Durante anos, a MTV Brasil estava na vanguarda do que aconteceria na cena cultural nacional, no entanto, quando decidiu se adequar à moda do mercado com programas de humor de supostos comediantes como Tatá Werneck, Dani Calabresa e Bento Ribeiro, o canal sucumbiu.
A galera da velha guarda e talentosa como João Gordo precisou encontrar trabalho em outra vizinhança. Infelizmente, o frontman do Ratos de Porão foi parar na TV Record, canal de forte inclinação religiosa, para se manter empregado.
Trocando uma ideia com Mafê, apresentadora do canal Instituto Cultiva, Gordo lembrou seu trabalho no programa Legendários, atração popularesca cuja apresentação era de Marcos Mion.
“Geninho Simonetti era o meu diretor na época da MTV. Ele queria fazer um programa em que eu era um psicanalista e tal, mas ele estava indo embora para a Record com o Marcos Mion. Depois de uma semana, ele conversou com o Mion, que acabou me fazendo uma proposta para participar do Legendários.
Ele falou que o programa seria melhor do que o CQC e o Pânico. Falou que seria um programa inteligente e com estrutura. Como a MTV estava uma merda, e eu já estava com o filme queimado mesmo, eu fui. Quatro anos de vergonha”.
João complementou: “Eu tinha um salário lindo! Consegui construir uma casa. É lógico que fui colocado na geladeira de tudo que era jeito. Eu tinha vergonha de participar do programa ao vivo de sábado.
Mas eu ficava provocando! Eu ia para lá com a camisa do Venom, com pentagrama e cruz de cabeça para baixo. Usava anel de pentagrama, bem satânico. Foi uma fase meio estranha da minha vida, mas passou”.
Eis o bate-papo completo aqui:
Via: RockBizz
