faltando poucos dias para o tão aguardado Monsters of Rock 2025, o baixista e fundador do Judas Priest, Ian Hill, conversou com o Wikimetal sobre suas expectativas para a vinda ao Brasil. Em um bate-papo descontraído e cheio de risadas, Hill falou sobre o mais recente álbum, Invincible Shield, que tem sido destaque nos shows da banda.
Além disso, Ian Hill também compartilhou suas impressões sobre as novas gerações do heavy metal e revelou um gostinho sobre o futuro do Judas Priest. A banda, que é um dos headliners do festival, também fará um show especial ao lado do Queensrÿche em São Paulo.
Judas Priest sobe aos palcos no dia 19 de abril no Monsters of Rock no Allianz Parque (ingressos disponíveis aqui) e no dia seguinte, 20 de abril com o Queensrÿche no Vibra São Paulo.
Confira a conversa na íntegra com Ian Hill do Judas Priest:
Shows celebrando Invincible Shield
Wikimetal: Antes de iniciar a turnê europeia Shield of Pain 2025, vocês tocarão em alguns países da América do Sul, incluindo o Brasil, no Monsters of Rock 2025. O que podemos esperar desse show especificamente?
Ian Hill: Bem, será uma continuação dos shows de Invincible Shield, que temos apresentado no último ano para promover o álbum. O setlist será uma mistura de músicas novas, junto com os clássicos que os fãs adoram, além de outras canções do nosso catálogo. Buscamos manter o setlist familiar para o público, porque não há nada pior do que tocar algo desconhecido e sentir aquele momento de silêncio. Então, queremos que todos se divirtam. O show será um típico show do Priest, com muitas luzes, muito barulho… A moto vai estar lá, algumas partes do cenário vão se movimentar… Vai ser muito divertido!
WM: Os shows deste ano celebram Invincible Shield, um álbum que recebeu um feedback incrível da crítica e dos fãs. O que esse disco significa para você e quanto dele veremos no Monsters of Rock?
Ian Hill: Teremos tempo para tocar três ou quatro músicas do novo álbum. É sempre difícil montar um setlist, porque temos muitas músicas e, quando um álbum novo sai, precisamos abrir espaço para ele, o que significa que alguma favorita de alguém vai ter que sair. Adoraríamos tocar o álbum todo, mas simplesmente não há tempo suficiente. Sobre o disco, ele demorou bastante para sair por conta da pandemia, que atrapalhou o processo de gravação. Mas isso também deu bastante tempo para Richie, Glenn e Rob refinarem as músicas antes de entrarmos no estúdio. O resultado é um álbum muito mais musical e polido do que os anteriores, porque tivemos tempo de sobra para deixá-lo exatamente como queríamos.
Judas Priest e Queensrÿche
WM: No show solo em São Paulo, no dia 20 de abril, vocês terão o Queensrÿche como banda de abertura. Como você vê a conexão entre os públicos das duas bandas?
Ian Hill: Ah, o heavy metal é como uma comunidade, não é? Todo mundo parece se dar bem. E o Queensrÿche é uma grande banda, já trabalhamos com eles várias vezes antes. Além de serem ótimos músicos, são pessoas incríveis. Então, será um grande evento, estamos ansiosos por isso.
Wikimetal: O setlist desse show solo será o mesmo dos outros shows no Brasil?
Ian Hill: Sim sim, acredito que será o mesmo.
WM: Em uma entrevista para o Metal Ode no ano passado, você mencionou que ver um público jovem nos shows faz com que a banda se sinta moderna e relevante, mesmo depois de mais de 50 anos de carreira. Como você vê essa nova geração de fãs de heavy metal, especialmente em festivais como o Monsters of Rock, que costumam atrair muitos jovens?
Ian Hill: Sim, eles são o futuro, não é? Sempre digo que há pessoas que querem mais do que apenas música pop. Elas não querem só cantar o refrão, querem ouvir os solos de guitarra, os padrões de bateria, as linhas de baixo… E sempre haverá pessoas assim, que demandam um tipo de música diferente. E, no momento, o heavy metal está preenchendo essa necessidade e está sempre evoluindo, acompanhando os jovens que vêm aos shows. É um sentimento incrível. O heavy metal tem um grande futuro e espero que continue assim.
A responsabilidade do Priest com o futuro do metal
WM: Uma vez, em entrevista a um veículo nacional, você disse: “Vocês brasileiros são tão loucos quanto nós, é uma combinação perfeita.” Agora, retornando ao Brasil para três shows esse ano, a sensação ainda é a mesma? O que vocês esperam desses shows diante do público brasileiro?
Ian Hill: Não, não sinto o mesmo… Acho que vocês estão ainda mais loucos! [Risos] Espero que sejam tão receptivos quanto sempre foram. Sempre fomos muito bem recebidos no Brasil e sentimos uma energia incrível vendo o público se divertir. Vocês realmente sabem como aproveitar um show melhor do que qualquer outro lugar. Então, estamos ansiosos para sentir essa vibração subindo ao palco novamente!
WM: Em 2015, durante uma entrevista no Fezen Festival, você mencionou que a maior contribuição do Judas Priest para o heavy metal foi continuar fazendo música. Dez anos depois, com dois novos álbuns lançados, você ainda acredita que essa é a maior contribuição da banda? Ou adicionaria algo mais hoje?
Ian Hill: Sim, é isso mesmo. Esse é o nosso trabalho, criar música. Tivemos a sorte de que vocês sempre gostaram do que lançamos. Não seguimos regras quando começamos a compor, simplesmente fazemos o que vem de nós mesmos e seguimos esse caminho. E vocês sempre receberam nosso trabalho de forma incrível. Espero que isso continue assim!
A entrada de Richie Faulkner na banda
WM: Sempre ouvimos de você e dos outros membros da banda sobre a amizade especial que compartilham. Quando Richie Faulkner entrou no Judas, você mencionou a energia que ele trouxe para o grupo. Como foi construir essa amizade e integrá-lo de forma tão natural, tanto no palco quanto no estúdio?
Ian Hill: Bom, quando Richie entrou na banda, já faz 14 anos, ele foi direto para a estrada, tocando as partes do Ken (K.K. Downing). No começo, ele tentou manter o som o mais próximo possível do original para garantir a continuidade da banda. Mas, além disso, foi um período essencial para nos conhecermos melhor. Não há nada como viver na estrada com alguém por um ano para entender como essa pessoa realmente é. Isso eliminou qualquer desconforto quando entramos no estúdio, porque já sabíamos como ele reagiria a tudo. Ele trouxe uma energia enorme para a banda, nos deu um novo ânimo, tirou alguns anos das nossas costas, tanto para mim quanto para o Rob (Halford) e o Glenn (Tipton). E ele continua fazendo isso até hoje. Tem sido uma grande jornada com ele!
O futuro do Judas Priest
WM: Perfeito! Para finalizar, pode nos contar um pouco sobre os planos futuros do Judas Priest?
Ian Hill: Bom, este ano já está praticamente todo preenchido com a turnê. Depois da América do Sul, voltamos para a Europa e, mais tarde no ano estaremos de volta aos Estados Unidos, espero que com o Alice Cooper. No próximo ano, veremos sobre novas músicas…
WM: Obrigada, Ian! Desejo a você e à banda tudo de melhor para as próximas turnês e shows, e estamos esperando por vocês aqui!
Ian Hill: Tudo bem, obrigado, aprecio isso. Foi um prazer. Tchau, tchau, Larissa!
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Via: Wiki Metal