O vocalista do Ira!, Nasi, 63 anos, sempre foi coerente com as letras que escreveu ao longo de sua carreira no rock n’ roll brasileiro. O seu posicionamento em prol da democracia, igualdade de direito e respeito ao próximo estão presentes em sua arte e em seu discurso dentro e fora do palco.
No dia 29 de março, durante um show do Ira! em Contagem, Minas Gerais, o cantor botou alguns apoiadores do condenado e inelegível Jair Bolsonaro para correr. A repercussão do episódio foi ruim para a banda paulistana, já que apresentações nas cidades de Jaraguá do Sul (SC), Blumenau (SC), Caxias do Sul (RS) e Pelotas (RS) caíram por terra.
Em entrevista ao programa DR com Demori, cuja apresentação é do jornalista Leandro Demori, da TV Brasil, Nasi forneceu mais detalhes sobre a contenda que o fez ser um alvo da extrema-direita brasileira – transcrição via RockBizz.
“Não sou um cara de ficar fazendo palestra política. Me considero um cara politizado e atuante. Mas não quero fazer do meu palco isso. Não é para isso que estou lá, mas não fujo à luta. Muita gente colocou o que aconteceu de forma errada nas redes sociais.
Eu não expulsei ninguém daquela apresentação. Eu estava em Contagem, Minas Gerais, quando em um determinado momento do show, em Dias de Luta, setenta por cento do público começou a gritar sem anistia. Eu afirmei porque penso isso”.
A cantor continuou: “Essa anistia é um engodo! É um golpe dentro do golpe! A maior parte da população é contra; essa é a estatística. Depois que apoiei o público, a turminha lá do fundo, que nem vê o show, fica bebendo, começou a vaiar. Eles vaiaram quem estava lá contra a anistia.
De uma maneira muito bem educada, eu falei que eles não entendem a nossa música e a nossa história. Eu fui bem taxativo, e foi quando eu poderia ter falado diferente. Eu poderia ter perguntado: ‘É esta a direita que quer mudar o Brasil’”?
“Mas eu fui de outra maneira! Eu falei: ‘Vocês que são reacionários e seguidores do inelegível, por favor, não consumam mais a nossa música. Não apareçam mais em nossos shows’. Então, eu não expulsei ninguém. Eu não tenho o direito de fazer isso e também não peço atestado de ideologia para quem vai no meu show.
Eu respeito a direita e respeito a centro-direita, desde que seja democrática. Mas, o que se viu no país nos últimos anos, foi uma tentativa incessante de instaurar uma ditadura militar”, acrescentou Nasi.
“Se eu pudesse escolher não teria nenhum fã de extrema-direita! Mas não posso ter isso. Mas posso, assim como eles tiveram o direito de vaiar, tenho o direito de comentar a vaia deles. Foi isso que eu fiz”, finalizou o roqueiro.
Eis o bate-papo na íntegra no tocador logo abaixo:
Via: Rockbizz
