O Raimundos uniu a crueza do punk e hardcore com a cultura nordestina, e a química musical deu origem ao forrócore. O deboche e a simplicidade das letras em perfeita união com a energia dos riffs e da cozinha robusta como um trem era o caldo sonoro que saía do quarteto.
Com isso, a Banguela Records, que foi um selo da Warner Music Brasil criado por integrantes da banda Titãs e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, logo teve interesse em assinar com os caras e lançar o debute.
Raimundos, o álbum, saiu em abril de 1994 e rapidamente caiu no gosto do público, vendendo milhares de cópias. Mesmo assim, a grana que entrava pelas vendas de discos não ficava para a banda, ia para o selo independente cujo o objetivo era bancar novos nomes da cena musical.
Na série documental Andar na Pedra – A História do Raimundos, o quarteto – Rodolfo Abrantes (vocal), Digão (guitarra), Canisso (baixo) e Fred Castro (bateria) – abordou o tema e explicou o mal-estar que rolou com os Titãs, quando a Warner incorporou o Raimundos ao seu cast principal e deixou a Banguela Records sem a sua galinha dos ovos de ouro.
“A gente estourou com o primeiro disco”, lembrou Fred. “A gente vendeu igual ao principal artista da Warner na época, mas não havia previsão de gravar o segundo álbum”.
Digão seguiu pontuando que o selo independente queria que a banda gravasse o segundo disco com um orçamento inferior do que o primeiro full length, mesmo vendendo muito bem no mercado e com os shows cada vez mais cheios.
No longa, Paulo Junqueiro, ex-diretor artístico da Warner Music Brasil, comentou: “O Banguela trabalhava os artistas e a Warner dava o suporte. Mas tinha a cláusula de opção que a gravadora podia pegar a banda que quiser e na hora que quiser. O Titãs e o Miranda ficaram muito putos”.
No entanto, não era uma retaliação, era apenas negócio e um ato previsto em contrato com os artistas da Warner na época. Com isso, a “gravadora mãe” ficou com o Raimundos e esvaziou o Banguela.
Também no documentário, o vocalista ainda observou: “Foi natural porque a banda cresceu e o Banguela não comportava mais a banda”.
Digão, atual líder da banda, acrescentou: “A gente sempre foi muito grato aos Titãs, mas a vida tem que seguir, a gente tem que olhar pra gente também. Não dá pra salvar todo mundo”.
Via: RockBizz
