
Lançado em 28 de agosto de 2006, A Matter of Life and Death, décimo quarto álbum de estúdio do Iron Maiden, certamente desponta como um dos trabalhos mais audaciosos de toda a discografia da Donzela de Ferro até hoje.
No entanto, a consequente turnê desse disco foi a única do grupo durante a década de 2000 a não passar pelo Brasil. A banda ainda dividiu a opinião de seus fãs por decidir tocar o álbum na íntegra, deixando espaço para clássicos apenas no final do setlist.
Iron Maiden vivia o segundo auge de sua carreira
Naquela época, a banda vivia o segundo auge de sua carreira após os retornos de Bruce Dickinson e Adrian Smith, em 1999. A formação em sexteto modificou a identidade sonora do grupo e solidificou de vez o flerte de Steve Harris com composições mais épicas e progressivas Essa abordagem já vinha sendo explorada desde The X Factor (1995) e passou a ganhar ainda mais força em Brave New World (2000) e Dance of Death (2003).
Obra densa e gravação como se a banda estivesse tocando ao vivo
Muito antes de o disco, popularmente chamado de AMOLAD pelos fãs, ser lançado, o grupo britânico já havia abordado a temática guerra em seus álbuns e músicas, dentre as quais se destacam hits como “The Trooper”, “Aces High” e “2 Minutes to Midnight”, bem como faixas lado-b como “Sun and Steel” e “Afraid To Shoot Strangers”. Contudo, Steve Harris nunca tinha elaborado uma obra inteiramente dedicada ao tema.
Em A Matter of Life and Death, as guerras não são citadas como um retrato de conquistas vitoriosas, mas sim exploram como religião, conflitos armados e existencialismo podem mudar o mundo negativamente.
Faixas como “For the Greater Good of God” e “Brighter Than a Thousand Suns”, que aborda a criação da bomba atômica, questionam as contradições da humanidade e o peso de decisões que tiraram milhares de vidas ao longo dos séculos.
Para seguir esse caminho, o grupo, juntamente ao produtor Kevin Shirley, optou por gravar as faixas praticamente ao vivo no estúdio, atendendo a um pedido de Steve Harris para que o álbum não passasse pelo tradicional processo de masterização, danda a sensação de que os seis integrantes estavam juntos no mesmo espaço.
Fãs pediam para que banda tocasse “clássicos” na turnê
Realizada em 2006, a A Matter of Life And Death Tour contou com uma decisão ousada e nunca feita pela banda até aquele momento: tocar o disco na íntegra. Isso significou que os fãs precisariam acompanhar 70 minutos de faixas inéditas, sobrando espaço apenas para cinco hits no final do setlist: “Fear of The Dark”, “Iron Maiden”, “2 Minutes To Midnight”, “The Evil That Men Do” e “Hallowed Be Thy Name”.
A escolha, inevitavelmente, dividiu opiniões, pois enquanto uma parte dos fãs aplaudia a ousadia artística do sexteto de não viver apenas do passado, uma outra parcela reclamava da ausência das músicas que consagraram o grupo.
Essa polarização ficou evidente no dia 12 de novembro daquele ano, durante uma apresentação em Nova York, quando um fã levou um cartaz com a mensagem “Toquem Clássicos!”. Ao ver o texto, Bruce Dickinson chamou o fã para perto do palco, pegou o cartaz, levantou para a plateia e o rasgou em quatro partes.
Ausência do Iron Maiden no Brasil
Mesmo com as críticas, a turnê foi um sucesso com diversos shows esgotados pela América do Norte, Ásia e Europa. No ano seguinte, em 2007, o grupo estendeu a turnê , que passou a ser apelidada de A Matter of the Beast, devido a celebração de 25 anos do álbum The Number of the Beast, cujo repertório mesclou cinco faixas do icônico disco de 1982 com outras cinco do álbum de 2006.
Entretanto, foram anos amargos para os fãs brasileiros, pois ambas as turnês não contaram com datas na América do Sul, deixando o público sem a oportunidade de ouvir o álbum na íntegra ao vivo. O mais perto que os brasileiros chegaram de conferir algo relacionado ao disco aconteceu apenas em 2019, com a inclusão de “For The Greater Good Of God” na Legacy of The Beast Tour.
Vinte anos após seu lançamento, A Matter of Life and Death passou a ser redescoberto pelos fãs do Iron Maiden, com muitos deles chegando a considerá-lo um disco mais completo do que vários dos clássicos que consagraram o grupo, devido ao seu peso lírico e sonoro. A decisão de tocar um álbum por completo certamente dividiu opiniões, mas, principalmente, serviu para mostrar que a banda não queria ficar presa ao seu passado, pois ainda tinha muito o que provar.
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Via: WikiMetal
