Os integrantes do Ratos de Porão sempre levaram a fama de serem traidores do movimento punk rock. A crítica recai sobretudo no vocalista João Gordo. Até as pessoas que estavam dentro desta cena musical tiveram tal atitude em relação aos caras.
O motivos podem variar bastante e podem ir do estilo musical da banda, que é um crossover, ou seja, não é um punk puro sangue, até o trabalho de apresentador do Gordo em emissoras como MTV e Record.
Contudo, é inegável o enfrentamento que o conjunto e seus músicos veem fazendo à aristocracia brasileira desde os seus primeiros passos na carreira. Álbuns como Crucificados pelo Sistema (1984), Descanse em Paz (1986) e Brasil (1989) foram certeiros em suas críticas sociais e econômicas.
E é importante ressaltar que o teor lírico das obras ainda se mostram pertinentes até os dias atuais, ou seja, décadas após a criação dos álbuns, as suas ponderações ressoam em sintonia com status quo do Brasil.
Em recente bate-papo com Mafê, apresentadora do canal Instituto Cultiva, João Gordo explicou de onde vem a famigerada fama de traidor do movimento – transcrição do RockBizz.
“A onda que a gente embarcou que era o crossover, era uma mistura de metal com punk. As bandas que eu gostava na época, em 1984, eram inglesas. E todas as bandas inglesas que eu gostava começaram a tocar metal.
Aí, apareceu, Metallica, Slayer, Venom, Exodus. Todas as bandas eram maior peso, e os metaleiros com camisa de punk. E, ao mesmo tempo, os punks que a gente era fã estavam usando camisetas de metal. Como a gente era mais bem informado, porque a gente tinha correspondência [com pessoas de fora], começamos a mudar sempre.
Estávamos sempre um passo diferente do resto da galera, porque a gente era mais bem informado. Quando todo mundo era punk rock, a gente fazia hardcore. Pronto! Traidor do movimento. Quando o Ratos de Porão lançou em 1984 o disco Crucificados pelo Sistema, que tinha um símbolo da paz, os caras falaram que éramos hippies. Traidor do movimento.
Quando a gente começou a ouvir metal e fazer esse crossover, que é o metal punk, e era uma onda que estava tendo na Europa, falaram que a gente era metaleiro e era traidor. Pegou esse estigma! Mas a gente sempre estava pioneiro na parada. E o preço de ser pioneiro em um país que nem o nosso é muito tosco.
Até hoje tem playboy, fã de Dado Dolabella, que fica me chamando de traidor do movimento, mas não sabe nem o porquê. Quem é fã da banda, sabe a história e acha essa coisa ridícula. A gente só era mais bem informado do que as outras pessoas”.
Confira a entrevista completa no tocador a seguir:
Via: Rockbizz
